Quanto pode custar ao Brasil a tensão com a Indonésia?

Por BBC |

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Brasília e Jacarta vivem impasse diplomático por possível execução de brasileiro na Indonésia, mas relação bilateral responde por menos de 1% do fluxo comercial do pais

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As discussões sobre a possível execução de um segundo brasileiro na Indonésia criaram um impasse diplomático entre Brasília e Jacarta que pode ter repercussões econômicas para a relação bilateral.

Entre as consequências estaria uma possível reavaliação, por parte do governo indonésio, da compra de 16 aviões de combate EMB-314 Super Tucano, da Embraer, segundo o jornal Jakarta Post.

Mas o que mais está em jogo nas relações entre os dois países?

De acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o comércio bilateral chegou a pouco mais de US$ 4 bilhões em 2014 (US$ 2,2 bilhões em exportações e US$ 1,8 bilhão em importações).

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O valor é mais que o quíntuplo dos US$ 750 milhões de dez anos antes mas, apesar do avanço, representa menos de 1% de todo o fluxo comercial do Brasil - a soma de importações e exportações -, que chegou a US$ 454,1 bilhões em 2014.

A pauta entre os dois países é dominada por produtos básicos. Os principais produtos exportados pelo Brasil são açúcares de cana, milho em grão, bagaços e outros resíduos sólidos.

Entre as importações, estão óleos de dendê, caixas de marchas, fio de fibras artificiais e borracha.

Rodrigo Gularte foi condenado à morte em 2005 por chegar à Indonésia com seis quilos de cocaína. Foto: Reprodução/FacebookSegundo imprensa local, execução de Gularte deveria ocorrer ainda neste mês. Foto: AFPBrasileiro condenado a morte na Indonésia por tráfico de drogas foi executado no dia 17 de janeiro. Foto: Reprodução/YoutubeExecução foi feita mesmo após pedidos de cancelamento feitos pelo governo brasileiro. Foto: ReproduçãoMarco Archer Cardoso Moreira, 53, foi executado na madrugada de domingo (17) no horário indonésio – por volta das 15h no Brasil. Foto: Reprodução/FacebookMoreira era solteiro, não tinha filhos e seus pais haviam morrido; uma tia foi visitá-lo na Indonésia antes da execução. Foto: Reprodução/FacebookO brasileiro foi preso em 2003 ao entrar no aeroporto de Jacarta com 13,4 quilos de cocaína. Foto: Reprodução/InternetBalsa foi usada para transportar brasileiro para local da execução. Foto: AP


Rusga diplomática

A tensão colocou as relações bilaterais em banho-maria. A Indonésia planeja executar 11 condenados, inclusive o paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, de 42 anos, preso em julho de 2004 após tentar entrar na Indonésia com 6kg de cocaína escondidos em pranchas de surfe.

Gularte está na lista de prisioneiros a serem executados em breve. As execuções previstas para fevereiro foram adiadas e nenhuma nova data foi anunciada.

A presidente Dilma Rousseff recusou temporariamente na semana passada as credenciais do novo embaixador indonésio no país, Toto Riyanto, dizendo que a entrega dos papéis diplomáticos será adiada até que tenha "clareza sobre as relações com a Indonésia".

Em resposta, a Indonésia convocou de volta seu representante no Brasil. O governo brasileiro já havia convocado seu embaixador na Indonésia após a execução do carioca Marco Archer Cardoso Moreira, em janeiro.

A família tenta que Gularte seja transferido para um hospital psiquiátrico após um diagnóstico de esquizofrenia.

Cidadãos de França e Austrália estão entre os condenados a serem mortos - e governos destes países também têm pressionado a Indonésia para que cancele as execuções, que são por fuzilamento.

No campo diplomático, tanto Brasil quanto Indonésia integram a Organização Mundial de Comércio (OMC), o Fórum de Cooperação Leste da Ásia-América Latina e o G20 das maiores economias.

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