Marcha contra manifestação histórica da Ucrânia reúne 35 mil ativistas em Moscou

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ativistas criticaram papel do Ocidente nas ações que mataram milhares em Kiev, Ucrânia; índice de rejeição dos EUA cresceu

Para os milhares de russos reunidos perto da Praça Vermelha neste sábado (21), Maidan - a praça de Kiev que se tornou símbolo dos protestos pró-europeus do ano passado - não é motivo para comemorar.

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Ativistas do movimento Anti-Maidan da Rússia se reúnem com bandeiras patrióticas no centro de Moscou, Rússia
AP
Ativistas do movimento Anti-Maidan da Rússia se reúnem com bandeiras patrióticas no centro de Moscou, Rússia


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"Maidan é um festival de morte. Maidan é o sorriso do embaixador norte-americano que, sentado em sua cobertura, fica feliz ao ver irmão matar irmão. Maidan é a concentração anti-russa. Maidan é o embrião de Goebbels [Joseph, político alemão e Ministro da Propaganda do Reich na Alemanha Nazista]", gritou do palco um dos organizadores do novo movimento Anti-Maidan na Rússia.

Os manifestantes prometeram que os protestos do ano passado em Kiev - centrado na praça Maidan que forçaram o presidente pró-russo da Ucrânia a fugir em 21 de fevereiro - nunca se repetiria na Rússia. "Maidan" é a palavra ucraniana para "quadrado" e no uso comum refere-se a Maidan Nezalezhnosti, ou Praça da Independência.

Entre os manifestantes em Moscou havia uma variedade de motociclistas ultranacionalistas, aposentados, veteranos de guerra, membros de organizações estudantis e ativistas de outros grupos pró-Kremlin. Muitos deles agitavam bandeiras russas, outros banners que diziam "Morram, EUA!" ou "EUA, parem com a guerra!"

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A polícia disse que 35 mil ativistas participaram da ação, números que não puderam ser confirmados de forma independente. Desde o ano que mudou completamente a Ucrânia, o sentimento anti-ocidental na Rússia disparou, em grande parte porque muitos veem a mão do Ocidente fomentar os protestos em Kiev a fim de ganhar uma posição de controle perto da Rússia.

"Os Estados Unidos são o maior país terrorista do mundo. Acreditamos que podemos nos levantar de novo, se eles nos deixarem em paz, mas eles estão sempre tentando nos ensinar como viver", disse Nina Kishkova, 65, uma professora aposentada que estava no protesto com uma amiga.

Mar de bandeiras é vistad do lado de fora do Kremlin durante manifestação em Moscou (21/02). Foto: APHomens vestidos com Cossacs participam de comício do lado de fora do Kremlin em Moscou (21/02). Foto: APRussa ouve atentamente o pronunciamento de ativista perto de praça em Moscou, Rússia (21/02). Foto: APAtivistas com a placa "Não haverá Maidan na Rússia" são vistos nos arredores de Moscou, Rússia (21/02). Foto: APMulher segura cartaz com os dizeres "Je suis Donbass" durante comício do lado de fora do Kremlin em Moscou (21/02). Foto: AP

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De acordo com uma pesquisa realizada este mês pelo independente Levada Center, 81% dos russos não gostam dos EUA – índice mais elevado desde o início de 1990 - e 71% sentem o mesmo em relação a União Europeia. O número de russos que define as relações entre Rússia e EUA como "inimigos" saltou de 4% em janeiro de 2014 para 42%. A pesquisa tem uma margem de erro de cerca de 3 pontos percentuais.

"Não houve nenhum império da história que fez para suas colônias o que os EUA fazem para o mundo hoje", disse Alexander Zaldostanov, o líder do grupo pró-Kremlin Lobos da Noite, amplamente conhecido por seu apelido: Cirurgião.

O sentimento anti-ocidental provocado pelo apoio do Ocidente aos protestos em Kiev só se aprofundou quando os EUA e a União Europeia impuseram sanções à Rússia pela anexação da região ucraniana da Crimeia e pelo apoio à luta de Kiev contra aos separatistas no leste da Ucrânia.

"Não há nada de novo sobre os sentimentos anti-ocidentais na sociedade russa, o que houve foi uma ação que trouxe tudo isso a tona", disse Maria Lipman, analista independente. "As pessoas têm dito há muito tempo que o Ocidente está lá para fazer mal para a Rússia. Agora, isso soa como uma profecia que vai se realizar, porque agora o Ocidente está sempre discutindo como punir a Rússia, e isso nos fere ainda mais."

*Com AP

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