Antonio Ledezma foi detido em seu gabinete em Caracas; segundo Nicolás Maduro, ele cometeu delitos contra o país

No dia seguinte à prisão de Antonio Ledezma, prefeito de Caracas, a Anistia Internacional divulgou uma nota na qual condenou a ação praticada pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) a mando do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. 

Agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional invadem gabinete de Ledezma, na quinta
Reprodução/BBC
Agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional invadem gabinete de Ledezma, na quinta

Com o título "Continua a caça à bruxas", o texto da AI classifica a detenção de Ledezma como "extremamente preocupante". "No contexto venezuelano atual, mais uma vez as autoridades mostram que não há interesse em priorizar os direitos humanos mas, sim, em silenciar as vozes críticas ao governo", afirma a nota, publicada na tarde desta sexta-feira (20).

O próprio presidente venezuelano, Nicolás Maduro, confirmou a prisão do político, justificando que Ledezma terá de "responder por delitos cometidos contra a segurança e a Constituição do país".

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Segundo a mídia venezuelana, agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) entraram no gabinete do prefeito em Caracas por volta das 17h (horário local – 19h de Brasília) e o levaram preso.

O próprio Ledezma avisou por meio de sua conta no Twitter que "funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência estavam tentando entrar em seu escritório" na capital venezuelana. Pessoas que estavam perto do gabinete do prefeito disseram que foi possível ouvir tiros.

O prefeito de Caracas, Antonio Ledezma: ele comunicou detenção em tempo real no Twitter
EPA
O prefeito de Caracas, Antonio Ledezma: ele comunicou detenção em tempo real no Twitter

"Inaceitável"
"Em um estado de direito é inaceitável que se detenha indivíduos sem evidência de que tenham realmente cometido um delito", continua a nota da Anistia Internacional, citando a prisão de vários opositores ao longo do último ano no país, cada vez mais parecido a uma ditadura do que a uma democracia.

A nota ainda cita as detenções recentes do juiz Alí Fabricio Paredes, além da do advogado Tadeo Arriechi, ambos por supostamente somente desagradar o governo Maduro.

"Enquanto as autoridades venezuelanas não levarem a sério priorizar os direitos humanos e entenderem que em um estado de direito deve ser dar espaço à oposição o país seguirá nesta espiral de deterioração que afetará as pessoas mais vulneráveis", resumiu a AI.

* Com BBC Brasil

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