Analistas veem o caso como uma demonstração de força ou até mesmo uma provocação por parte da Rússia de Putin

BBC

Dois bombardeiros russos foram avistados na quarta-feira (19) perto da costa oeste da Inglaterra, levando a Força Aérea britânica a interceptá-los e escoltá-los – em mais um desdobramento das preocupações europeias com os avanços russos.

Vladimir Putin: apoio a rebeldes na Ucrânia eleva temor de ações semelhantes no leste europeu
Divulgação/The Presidential Press and Information Office
Vladimir Putin: apoio a rebeldes na Ucrânia eleva temor de ações semelhantes no leste europeu

Os bombardeiros não entraram no espaço aéreo britânico, apenas no que o Reino Unido chama de sua "área de interesse". Episódio semelhante ocorreu no mês passado.

Analistas veem o caso como uma demonstração de força ou até mesmo como uma provocação por parte de Moscou, com intenção política – já que a Rússia saberia que o episódio ganharia repercussão.

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O premiê britânico, David Cameron, disse que os bombardeiros não podem ser considerados uma ameaça: "Suspeito que os russos estejam tentando marcar uma posição e acho que não devemos dignificar (o episódio) com uma resposta muito grande."

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Mas o secretário de Defesa do Reino Unido, Michael Fallon, avaliou que incidentes do tipo são remanescentes da Guerra Fria e advertiu que a Otan (aliança militar ocidental) tem de estar preparada para algum tipo de agressão russa, sobretudo nos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), onde ele acredita que o governo de Vladimir Putin represente "um perigo real e imediato".

"Eles (Rússia) estão modernizando suas forças convencionais e nucleares e estão testando a Otan, então precisamos responder", afirmou aos jornais "Times" e "Daily Telegraph".

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Fallon acrescentou que vê Putin como uma ameaça à Europa semelhante à do grupo autodenominado "Estado Islâmico".

A Chancelaria russa respondeu que os comentários de Fallon "foram além dos limites da ética diplomática".

A analista diplomática da BBC Bridget Kendall afirma que políticos europeus estão temerosos que os países bálticos – onde há minorias de origem russa – sejam alvos vulneráveis a Moscou.

Desde que Putin afirmou, no ano passado, que ele tem o direito de proteger russos étnicos em qualquer lugar do mundo, teme-se que se repita o ocorrido na Crimeia e no leste da Ucrânia, onde um frágil cessar-fogo foi acordado.

Ao mesmo tempo, diz Kendall, o Ocidente não parece disposto a descartar Putin como um aliado diplomático, apesar da desconfiança mútua. A chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, afirmou nesta semana que quer trabalhar com a Rússia e não contra ela.

Ucrânia
Jonathan Marcus, analista de defesa da BBC, explica que os comentários do secretário britânico são indicativo de uma mudança na percepção da crise ucraniana por parte da Otan.

"A aliança claramente acredita que algo que começou como um problema localizado na Ucrânia agora se tornou um problema russo, que deve persistir por muito tempo", diz ele, em referência aos interesses e à influência da Rússia no leste ucraniano. "Ou seja, a Ucrânia é vista (agora) como a manifestação de uma mudança política muito mais ampla por parte de Putin."

Um acordo de cessar-fogo foi assinado na Ucrânia na semana passada, mas combates ao redor da cidade estratégica de Debaltseve forçaram um recuo das tropas ucranianas. Relatos dão conta de que persistem os bombardeios em diversas partes do leste ucraniano, incluindo na maior cidade da região, Donetsk.

A Rússia nega estar apoiando os separatistas, mas tem sido acusada de enviar armas e combatentes à região e de usar propaganda para insuflar as tensões entre grupos pró-Moscou e pró-Ocidente.

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