Incidente com bombardeiros russos reflete temor europeu com avanço de Moscou

Por BBC | - Atualizada às

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Analistas veem o caso como uma demonstração de força ou até mesmo uma provocação por parte da Rússia de Putin

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Dois bombardeiros russos foram avistados na quarta-feira (19) perto da costa oeste da Inglaterra, levando a Força Aérea britânica a interceptá-los e escoltá-los – em mais um desdobramento das preocupações europeias com os avanços russos.

Vladimir Putin: apoio a rebeldes na Ucrânia eleva temor de ações semelhantes no leste europeu
Divulgação/The Presidential Press and Information Office
Vladimir Putin: apoio a rebeldes na Ucrânia eleva temor de ações semelhantes no leste europeu

Os bombardeiros não entraram no espaço aéreo britânico, apenas no que o Reino Unido chama de sua "área de interesse". Episódio semelhante ocorreu no mês passado.

Analistas veem o caso como uma demonstração de força ou até mesmo como uma provocação por parte de Moscou, com intenção política – já que a Rússia saberia que o episódio ganharia repercussão.

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O premiê britânico, David Cameron, disse que os bombardeiros não podem ser considerados uma ameaça: "Suspeito que os russos estejam tentando marcar uma posição e acho que não devemos dignificar (o episódio) com uma resposta muito grande."

Veja fotos de ações russas na Ucrânia:

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Mas o secretário de Defesa do Reino Unido, Michael Fallon, avaliou que incidentes do tipo são remanescentes da Guerra Fria e advertiu que a Otan (aliança militar ocidental) tem de estar preparada para algum tipo de agressão russa, sobretudo nos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), onde ele acredita que o governo de Vladimir Putin represente "um perigo real e imediato".

"Eles (Rússia) estão modernizando suas forças convencionais e nucleares e estão testando a Otan, então precisamos responder", afirmou aos jornais "Times" e "Daily Telegraph".

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Fallon acrescentou que vê Putin como uma ameaça à Europa semelhante à do grupo autodenominado "Estado Islâmico".

A Chancelaria russa respondeu que os comentários de Fallon "foram além dos limites da ética diplomática".

A analista diplomática da BBC Bridget Kendall afirma que políticos europeus estão temerosos que os países bálticos – onde há minorias de origem russa – sejam alvos vulneráveis a Moscou.

Desde que Putin afirmou, no ano passado, que ele tem o direito de proteger russos étnicos em qualquer lugar do mundo, teme-se que se repita o ocorrido na Crimeia e no leste da Ucrânia, onde um frágil cessar-fogo foi acordado.

Ao mesmo tempo, diz Kendall, o Ocidente não parece disposto a descartar Putin como um aliado diplomático, apesar da desconfiança mútua. A chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, afirmou nesta semana que quer trabalhar com a Rússia e não contra ela.

Ucrânia
Jonathan Marcus, analista de defesa da BBC, explica que os comentários do secretário britânico são indicativo de uma mudança na percepção da crise ucraniana por parte da Otan.

"A aliança claramente acredita que algo que começou como um problema localizado na Ucrânia agora se tornou um problema russo, que deve persistir por muito tempo", diz ele, em referência aos interesses e à influência da Rússia no leste ucraniano. "Ou seja, a Ucrânia é vista (agora) como a manifestação de uma mudança política muito mais ampla por parte de Putin."

Um acordo de cessar-fogo foi assinado na Ucrânia na semana passada, mas combates ao redor da cidade estratégica de Debaltseve forçaram um recuo das tropas ucranianas. Relatos dão conta de que persistem os bombardeios em diversas partes do leste ucraniano, incluindo na maior cidade da região, Donetsk.

A Rússia nega estar apoiando os separatistas, mas tem sido acusada de enviar armas e combatentes à região e de usar propaganda para insuflar as tensões entre grupos pró-Moscou e pró-Ocidente.

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