Ex-detentos de Guantánamo reclamam de governo uruguaio

Por Ansa |

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Eles disseram que os países que receberem os ex-detentos precisam ter um plano para sua reinserção na sociedade

Dois dos ex-detentos da prisão de Guantánamo que receberam asilo no Uruguai, Abu Wael Dhiab e Ali al-Shaaban, reclamaram sobre sua situação no país. "Parece que saímos de uma prisão para entrar em outra", afirmaram em entrevista à mídia local.

Eles disseram, em depoimento à "Telemundo", que os países que receberem os ex-detentos precisam ter um plano para sua reinserção na sociedade. "O povo uruguaio mostrou um grande coração ao nos receber, mas receber não é suficiente, é preciso de um plano para ajudar a construir nossas vidas, nosso futuro. A ideia é que os governos se preparem", disse Abu Wael Dhiab.

Ali al-Shaaban, por sua vez, que foi detido aos 19 anos e passou outros 13 na base militar, disse que, quando chegou ao país, pensou que iria rever a família, mas que agora não acredita que essa seja uma boa ideia. "Em minha situação, eu não poderia mantê-los. Não consigo nem me manter economicamente. Sem a ajuda do governo, não poderei me reunir com eles".

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Desde a sua chegada, os seis ex-detentos de Guantánamo vivem em uma casa bancada pela central operária uruguaia PIT-CNT (Plenário Intersindical de Trabalhadores-Convenção Nacional de Trabalhadores). Os líderes sindicais, no entanto, disseram que até o momento eles recusaram todas as ofertas de trabalho e não participam das aulas de espanhol.

Após as reclamações, o presidente José Mujica se encontrou com o grupo para pedir-lhes para mudar a atitude, depois da reunião, no entanto, ele afirmou que não se tratam de "pessoas humildes", mas "sim pessoas de classe média", que tem problemas de adaptação e com o idioma local.

Segundo a imprensa local, o governo irá emitir passaportes para que eles possam deixar o país quando quiserem e se responsabilizar pelo seu próprio futuro, mas que se quiserem continuar no Uruguai, precisarão trabalhar. 

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