Polícia mata suspeito após dois ataques na Dinamarca

Por BBC | - Atualizada às

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Além do suspeito, o civil atingido na cabeça no tiroteio anterior não resistiu. A polícia investiga se os casos tem relação

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A polícia da Dinamarca afirmou ter matado um suspeito que seria o responsável por dois atentados em Copenhague neste fim de semana. Após os ataques, agentes das forças de segurança do país começaram a vigiar um imóvel para a qual acreditava-se que o suspeito voltaria. Ao chegar e ver os policiais, o homem teria começado a disparar - sendo morto na troca de tiros.

Polícia afirma que atirador agiu sozinho; duas pessoas foram mortas em ataques na Dinamarca
BBC/Reuters
Polícia afirma que atirador agiu sozinho; duas pessoas foram mortas em ataques na Dinamarca


No sábado, uma pessoa foi morta e três policiais foram feridos quando um homem abriu fogo em um café. No local era realizado um debate sobre blasfêmia e liberdade de expressão.

No segundo ataque, um judeu foi assassinado e dois policiais foram feridos próximo à principal sinagoga da cidade.

Leia mais: Após ataque a café, atirador deixa três feridos ao lado de sinagoga na Dinamarca

Protesto contra terrorismo levou milhares às ruas de Copenhague, na Dinamarca, na noite desta segunda-feira (16). Foto: APProtesto contra terrorismo levou milhares às ruas de Copenhague, na Dinamarca, na noite desta segunda-feira (16). Foto: APProtesto contra terrorismo levou milhares às ruas de Copenhague, na Dinamarca, na noite desta segunda-feira (16). Foto: APA primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt, durante ato na capital. Foto: APProtesto contra terrorismo levou milhares às ruas de Copenhague, na Dinamarca, na noite desta segunda-feira (16). Foto: APPoliciais investigam cena do crime que ocorreu em Copenhagen, Dinamarca. Polícia atingiu e matou suspeito de ter disparado ontem contra um evento sobre liberdade de expressão. Foto: APMovimentação de viaturas na rua que abriga a maior sinagoga de Copenhague, onde três foram baleados neste domingo (15). Foto: Steen A. Jørgenssen/ReproduçãoImagem mostra suspeito de ataque a café durante um ato por liberdade de experessão, neste sábado (14), em Copenhague. Foto: APPolicial armado corre perto da rua onde houve um ataque terrorista em um evento chamado "Arte, blasfêmia e e liberdade de expressão", em Copenhagen, na Dinamarca. Foto: APServiços de emergência se reúnem fora do local onde os tiros foram disparados. Foto: APMídia dinamarquesa informa que os disparos foram contra um café em Copenhagen, onde estava acontecendo o evento "Arte, blasfêmia e liberdade de expressão", organizado pelo artista sueco Lars Vilks, que tem enfrentado ameaças por fazer caricaturas do profeta Maomé, em 2007. Foto: APForças de segurança patrulham o local em que os disparos foram feitos, em Copenhagen. Foto: APEm foto de arquivo, de 3 de janeiro de 2013, o artista sueco Lars Vilks posa para uma fotografia em Nyhamnsläge, Suécia. Tiros foram disparados neste sábado, 14, em um café em Copenhague que estava sediando um evento sobre liberdade de expressão, organizado pelo artista. Ele tem recebido inúmeras ameaças por fazer caricaturas do profeta Maomé. Foto: AP



A polícia afirmou que imagens gravadas por câmeras de segurança embasam a suspeita de que o mesmo atirador foi o responsável pelos dois ataques. As autoridades do país dizem acreditar que não há mais suspeitos envolvidos.

O correspondente da BBC em Copenhague, Malcolm Brabant, disse que a cidade está em alerta após os ataques.

"Nós acreditamos que o mesmo suspeito está por trás dos dois incidentes, e também assumimos que ele foi morto pela força tarefa da polícia", disse o chefe de polícia Torben Molgaard Jensen.

Norrebro
O confronto entre o suspeito e as forças policiais ocorreu no distrito Norrebro, a cerca de cinco quilômetros da sinagoga atacada. O bairro é caracterizado por uma grande presença de imigrantes.

Após o primeiro ataque no café, a polícia lançou uma grande operação de buscas para capturar o suspeito.

Ele havia fugido do local em um carro preto, que foi logo abandonado.

As autoridades então divulgaram imagens de câmeras de segurança numa tentativa de identificar o atirador.

Enquanto isso ocorria ele realizou o segundo atentado, contra pessoas numa sinagoga. Horas depois o homem foi morto pela polícia.

A premiê da Dinamarca Helle Thorning-Schmidt descreveu o primeiro ataque como um ato de terrorismo "politicamente motivado".

Debate
Entre os participantes do debate onde ocorreu o primeiro ataque estava Lars Vilks, um polêmico cartunista sueco que já foi ameaçado de morte depois de fazer charges do profeta Maomé. Ele não foi ferido durante o ataque.

O embaixador francês, François Zimeray, também participava da reunião. Logo depois do incidente, foi postada uma mensagem no Twitter do embaixador informando que ele está vivo.

Testemunhas
Em uma gravação de áudio feita dentro do local do ataque e obtida pela BBC é possível ouvir muitos tiros interrompendo as discussões.

Niels Ivar Larsen testemunhou o ataque e disse à agência de notícias Associated Press: "ouvi alguém disparando com uma arma automática e alguém gritando".

"A polícia reagiu atirando e eu me escondi atrás do bar", acrescentou.

Segundo Brabant, a área em volta do local do debate foi isolada pela polícia.

Charlie Hebdo
O seminário foi descrito no site pessoal do cartunista Lars Vilks como um debate sobre se deveria existir limite para a expressão artística ou para a liberdade de expressão.

Leia mais: Desafio iG: cartunistas do "Charlie Hebdo" abusaram da liberdade de expressão?

A descrição do evento perguntava se artistas poderiam "ousar" e cometer blasfêmia depois de ataques como o ocorrido contra a revista satírica francesaCharlie Hebdo, que ocorreu no mês passado em Paris.

Dois atiradores invadiram o escritório da Charlie Hebdo e mataram 12 pessoas, incluindo dois policiais. Os irmãos Cherif e Said Kouachi, mortos pela polícia dois dias mais tarde, foram motivados pelas polêmicas charges do profeta Maomé feitas pela revista - quatro cartunistas também morreram.

Lars Vilks já sofreu ameaças e os organizadores do evento deste sábado informaram no site que haveria "segurança rigorosa", como de costume em todos os eventos em que ele se pronunciava em público.

Uma organizadora do seminário, Helle Merete Brix, disse à BBC que o local estava sendo vigiado por policiais armados e agentes de segurança do serviço secreto da Dinamarca, além dos seguranças do próprio cartunista.

Helle afirmou que considera o incidente como um ataque contra Vilks.

Em 2007 Vilks fez uma charge do profeta Maomé fantasiado de cachorro. Em 2010 dois irmãos tentaram incendiar a casa do cartunista, no sul da Suécia, e foram presos.

Em maio daquele mesmo ano ele foi atacado por manifestantes muçulmanos durante uma palestra sobre liberdade de expressão na Universidade de Uppsala, na Suécia.

E, em março de 2013, Vilks foi colocado na lista dos "mais procurados" pela Al-Qaeda da Península Árabe.

Charges mostrando o profeta Maomé foram publicadas por um jornal da Dinamarca em 2005, o que desencadeou protestos violentos em países muçulmanos.

*Com agências

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