Presidente da Ucrânia determina cessar-fogo

Por BBC | - Atualizada às

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Petro Poroshenko afirmou que este cessar-fogo pode ser a "última chance" para a paz

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O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, ordenou que os soldados do governo suspendessem os combates à meia-noite deste sábado (20h de Brasília), seguindo o acordo de cessar-fogo negociado com os rebeldes separatistas partidários da Rússia.

Em um pronunciamento, Poroshenko também disse que os rebeldes precisam parar com os ataques à cidade de Debaltseve, que estava em chamas e sofrendo com o bombardeio pesado das forças separatistas.

Segundo informações vindas do leste do país pelo menos parte dos confrontos cessaram depois da meia-noite.

Os rebeldes das regiões de Donetsk e Luhansk, no leste, também ordenaram que seus soldados cumprissem o cessar-fogo a partir da meia-noite, mas os combates continuaram perto de Debaltseve horas depois do início oficial do cessar-fogo.

O acordo foi fechado na quinta-feira em Minsk, em Belarus, por Poroshenko, pelo presidente russo, Vladimir Putin, o presidente francês, François Hollande e a chanceler alemã, Angela Merkel.

O governo da Ucrânia e os países ocidentais acusam a Rússia de enviar soldados e armas para ajudar os separatistas de Donetsk e Luhansk, algo que o governo russo nega.

'Última chance'

Em um pronunciamento em rede nacional de televisão, feito de um quartel militar em Kiev, Poroshenko pediu que o comandante do que a Ucrânia descreve como uma "operação contra o terror" cumprisse o cessar-fogo.

O presidente ucraniano afirmou que espera que "talvez esta última chance para que a paz não seja perdida".

Poroshenko afirmou que a Ucrânia sempre cumpriu suas obrigações internacionais e "vai provar este fato desta vez".

O acordo

Pelo tratado, os rebeldes têm que fazer sua retirada da frente de batalha a partir da linha de cessar-fogo definida em um acordo anterior, de setembro do ano passado.

Já as forças ucranianas têm que recuar a partir da linha de frente que controlam atualmente.

Isso quer dizer que o Exército ucraniano terá que aceitar se retirar do território pelo qual vinha lutando, frente ao avanço rebelde ocorrido nos últimos meses.

O presidente Petro Poroshenko afirmou que esse não foi o único ponto do acordo no qual suas exigências não foram totalmente atendidas.

Ele também havia requisitado um cessar-fogo imediato – mas o que ocorreu foi uma intensificação dos combates até a entrada em vigor da trégua, dois dias depois da assinatura do acordo.

Kiev também queria o compromisso de que todas as tropas estrangeiras fossem retiradas da região.

Isso está no texto do tratado, mas a correspondente diplomática da BBC, Bridget Kendall, levanta dúvidas se o presidente Vladimir Putin se comprometerá com esse ponto, uma vez que Moscou nega que suas forças ou armamentos estejam em território ucraniano. 

E embora esteja previsto que a Ucrânia retome o controle de suas fronteiras com a Rússia – uma exigência chave, para impedir a entrada de armamentos russos no país – isso não deve acontecer antes do fim de 2015 e sob certas condições.

Primeiro, uma nova Constituição ucraniana deve entrar em vigor. Ela terá que dar às regiões rebeldes o direito de formar suas próprias forças policiais, apontar seus juízes e realizar comércio internacional com a Rússia.

Mas apesar da imediata vantagem russa no acordo, se todas as etapas do tratado forem cumpridas ele pode ser favorável à Ucrânia a longo prazo, de acordo com Kendall.

Isso porque o documento pressupõe a soberania da Ucrânia – o que significa em último caso que todos os territórios rebeldes e fronteiras deverão voltar ao controle de Kiev em algum momento.

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