Projeto de ilha da prostituição causa polêmica em Roma

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Prefeitura da capital italiana decide 'oficializar' prostituição apenas em uma região da cidade; medida gerou críticas de setores mais conservadores da sociedade italiana

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A decisão da prefeitura de Roma de criar um distrito "oficial" para a prostituição na capital italiana está causando uma grande polêmica em todo o país. O projeto será o primeiro do tipo na Itália.

A administração municipal decidiu concentrar a prostituição de uma grande parte da cidade em uma área da zona sul da capital italiana em que a presença de meretrizes será oficialmente tolerada.

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Projeto de ilha da prostituição causa polêmica em Roma
Carolina Garcia/iG São Paulo
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A decisão do prefeito Ignazio Marino tem como objetivo evitar a presença de profissionais do sexo em bairros residenciais e no centro da cidade. A área escolhida é o bairro de Eur, ao sul do centro histórico da capital.

Esse distrito "oficial" para o comércio de sexo seria vigiado pela polícia e por assistentes sociais para evitar abusos. Quando ele entrar em vigor, provavelmente no próximo mês de abril, a polícia poderá multar prostitutas que estiverem presentes fora da zona demarcada em até 500 euros (cerca de R$ 1,5 mil).

O gabinete do prefeito reitera que a medida será tomada para evitar a prostituição descontrolada na cidade e poderá ter efeitos positivos para as próprias prostitutas, que teriam mais segurança. Se o projeto der certo, até três desses distritos poderão ser criados na cidade eterna.

A iniciativa é inspirada em projetos semelhantes já existentes em outras cidades europeias, como por exemplo os "red light districts" de Amsterdã, na Holanda, e Hamburgo, na Alemanha.

Polêmica

A decisão da prefeitura está causando uma grande polêmica em toda a Itália, já que o projeto seria o primeiro do tipo no país. As críticas vêm principalmente do setores mais conservadores da sociedade italiana. Há quem veja na criação das chamadas "zone di toleranza" (zonas de tolerância) uma tentativa de oficializar a prostituição, que é ilegal na Itália. "É um grande erro. Desse jeito, a escravidão das mulheres será legitimada", disse o monsenhor Enrico Feroci, diretor da organização católica de assistência social Caritas.

A Conferência Episcopal Italiana, órgão máximo da igreja católica no país, também condenou a idéia como sendo "hipócrita e de fundo ideológico". Segundo a organização, a medida não visa a melhora da situação das prostitutas, mas somente a "lavagem" das ruas de Roma. Os sindicatos italianos, por sua vez, apoiam fortemente a idéia. "Criar uma zona na cidade que garanta a segurança das mulheres e homens que trabalham ali é uma decisão justa", comentou Maria Gigliola Toniollo do sindicato Cgil.

Bilhões de euros

O governo estima que há 70 mil mulheres e homens que se prostituem na Itália. Cerca de 65% delas oferecem sexo nas ruas das cidades italianas e 35% em estabelecimentos, como bordéis. O "faturamento" do setor é estimado pelo instituto italiano de pesquisa Transcrime entre 2 e 5 bilhões de euros ao ano (R$ 6 bilhões e R$ 15 bilhões, respectivamente). Só em Roma, o total estimado de prostitutas que trabalham regularmente é de 2.500 nos meses de verão. No inverno esse número cai para cerca de 1.500.

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