Herdeiro do trono britânico visita a Jordânia e elogiou o país por acolher refugiados vindos da Síria

BBC

O príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, classificou como "alarmante” o ritmo com que os jovens estão se radicalizando, especialmente no Reino Unido. Segundo ele, a radicalização é uma das "maiores preocupações" da atualidade.

Príncipe Charles visitou a Jordânia e destacou trabalhos de fundação voltada a jovens
AP
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Em entrevista ao programa The Sunday Hour, da Radio 2 da BBC, Charles falou sobre sua esperança de "construir pontes" entre diferentes fés. Ele também expressou sua "profunda preocupação" pela destruição de igrejas cristãs no Oriente Médio.

Charles está atualmente na Jordânia em visita oficial de seis dias na região. O príncipe chegou à capital Amã na noite de sábado (7) e conversou com o rei Abdullah 2º na manhã deste domingo (8).

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Após uma visita a um campo de refugiados, o príncipe parabenizou os jordanianos pela "generosidade e hospitalidade" ao receber refugiados sírios no país.

Ele esteve no campo de Za’atri, próximo à fronteira da Jordânia com a Síria, e visitou um supermercado e uma instituição para crianças.

O campo serve de abrigo para 85 mil pessoas. No local, Charles falou com famílias e estudantes. Ele também encontrou ex-policiais britânicos que estão dando treinamento a colegas jordanianos sobre policiamento comunitário.

'Caminhos construtivos'

Sobre a radicalização dos jovens, Charles afirmou que essa é uma "das maiores preocupações, eu acho, e o grau com que isso está acontecendo é alarmante".

"E especialmente num país como o nosso onde você sabe quais valores nos são caros".

"Você acha que as pessoas que vieram para cá (Reino Unido), nasceram aqui, vão à escola aqui, absorveriam esses valores e pontos de vista".

"A parte assustadora é que as pessoas podem se radicalizar ora pelo contato com alguém ou por meio da Internet, e é extraordinária a quantidade de coisas malucas que estão na Internet".

Ele afirmou à BBC que acredita que parte da razão pela qual alguns jovens se radicalizam é "uma busca pela aventura e excitação em uma idade específica".

O príncipe também mencionou o trabalho de sua instituição de caridade, a The Prince's Trust, em combater a radicalização.

"O que eu venho tentando fazer durante todos esses anos com a Prince's Trust é buscar alternativas para adolescentes e jovens, caminhos construtivos para eles canalizarem seu entusiasmo, sua energia, a sensação de correr riscos, a aventura e a agressividade".

"Mas você tem de canalizar tudo isso em caminhos construtivos".

Charles também falou sobre os ataques recentes de extremistas islâmicos a igrejas cristãs no Oriente Médio.

"Eu também gostaria de mostrar minha solidariedade, minha profunda preocupação pelas várias igrejas cristãs no Oriente Médio".

'Príncipe ativista'

"O cristianismo foi fundado no Oriente Médio, e às vezes a gente se esquece disso. Do ponto de vista moral, espero que isso nunca seja esquecido. Queria poder fazer mais. Muitos de nós gostariam de fazer mais".

"Como um fiel de uma religião pode matar outro de uma religião diferente? Esse é o aspecto mais perturbador da nossa geração", disse.

Durante a entrevista, o príncipe também opinou sobre como comunidades diferentes podem viver juntas.

"Acredito que o segredo é que temos de trabalhar mais intensamente para construir pontes e temos de nos lembrar que nosso Deus nos ensinou a amar ao próximo, não fazer ao próximo o que você não gostaria que fizessem com você e ser perseverante, apesar de todos os contratempos".

Livro

As declarações de Charles ocorrem após a publicação de um livro que sugere que o príncipe pretende redefinir a monarquia britânica uma vez coroado rei.

A autora da obra, Catherine Mayer, afirmou que Charles tem "uma relação extraordinária com o Golfo".

"Em parte, isso se deve ao próprio fato de que ele é príncipe. Mas, em 1993, Charles fez um discurso sobre o Islã no qual ele falou que o islamismo não tem o monopólio do extremismo, mencionando, na ocasião, as cruzadas cristãs. Ou seja, é alguém que fala bem do Islã".

No entanto, o grupo antimonarquista Republic afirmou que as visões de Charles têm de ser submetidas a escrutínio público.

Para o líder do movimento, Graham Smith, "os parlamentares em particular têm de enfrentar a nova realidade de um príncipe ativista e devem ter liberdade para criticar abertamente o que Charles diz".

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