Familiares da refém americana que o grupo autodenominado Estado Islâmico ('EI') diz ter sido morta por um ataque aéreo jordaniano na Síria dizem ter "esperanças" de que ela ainda esteja viva

BBC

Kayla foi raptada ao fazer trabalhos humanitários em Aleppo, na Síria
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Kayla foi raptada ao fazer trabalhos humanitários em Aleppo, na Síria

Kayla Jean Mueller, de 26 anos, fazia trabalhos humanitários na Síria e foi raptada em Aleppo em 2013. Os pais dela quebraram o silêncio e pediram que o grupo faça contato com a família e trate Kalya como uma "visita".

"Esta notícia nos deixa preocupados, mas ainda temos esperança de Kayla esteja viva", disseram eles em comunicado.

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"Nós enviamos (ao 'EI') uma mensagem privada e pedimos que vocês nos respondam privadamente. Vocês nos disseram que vocês cuidavam de Kayla como uma visita, e como uma visita a segurança e o bem estar dela são responsabilidade de vocês", disse a família, citando conversas anteriores com o grupo.

Kayla é de Prescott, no Estado americano do Arizona. Ela viajou à fronteira entre a Turquia e a Síria em 2012, para trabalhar num grupo que atende refugiados, segundo sua família.

Em 4 de agosto de 2013 ela foi sequestrada ao deixar um hospital controlado pela organização Médicos Sem Fronteiras. Durante seu trabalho na Síria, ela visitou campos de refugiados.

Ela disse ter ouvido histórias de crianças sendo feridas por bombas que não explodiram, mulheres sendo forçadas a se casarem e crianças sendo enviadas a confrontos.

"Milhares de sírios estão morrendo e eles estão lutando apenas para falar sobre os direitos que temos", disse Mueller ao jornal The Daily Courier, do Arizona.

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Após formar-se em 2011, ela trabalou e viveu com grupos de ajuda humanitária na Índia, Israel e os Territórios Palestinos, disse a família. Antes, atuou como voluntária por três anos no grupo Salve Darfur.

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Autoridades da Casa Branca disseram não ter provas de que ela tenha sido morta. O 'Estado Islâmico' divulgou imagens de um edifício parcialmente destruído onde, segundo o grupo, ela teria morrido, mas sem fotos que comprovassem a morte da americana.

Segundo o 'EI', aviões jordanianos atingiram o prédio nos arredores da cidade síria de Raqqa, reduto do grupo. A Jordânia, que realizou ataques aéreos contra alvos do 'Estado Islâmico' na quinta-feira, rejeitou a afirmação, e disse ser propaganda.

A Jordânia prometeu intensificar sua participação na coalizão contra o grupo após um de seus pilotos, Moaz al-Kasasbeh, ter sido incendiado vivo dentro de uma gaiola em um vídeo postado na internet pelo 'EI'. Ele havia sido capturado em dezembro após a queda de seu jato F-16 na Síria.

Caso a morte de Kayla seja confirmada, será o quarto cidadão americano a morrer nas mãos do 'EI'. Os jornalistas James Foley e Steven Sotloff e o funcionário humanitário Peter Kassig foram decaptados pelo grupo, em vídeos que causaram choque em todo o mundo.

Segundo o correspondente da BBC em Washington Aleem Maqbool, muitos estão céticos à informação de que Kayla teria sido morta num ataque que não matou nenhum dos combatentes do 'EI', segundo o grupo.

"Dizer que a coalizão matou Kayla também poderia ser uma solução conveniente para o problema do 'Estado Islâmico' sobre o que fazer com uma refém mulher, alguém que eles não querem ser vistos sendo morta com a mesma bárbarie que eles usaram com os outros", disse Maqbool

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