Jovem do Estado que tinha câncer terminal se mudou para o Oregon - onde prática é permitida - para pôr fim à própria vida

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Deputada Joann Ginal (à direita) conforta viúva de homem que morreu de doença grave
David Zalubowski/AP - 6.2.15
Deputada Joann Ginal (à direita) conforta viúva de homem que morreu de doença grave

Parlamentares do Estado norte-americano do Colorado rejeitaram uma proposta para dar aos pacientes à beira da morte a opção de buscar apoio médico para terminar com suas próprias vida , pondo fim a um longo dia de testemunhos emocionados por parte de mais de 100 pessoas.

Para uma parlamentar que votou não, a questão é pessoal. Em lágrimas, a deputada democrata Dianne Primavera contou aos colegas ter sobrevivido a um câncer e lembrar-se de que um médico deu a ela cino anos de vida, no máximo. Um segundo lhe deu uma opinião diferente.

"E ele começou a me tratar e aqui estou eu agora, 28 anos depois", disse.

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Médicos que se opunham à medida disseram aos parlamentares que deixar os pacientes lhes pedir a administração de remédios para pôr fim à vida eliminava a possibilidade de uma recuperação, sendo que os prognósticos podem, algumas vezes, estar errados.

Um comitê da Câmara de Deputados que avaliou o projeto deu oito votos contra e cinco a favor após dúzias de pessoas com doenças graves e outras que viram seus pacientes sofrerem lotarem a audiência pública.

O voto ocorre num momento em que alguns outros estados, incluindo a California e a Pensilvânia, analisam leis para permitir que os doentes terminais obtenham medicação para colocar fim às suas vidas.

Cinco Estados norte-americanos permitem aos pacientes buscarem ajuda: Oregon, Washington, Montana, Vermont e Novo México.

"Essa lei representa uma liberdade muito pessoal que é retirada de algumas pessoas nos estágios finais de suas doenças", disse o deputado democrata Joan Ginal, um dos apoiadores do projeto. "Os médicos dão aos pacientes os melhores cuidados possíveis. Mas chega um momento em que o médico não pode mais curar."

Organizações religiosas se opuseram a medida, dizendo que ela facilitao suicídio. Mas apoiadores argumentaram que doentes terminais deveriam poder controlar quando vão morrer.

Jovem muda de Estado para poder morrer

Britanny: mudança para Oregon para morrer
Compassion and Choices/AP
Britanny: mudança para Oregon para morrer

A história de Brittany Maynard jogou luz no debate sobre se os médicos deveriam ou não prescrever medicamentos que põe fim à vida a pacientes. Britanny, de 29 anos, mudou-se da California para o Oregon depois de ser diagnosticada com um câncer cerebral terminal. Ela morreu em 1º de novembro.

O projeto do Colorado copiou o modelo do Oregon, e exigiria que dois médicos subscrevessem o pedido - oral ou por escrito - dos pacientes que desejassem morrer. Os pacientes também teriam de estar mentalmente hábeis e serem capazes de administrar o medicamento eles próprios.

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