Estado Islâmico: ONU denuncia drama de crianças vendidas como escravas sexuais

Por BBC | - Atualizada às

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Grupo também usaria crianças deficientes mentais como homens-bomba; entre as vítimas estão crianças da minoria yazidi ou de comunidades cristãs, além de xiitas e sunitas

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Meninas vendidas como escravas sexuais, jovens deficientes mentais atuando como homens-bomba e meninos crucificados ou enterrados vivos. Esses são alguns crimes supostamente cometidos contra menores de idade por militantes do autoproclamado Estado Islâmico e de outros grupos armados do Iraque – segundo um relatório do Comitê dos Direitos da Criança das Nações Unidas.

Grupos armados no Iraque usariam crianças com deficiência mental para realizar ataques a bomba
Getty Images
Grupos armados no Iraque usariam crianças com deficiência mental para realizar ataques a bomba

O comitê, cujos especialistas monitoram o cumprimento da Convenção dos Direitos da Criança por países signatários, avaliou na quarta-feira a situação dos menores no Iraque.

Além dos abusos do Estado Islâmico, os especialistas identificaram casos de violência cometidos em áreas do país controladas pelo governo. Entre eles, crianças usadas em postos de controle militar e meninas forçadas a se casar aos 11 anos de idade.

Deficientes

"No relatório, denunciamos o assassinato de menores por parte do Estado Islâmico, especialmente daqueles que pertencem a minorias étnicas ou religiosas", disse à BBC Mundo Kirsten Sandberg, presidente do comitê.

Entre as vítimas estão crianças da minoria yazidi ou de comunidades cristãs, mas também xiitas e sunitas.

Renate Winter, integrante da equipe internacional de 18 especialistas que formam o comitê da ONU, disse que há "informações sobre meninos, especialmente deficientes mentais, que foram usados em ataques suicidas a bomba, provavelmente sem entender o que estava acontecendo".

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As acusações sobre o uso de crianças deficientes se referem a grupos armados em geral, não especificamente ao Estado Islâmico.

Porém, este grupo é acusado de cometer assassinatos em massa contra jovens menores de idade. O relatório também fala de decapitações, crucificações e menores enterrados vivos.

O documento também diz que muitas crianças morreram ou ficaram feridas durante ataques aéreos ou enfrentamento com forças de segurança iraquianas. Outros teriam morrido de "desidratação, fome ou calor".

O comitê também afirmou que iraquianos menores de 18 anos são cada vez mais utilizados como fabricantes de bombas ou escudos humanos para proteger instalações contra ataques liderados pelos Estados Unidos.

Uma grande quantidade de menores seria recrutada pelos grupos armados. Winter afirmou que "um vídeo da internet mostra meninos de aproximadamente oito anos de idade ou ainda menores sendo treinados como crianças-soldado".

Sandberg afirmou à BBC Mundo que o relatório se baseia em informes de uma missão de ajuda da ONU no Iraque, "assim como em fontes civis que não podem ser reveladas por questão de segurança".

Escravos sexuais

Os especialistas da ONU também denunciaram casos de menores sequestrados e vendidos como escravos sexuais pelo Estado Islâmico.

As crianças de minorias étnicas e religiosas que foram capturadas "foram vendidas no mercado com etiquetas de preços, vendidas como escravos", disse Winter.

A especialista da ONU requisitou que o governo do Iraque faça todo o possível para resgatar crianças dos territórios controlados pelo Estado Islâmico. Mas nem todos os abusos que constam no relatório foram cometidos por esse grupo jihadista.

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O comitê denunciou casos graves de abusos em zonas controladas pelo governo, incluindo o encarceramento de menores em duras condições por acusações vinculadas a terrorismo. Os especialistas da ONU afirmaram que meninas são forçadas a se casar e criticaram especialmente uma lei que permite a estupradores que escapem da Justiça se concordarem em se casar com as vítimas.

O governo iraquiano havia ressaltado que a dita lei "é a única forma de proteger a vítima de represálias por parte de sua própria família" – argumento que não é aceito pela ONU.

Veja algumas das vítimas do Estado Islâmico:

Kayla Mueller, refém norte-americana do Estado Islâmico, morreu na terça-feira (10 de fevereiro); segundo o grupo terrorista ela teria sido vítima de um bombardeio da Jordânia na Síria . Foto: APEstado Islâmico divulga vídeo onde suposto piloto jordaniano é queimado vivo em gaiola, no dia 3 de fevereiro. Foto: Reprodução/TwitterO jornalista japonês Kenji Goto foi morto pelos extremistas do Estado Islâmico no dia 30 de janeiro. Ele havia viajado para a Síria visando libertar o refém Yukawa. Foto: APImagem obtida por meio de vídeo do Estado Islâmico mostra o japonês Haruna Yukawa (à dir.), que foi decapitado em 24 de janeiro. Ele foi à Síria por ser fascinado por guerras. Foto: APO americano Peter Kassig foi identificado como o homem decapitado pelo Estado Islâmico em 16 de novembro de 2014. Ele era voluntário na Síria. Foto: ReutersNo dia 3 e outubro de 2014, o voluntário inglês Alan Henning foi decapitado pelos terroristas do Estado Islâmico. Foto: Reprodução/YoutubeVídeo mostra decapitação do refém britânico David Haines, que era voluntário na Síria e foi morto em 13 de setembro de 2014. Foto: ReutersImagem feita a partir de vídeo postado na internet pelo Estado Islâmico mostra jornalista americano Steven J. Sotloff antes de ser decapitado, no dia 2 de setembro de 2014. Foto: APInsurgentes do grupo jihadista Estado Islâmico divulgaram a decapitação do jornalista americano James Foley em 19 de agosto de 2014. Foto: Reprodução/Youtube


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