Lei do Estado Islâmico autoriza casamento de meninas a partir dos 9 anos

Por BBC Brasil |

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Tratado escrito por brigada feminina responde 'dúvidas', desfaz 'mitos' e visa atrair mulheres para se unirem a grupo extremista

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Como é a vida de mulheres jihadistas sob o autodenominado "Estado Islâmico"? Um longo tratado foi publicado por mulheres que apoiam o Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria, e que se denominam Brigadas Khansaa.

Segundo o EI, mulheres estão aptas a casar a partir dos nove anos de idade
Getty Images
Segundo o EI, mulheres estão aptas a casar a partir dos nove anos de idade

Seu objetivo principal é atrair mulheres da Arábia Saudita e do Golfo Pérsico para o EI, respondendo questões comuns e desfazendo supostos mitos. Agora, o documento foi traduzido e publicado por uma organização contra-extremista sediada em Londres, a Quilliam.

"É considerado legítimo", diz o documento, "que uma menina se case aos nove anos de idade". "A maioria das meninas", acrescenta, "estará casada até os 16, 17 anos".

A partir deste momento, a mulher deve permanecer escondida da visão alheia, apoiando o califado por trás de portas fechadas.

Mulheres, diz o texto, não devem ser atrasadas. De fato, devem ser educadas, especialmente quanto a aspectos da religião islâmica, mas apenas entre as idades de sete e 15 anos, acrescenta o documento.

O modelo ocidental da mulher emancipada, que sai de casa para trabalhar, falhou, dizem as Brigadas Khansaa, com as mulheres "ganhando nada da ideia de igualdade com os homens a não ser espinhos".

Paraíso para imigrantes

O extenso documento foi publicado em 23 de janeiro, mas foi largamente ignorado pela mídia internacional. O tom difere das mensagens extremas - relatando episódios de violência - postadas em mídias sociais por mulheres ocidentais associadas ao EI.

O documento afirma que a função primária das mulheres é "sedentária", não a de guerrear. Elas devem apoiar os homens em casa e criar os filhos.

Boa parte do documento tem como objetivo reforçar a aparente normalidade da vida das mulheres em território controlado pelo EI.

"O estado não proíbe nada", diz o texto, imediatamente acrescentando que o EI não vem fazendo esforços para separar homens e mulheres nas escolas.

Raqqa, a capital de fato do "Estado Islâmico", é descrita como um "paraíso para imigrantes", onde famílias vivem sem sofrer de fome e frio.

"Para o inferno com o nacionalismo", conclama o documento, ao afirmar que em Raqqa tribos se juntam, e chechenos são amigos de sírios, e sauditas são vizinhos de cazaques.

'Mulheres perdidas'

Em contraste, afirma o documento, mulheres dos Estados do Golfo, notadamente da Arábia Saudita, enfrentam "selvageria e barbárie".

O texto cita mulheres que trabalham ao lado de homens no comércio, que mostram o rosto em documentos de identidade, que ganham bolsas para estudar no exterior, em "universidades da corrupção".

A TV saudita, que reúne alguns dos mais conservadores canais da região, é descrita como "uma televisão de prostituição e corrupção". Mulheres escritoras, por sua vez, são chamadas de "perdidas" pelas Brigadas Khansaa.

Professores estrangeiros são rotulados como espiões, espalhando suas "ideias ateístas venenosas e corruptas".

O texto não menciona, porém, crimes atribuídos ao EI, como a escravização em massa de civis de etnia yazidi, o tráfico de meninas menores de idade, as decapitações públicas e ainda o recente episódio de um homem supostamente gay que foi arremessado do sétimo andar de um prédio.

Há uma breve passagem mencionando os ataques aéreos em Raqqa e outras cidades dominadas pelo EI.

A mensagem principal é de que mulheres que vivem no Golfo Pérsico deveriam escapar de sua suposta vida de injustiças e migrar para a utopia do "Estado Islâmico".

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