"Não confio na política dos EUA e não troquei uma palavra com eles", contou ele em carta publicada pela imprensa cubana

O ex-presidente cubano Fidel Castro, de 88 anos, disse que "não confia nos Estados Unidos", mas que seu irmão e atual mandatário, Raúl Castro, deu "passos pertinentes" na relação entre os dois países.

Fidel Castro durante reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Havana, Cuba (julho/2014)
AP
Fidel Castro durante reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Havana, Cuba (julho/2014)

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"Não tenho confiança na política dos Estados Unidos e não troquei uma palavra com eles", contou Fidel, em uma carta publicada pela imprensa cubana quase um mês após Cuba e EUA anunciarem a retomada das relações bilaterais, rompidas há mais de 50 anos.

Mas Fidel reconheceu que Raúl tomou decisões "pertinentes", baseadas nas "prerrogativas e faculdades" concedidas a ele pelo Parlamento e pelo Partido Comunista de Cuba.

"Defenderemos sempre a cooperação e a amizade com todos os povos do mundo, entre eles os nossos adversários políticos", destacou Fidel no documento, que tinha como destinarária a Federação Estudantil Universitária de Cuba.

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"Qualquer solução pacífica e negociada entre os EUA e os povos da América Latina que não implica o uso da força deve ser tratada com os princípios e normativas internacionais", acrescentou Fidel, que renunciou ao cargo de presidente cubano em 2008.

Este foi o primeiro comentário público de Fidel, histórico opositor à política norte-americana, desde o anúncio da retomada das relações entre os dois países. No último dia 17 de dezembro, Raúl Castro e o presidente norte-americano, Barack Obama, anunciaram uma série de medidas para reaproximar os dois países, entre elas novas leis para viagens e remessas de dinheiro. O acordo foi mediado pelo papa Francisco .

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