Alexis Tsipras prometeu renegociar a dívida externa da Grécia e reverter as medidas de austeridade adotadas pelo país

BBC

Alexis Tsipras, do partido de esquerda radical grego Syriza
EPA / Reuters
Alexis Tsipras, do partido de esquerda radical grego Syriza

Pesquisas de boca de urna sugerem uma vitória histórica do partido de extrema esquerda Syriza nas eleições gregas deste domingo.

Segundo os levantamentos, o Syriza teria entre 36% e 38% dos votos e o Nova Democracia, partido do atual primeiro-ministro Antonis Samaras, entre 26% e 28%.

Não está claro se a extrema esquerda tem votos suficientes para governar o país sozinha ou se precisará fazer uma coalizão com outros grupos políticos.

Para ter maioria absoluta, o Syriza precisa conquistar 151 cadeiras no parlamento e, segundo as pesquisas de boca de urna, o partido deve ficar com algo entre 148 e 154 assentos.

+ Europa acompanha com apreensão o resultado da eleição

O terceiro lugar na votação é disputado pelo partido de extrema direita Aurora Dourada e o centrista O Rio.

Se confirmada a vitória do Syriza, esta será a primeira vez que um partido antiausteridade toma o poder na zona do euro. E analistas acreditam que, com isso, outros partidos de extrema esquerda europeus podem ganhar fôlego - como o Podemos, na Espanha.

O Syriza comemorou o resultado das pesquisas como "um retorno à dignidade e à justiça social".

"Está claro que temos uma vitória histórica, imbuída de uma mensagem que interessa não só ao povo grego, mas a todos os europeus", disse Panos Skourletis, porta-voz do partido, a emissoras de TV gregas.

O líder do Syriza, Alexis Tsipras, prometeu renegociar a dívida externa da Grécia, que atualmente corresponde a 175% do seu Produto Interno Bruto (PIB), e reverter as medidas de austeridade adotadas pelo país nos últimos anos.

Há alguns meses, já há analistas que especulam até sobre o possível abandono do euro pela Grécia.

Austeridade

As medidas de austeridade - que incluem cortes de gastos públicos e aumentos de impostos - foram adotadas pela Grécia como parte de uma série de acordos com a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, que têm emprestado dinheiro ao país.

Nos últimos anos, porém, a economia grega encolheu 25%, o desemprego chegou a 26% (sendo de 50% para os jovens) e milhares de gregos caíram para abaixo da linha da pobreza.

Segundo Samaras, o ajuste fiscal e monetário grego já estaria dando resultados - uma vez que a Grécia conseguiu sair da recessão e está fazendo um superávit orçamentário.

Já Tsipras diz que engolir essas medidas foi uma "humilhação" para o povo grego e os custos sociais e humanos da austeridade passaram do limite do aceitável.

O líder do Syriza é um político relativamente jovem (tem 40 anos) e bastante carismático.

Ele promete aumentar o salário mínimo, restaurar a eletricidade em locais em que ela foi cortada e ampliar a cobertura de saúde para quem não pode pagar.

Seus críticos, porém, duvidam que Tsipras poderá cumprir todas essas promessas, segundo o editor de Europa da BBC, Gavin Hewitt.

Também é provável que o Syriza tenha dificuldade para formar um governo de coalizão se não conseguir maioria absoluta nas urnas - já que seus integrantes têm dito que não pretendem se aproximar daqueles que veem com bons olhos políticas vindas da Europa.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.