Brasileiro preso ao tentar entrar na Siria é extraditado e acusado de terrorismo

Por BBC |

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Luan Ribeiro Guimarães, de 18 anos, preso na Bulgária acusado de envolvimento com terrorismo. A pena prevista é de 12 anos

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O brasileiro Kayke Luan Ribeiro Guimarães, de 18 anos, preso na Bulgária acusado de envolvimento com terrorismo, foi extraditado hoje à Espanha e já prestou o primeiro depoimento à justiça espanhola, informou o tribunal espanhol Audiencia Nacional à BBC Brasil. 

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Depois de ouvi-lo, o juiz Santiago Pedraz decretou a prisão incondicional de Kayke, sem direito a fiança, e irá julgá-lo por delito de integração em organização terrorista, com pena prevista de seis a 12 anos de cadeia. Ele será julgado por esse tribunal, que lida apenas com as acusações mais graves do país, como terrorismo, narcotráfico e crime organizado. 

O jovem foi preso no dia 15 de dezembro de 2014 na fronteira da Bulgária com a Turquia quando, ao lado de dois marroquinos, estaria a caminho da Síria para se alistar no grupo radical autodenominado "Estado Islâmico". 

Membros do Exército feminino treinam habilidades de combate antes de combaterem o Estado Islâmico em acampamento militar no Iraque (18/09). Foto: ReutersMilitar curdo lança morteiros em direção Zummar, controlada pelo Estado Islâmico, em Mosul, Iraque (15/09). Foto: ReutersMilitantes do Estado Islâmico levam soldados iraquianos capturados depois de assumir base em Tikrit, Iraque (junho/2014). Foto: APObama prometeu ofensiva com ataques aéreos na Síria e no Iraque para combater EI (12/09). Foto: ReutersMilitares curdos em tanque enfrentam militantes do Estado islâmico em Mosul, Iraque (7/09). Foto: ReutersMilitante curdo dá cobertura durante confrontos do Estado Islâmico na linha de frente da vila de Buyuk Yeniga, Iraque (4/09). Foto: ReutersMilicianos xiitas do Iraque disparam suas armas enquanto celebram a quebra de cerco do Estado Islâmico em Amerli (1/09). Foto: ReutersGrupo carrega caixão de militante xiita iraquiano da Organização Badr, que foi morto em confrontos com militantes do Estado Islâmico no Iraque (1/09). Foto: ReutersCriança chora em helicóptero militar após ser retirada pelas forças iraquianas de Amerli, ao norte de Bagdá (29/08). Foto: ReutersCurdos e militantes islâmicos lutam no norte do Iraque (12/08). Foto: ReutersIraquianos carregam retratos do primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki enquanto se reúnem em apoio a ele em Bagdá, Iraque (11/08). Foto: ReutersMilhares de iraquianos fugiram com avanço de militantes do EI, inclusive integrantes de minorias religiosas (9/08). Foto: APTropas curdas implantam segurança intensa contra os militantes islâmicos do Estado em Khazer (8/08). Foto: ReutersTropas curdas patrulham em um tanque durante operação contra militantes do Estado Islâmico em Makhmur, nos arredores da província de Nínive, Iraque (7/08). Foto: ReutersParentes choram a morte de homem da YPG, morto durante confrontos com combatentes do Estado Islâmico na cidade iraquiana de  Rabia, na fronteira do Iraque-Síria (6/08). Foto: ReutersVoluntários xiitas do Exército iraquiano se recuperam em hospital após serem feridos em confrontos com militantes do Estado Islâmico em Basra, sudeste de Bagdá (6/08). Foto: ReutersMulher visita túmulo de um parente em cemitério durante as celebrações do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, em Bagdá (28/07). Foto: ReutersSoldado iraquiano perto de corpo de um membro do Estado Islâmico que morreu durante confrontos com forças iraquianas em Tikrit, Iraque (19/07). Foto: ReutersBandeira preta usada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante flamula de delegacia danificada em Mosul, norte do Iraque (1/7). Foto: APVoluntário xiita do Conselho Supremo Islâmico Iraquiano aponta arma durante treinamento em Najaf, Iraque (26/6). Foto: ReutersMembros das forças de segurança iraquianas tomam suas posições durante reforço de segurança no oeste de Bagdá, Iraque (24/6). Foto: ReutersXiitas iraquianos se preparam para patrulhar a aldeia de Taza Khormato, na rica província petrolífera de Kirkuk, no Iraque (22/6). Foto: APCombatentes xiitas levantam suas armas e entoam palavras de ordem após autoridades pedirem ajuda para conter os insurgentes em Sadr, em Bagdá, Iraque (17/06). Foto: APManifestantes gritam em favor do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em frente do governo provincial de Mosul (16/4). Foto: APCombatentes tribais xiitas mostram suas armas enquanto tomam parte de Dujail, ao norte de Bagdá, Iraque (16/06). Foto: ReutersCombatentes tribais xiitas levantam suas armas e gritam palavras de ordem contra sunita Exército Islâmico em Basra, Iraque (16/6). Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL mirando contra soldados à paisana depois de tomar base in Tikrit, Iraque. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque
. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP


Fontes diplomáticas informaram à BBC Brasil que o Itamaraty foi avisado por telegrama no fim da tarde de quinta-feira que Kayke seria transferido na madrugada desta sexta-feira. 

Na Espanha, as autoridades se negaram a passar qualquer informação sobre a transferência do brasileiro "por motivos de segurança de Estado e segredo de julgamento", mas confirmaram a extradição e o depoimento no início da noite de sexta-feira. 

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Ainda segundo a Audiência Nacional, Kayke foi encaminhado para o Centro Penitenciário Madrid 5, em Soto del Real, onde esperará julgamento. 

Goiano nascido da cidade de Formosa, a 75 km de Brasília, ele vive há cerca de dez anos em Terrassa, subúrbio de Barcelona. Segundo os Mossos d’Esquadra, a polícia catalã, o jovem vinha sendo investigado desde junho por frequentar reuniões de grupos radicais islâmicos nos arredores da capital.

Fontes do Itamaraty informaram à BBC Brasil que Kayke negou ser um extremista e reafirmou que estava apenas indo à Turquia de férias. Mas, para a família, o jovem tinha dito que ia de férias para a ilha mediterrânea de Maiorca. 

Assustada, a família não quis falar com a BBC Brasil. 

Conversão ao Islã 

Kayke confirmou às autoridades diplomáticas brasileiras que tinha se convertido ao Islã, mas "apenas para se casar". Entretanto seu estado civil na Espanha consta como "solteiro". 

Ele ficou preso durante mais de um mês no Centro de Segurança de Haskovo, a quatro horas de Sófia, um presídio exclusivo para criminosos de alta periculosidade e envolvidos em casos relacionados à máfia e terrorismo. Durante o período, não pôde receber telefonemas — nem mesmo das autoridades brasileiras — e só podia realizar uma ligação a cada sete dias. 

No dia 18 de dezembro, ele recebeu uma visita consular e pediu produtos de higiene básicos e cobertores. A embaixada forneceu também uma "pequena quantidade de dinheiro" para que ele pudesse comprar fichas telefônicas e falar com a família, além de um remédio para asma, já que o rapaz estava sofrendo com fortes crises asmáticas pelo frio dentro da prisão. 

O governo brasileiro informou que não vai intervir nas investigações e apenas está prestando assistência consular. 

No ano passado, o caso do belga Brian De Mulder teve destaque no Brasil. Filho de uma brasileira, ele está na Síria desde janeiro de 2013 lutando com o grupo "Estado Islâmico".

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