Perícia nega vestígio de pólvora na mão de promotor argentino

Por Ansa | - Atualizada às

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Alberto Nisman, que investigava a presidente, foi encontrado morto; na cena do crime havia uma pistola calibre 22

A repentina morte do procurador federal argentino Alberto Nisman, que estava investigando a presidente Cristina Kirchner, gerou protestos em todo o país.

Alberto Nisman investigava o ataque terrorista dos anos 1990 havia dez anos; ele foi encontrado morto na Argentina
Reprodução/Facebook
Alberto Nisman investigava o ataque terrorista dos anos 1990 havia dez anos; ele foi encontrado morto na Argentina


Nas redes sociais, internautas argentinos convocaram marchas usando o lema "Todos Somos Nisman". Na segunda-feira (19), logo após a notícia da morte de Nisman, centenas de pessoas invadiram a Plaza de Mayo, em Buenos Aires, para protestar. Alguns manifestantes faziam barulho com panelas, enquanto outros empunhavam faixas de "Todos Somos Nisman", em alusão à frase "Je Suis Charlie", que ficou mundialmente famosa após o atentado contra o jornal francês Charlie Hebdo. Em outros locais da Argentina, como Cordoba, Rosario e Mar Del Plata, também houve protestos.

Leia também: Perícia inicial aponta suicídio do promotor argentino Alberto Nisman

Os manifestantes exigem justiça e explicações para a morte de Nisman, que foi encontrado com um tiro na cabeça dentro de seu apartamento, no bairro de Puerto Madero, em Buenos Aires. A residência estava trancada pelo lado de dentro. Nisman tinha acusado a presidente e o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, de "decidir, negociar e organizar um plano de impunidade, e acobertar os foragidos iranianos acusados" pelo atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), que em 1994 deixou 85 mortos.

De acordo com o magistrado, a manobra de Cristina Kirchner teve início cerca de dois anos antes da assinatura do Memorando de Entendimento com Teerã, em 2013, e contou a participação de outros políticos.

Ele morreu horas antes de apresentar um documento de 300 páginas com suas denúncias ao Congresso. Junto ao corpo do procurador, foi encontrada uma pistola calibre 22 que pertencia a Nisman. Nesta manhã, a também procuradora Viviana Fein informou que não foram encontrados vestígios de pólvora na mão de Nisman. "Este não é um resultado inesperado, mas isso não descarta que ele tenha disparado a arma", disse Fein, ao apresentar os resultados preliminares da perícia sobre suspeita de suicídio. Por sua vez, o chefe de gabinete da Presidência argentina, Jorge Capitanich, disse que as autoridades irão investigar se o procurador recebia ameaças e de onde elas partiam. "Se elas provinham de agentes da inteligência argentina atual, dos serviços secretos antigos ou de entidades estrangeiras", disse Capitanich nesta terça-feira (20).

Mas ele ressaltou que as acusações contra o governo argentino eram "incosistentes" e garantiu que a Casa Rosada "trabalhou para esclarecer os fatos" relacionados ao atentado. De acordo com Capitanich, talvez o procurador tivesse sido pressionado ou extorquido para apresentar a denúncia contra a presidente, pois interrompeu de maneira intempestiva uma viagem para a Europa com sua filha para que pudesse participar do processo. Já a presidente Cristina Kirchner se pronunciou hoje sobre o episódio, em um texto publicado nas redes sociais. De acordo com ela, a polêmica com o caso tem apenas o objetivo de "desviar, mentir, esconder e confundir" as pessoas sobre os verdadeiros responsáveis.

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