Perícia inicial aponta suicídio do promotor argentino Alberto Nisman

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Promotora à frente do caso, porém, diz que a causa da morte não foi concluída; Cristina Kirchner se pronuncia sobre o caso

Os primeiros resultados da autópsia realizada em Alberto Nisman, promotor argentino que denunciou a presidente Cristina Kirchner de acobertar os terroristas iranianos responsáveis por ataque terrorista de 1994 que deixou 85 mortos na sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), cometeu suicídio. As informações são do jornal El País.

Ontem: Promotor que investigava Cristina Kirchner na Argentina é encontrado morto

Alberto Nisman investigava o ataque terrorista dos anos 1990 havia dez anos; ele foi encontrado morto na Argentina
Reprodução/Facebook
Alberto Nisman investigava o ataque terrorista dos anos 1990 havia dez anos; ele foi encontrado morto na Argentina

Dia 15: Promotor acusa Cristina Kirchner de encobrir participação do Irã em atentado

Por meio de um comunicado, Viviana Fein, promotora que comanda a investigação, informou que os primeiros relatórios forenses recebidos indicam "na morte de Nisman não houve intervenção de terceiros". Ainda assim, ela aguarda a chegada de outras provas para descartar outra hipótese.

"Será investigado se houve algum tipo de indução ou instigação ao suicídio por meio de ameaças, seja através de telefonemas ou mensagens de texto", afirmou ela a um programa de rádio argentino.

"Poderíamos falar em suicídio, o corpo não foi agredido nem submetido a maus tratos, mas não descarto uma incitação", continuou, explicando que ainda falta o exame toxicológico.

Depois da morte de Nisman, Cristina autorizou a abertura do caso a fim de revelar a identidade dos quatro espiões que aparecem nas escutas do promotor contra a presidente. Ela autorizou ainda que seja divulgado "todo material, arquivo e informação de inteligência" vinculado à investigação do atentado.

Manifestações

Os argentinos voltaram às ruas para exigir que seja investigada a morte do procurador Alberto Nisman. Depois disso, a líder rompeu o silêncio sobre o caso em extensa carta reproduzida em rede social.

Ela denunciou a existência de uma história "muito sórdida" por trás da morte de Nisman, garantindo que seu governo fez tudo o possível para esclarecer o ataque. Horas antes da declaração, o governo argentino desclassificou o material dos serviços secretos que o procurador utilizou.

Líderes da oposição pediram investigação exaustiva e alertaram para a gravidade dos acontecimentos. O candidato a presidente, Sergio Massa, da Frente Renovadora, pediu a suspensão do acordo firmado com o Irã em janeiro de 2013 e que, segundo Nisman, incluía acobertar terroristas iranianos.

Após oito anos de investigações, Nisman denunciou a presidenta na quarta-feira (14), por considerar que o memorando de entendimento aprovado em janeiro de 2013 com o Irã incluía acobertar os  suspeitos dos atentados ao centro judaico, em troca de relações comerciais e petróleo, no momento em que a Argentina enfrenta uma crise energética.

Além das manifestações no meio político, o trabalho do procurador foi reconhecido nas ruas das principais cidades do país, onde milhares de pessoas se juntaram para exigir verdade e justiça.

Na capital, milhares de argentinos concentraram-se na Plaza de Mayo – com cartazes onde se liam frases como "Sou Nisman", "Justiça para Nisman" ou "Somos todos Nisman" – e na residência presidencial.

A concentração em Buenos Aires atingiu o ponto máximo quando vários manifestantes tentaram saltar as cercas da Casa Rosada, deixando quatro feridos por inalação de gás de pimenta.

*Com Agência Brasil

 

 

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