Número de deslocados bate recorde e registra aumento de 5,5 milhões em um ano

Por Amanda Campos - iG São Paulo |

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Atualmente, há cerca de 33,3 milhões de deslocados internos e ao menos 1,2 milhões de requerentes de asilo em todo mundo

As guerras civis do Oriente Médio e da África, entre outras regiões do mundo, deram origem a pelo menos 5,5 milhões novos deslocados internos – pessoas que migram para outras áreas de seu país de origem – no primeiro semestre de 2014, de acordo com o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados).

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Número de deslocados no mundo bateu recorde no primeiro semestre de 2014, diz Acnur
Reprodução/Youtube
Número de deslocados no mundo bateu recorde no primeiro semestre de 2014, diz Acnur

ONU: Número de refugiados é o maior desde a Segunda Guerra Mundial

"O aumento do número de deslocados é proporcional ao dos conflitos e das gravíssimas violações dos direitos humanos, tanto por grupos armados com suas diversas motivações ideológicas, quanto pelas forças estatais", explica ao iG Pietro Alarcón, especialista em ciências políticas e professor da faculdade de direito e relações internacionais da PUC-SP.

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Até o final de 2013, 51,2 milhões de pessoas foram obrigadas a se deslocarem como resultado de perseguição política, conflito, entre outros, apontou Alarcón. Atualmente, há cerca de 33,3 milhões de deslocados internos e ao menos 1,2 milhões de requerentes de asilo em todo o mundo, segundo o Acnur.

Somado às populações anteriormente deslocadas, atualizações de dados, retornos voluntários e reassentamentos, o número de pessoas assistidas pelo Acnur ultrapassou 46,3 milhões até a metade de 2014, cerca de 3,4 milhões a mais do que o final de 2013, segundo dados do Mid-Year Trends divulgados pela entidade no dia 7 de janeiro deste ano.

Para Alarcón, os deslocamentos são priorizados em relação ao refúgio principalmente porque nem sempre é fácil se chegar à fronteira em meio a uma guerra. Além disso, uma mudança geográfica interna também é prioridade para as famílias que preferem ficar unidas a fugir de seu país de origem.

"A migração forçada provoca a quebra da unidade familiar. O testemunho de vários migrantes forçados é de que muitos preferem modificar o lugar do assentamento do que ter uma família desgarrada", diz o professor. "Há um apego muito forte também às raízes e preservação da identidade cultural".

Refúgio

'O nome dela é Rasoul. Aos 75 anos, ela foi forçada a deixar sua casa por causa da violência sectária em Myanmar', explica fotógrafo. Foto: Phil Behan/ Acnur'O tio de Naima foi morto na Etiópia. Os pais fugiram para o Quênia como refugiados políticos e depois, mudaram para a Califórnia', diz fotógrafa. Foto: Evelyn Hockstein/ Acnur'Assafa me disse que queria ser professora, e que queria voltar para sua casa no Mali', diz Helena Caux sobre a menina de 6 anos da foto. Foto: H. Caux/ AcnurO fotojornalista Jason Tanner diz: 'passei quase 2 anos adiando a decisão sobre como tratar e fotografar o tema da violência sexual em conflitos.' . Foto:  J. Tanner/ AcnurAndrew McConnell fotografou a refugiada síria Saada, 102. 'Saada é uma mulher resiliente. Perdeu 7 de 10 filhos, marido e agora, o país'. Foto: A. McConnell/Acnur'Apesar de estar visivelmente marcada pela fome, ela (criança) se mantém graciosa', diz Frédéric Noy. Foto: Frédéric Noy/Acnur'Após quase 1 ano registrando refugiados sírios na Turquia, Líbano, Jordânia e Iraque, finalmente testemunhei alegria', diz fotógrafo. Foto: Lynsey Addario/Acnur'Eu me agachei na tenda improvisada de Fane, 70 anos, abrigada na República Centro-Africana. Ela falou e chorou', diz Sam Phelps. Foto: Sam Phelps/AcnurA menina disse a um fotógrafo tatuado que o campo de refugiados é tão sujo que ela queria pegar as borboletas de seus braços e guardá-las para não sujá-las. Foto: Sebastian Rich/AcnurO povo Rohingya, que vive no oeste de Myanmar, é considerado pela ONU uma das minorias mais perseguidas de todo o mundo. Na foto, John. Foto: Saiful Haq Omi /Acnur

O relatório mostra ainda que, pela primeira vez, os sírios se tornaram a maior população de deslocados, com 3 milhões de pessoas. O número ultrapassa o da população afegã, tida como a maior por 30 anos. 

"Geralmente, quando há casos de deslocamentos internos, o próprio Estado no qual o conflito acontece deve fornecer proteção a esses grupos. No caso onde o Estado é quem provoca essas alterações, ONGs e outras entidades fazem esse trabalho"

Apesar de ocupar agora o segundo lugar quando se fala em deslocados, os 2,9 milhões de refugiados afegãos constituem a maior população em situação prolongada de refúgio – aquela que existe há mais de cinco anos – sob os cuidados da entidade.

Depois de Síria e Afeganistão, os países onde saem os maiores números de refugiados são Somália, com 1,1 milhão de refugiados, Sudão, 670 mil, Sudão do Sul, 509 mil refugiados, República Democrática do Congo, com 493 mil, Mianmar, 480 mil, e Iraque, 426 mil.

Ao todo, o número de refugiados sob o mandato do Acnur chegou a 13 milhões na metade do ano passado, o maior número desde 1996, enquanto o número de deslocados internos protegidos ou assistidos pela agência atingiu novo recorde de 26 milhões.

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