Corredor da morte na Indonésia tem avó britânica entre prisioneiros

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Execução de brasileiro e outros presos estrangeiros atinge as esperanças dos mais de 100 prisioneiros no corredor da morte

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A execução do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira e de outros cinco prisioneiros no sábado na Indonésia causou consternação e protestos. Porém, outro efeito mais imediato foi atingir em cheio as esperanças dos mais de 100 prisioneiros que estão no "corredor da morte".

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Presa em 2012 ao tentar entrar com cinco quilos de cocaína da Indonésia, a britânica Lindsay Sandiford pode ser executada em 2015
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Presa em 2012 ao tentar entrar com cinco quilos de cocaína da Indonésia, a britânica Lindsay Sandiford pode ser executada em 2015


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Em especial os detentos vindos de países ocidentais, depois de Archer se tornar o primeiro caso de prisioneiro oriundo deste hemisfério a ser punido com a pena capital.

Há diversas nacionalidades representadas no contingente de prisioneiros à espera da execução na Indonésia, incluindo outro brasileiro, o paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, de 39 anos. E a lista é diversa ao ponto de incluir uma avó: a britânica Lindsay Sandiford.

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Tolerância zero

Aos 58 anos, ela está na prisão desde 2012, quando foi apanhada no aeroporto de Jakarta com quase 5kg de cocaína escondidos numa mala - a mercadoria estava avaliada em mais de R$ 6 milhões.

Sandiford alegou ter sido coagida a transportar a droga para a Indonésia depois de seus filhos sofrerem ameaças. Ela tem dois netos.

As autoridades indonésias, no entanto, não se sensibilizaram com os argumentos e a britânica foi condenada à morte em 2013.

Tal decisão causou polêmica porque Sandiford participou de uma espécie de delação premiada e colaborou com a polícia numa operação em que integrantes da gangue de traficantes com quem ela trabalhou foram presos.

Ainda não há data marcada para a execução da britânica, mas já se sabe que nas próximas semanas mais ocidentais serão executados, entre eles dois australianos acusados de tentar traficar heroína na Indonésia.

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Rodrigo Gularte foi condenado à morte em 2005 por chegar à Indonésia com seis quilos de cocaína. Foto: Reprodução/FacebookSegundo imprensa local, execução de Gularte deveria ocorrer ainda neste mês. Foto: AFPBrasileiro condenado a morte na Indonésia por tráfico de drogas foi executado no dia 17 de janeiro. Foto: Reprodução/YoutubeExecução foi feita mesmo após pedidos de cancelamento feitos pelo governo brasileiro. Foto: ReproduçãoMarco Archer Cardoso Moreira, 53, foi executado na madrugada de domingo (17) no horário indonésio – por volta das 15h no Brasil. Foto: Reprodução/FacebookMoreira era solteiro, não tinha filhos e seus pais haviam morrido; uma tia foi visitá-lo na Indonésia antes da execução. Foto: Reprodução/FacebookO brasileiro foi preso em 2003 ao entrar no aeroporto de Jacarta com 13,4 quilos de cocaína. Foto: Reprodução/InternetBalsa foi usada para transportar brasileiro para local da execução. Foto: AP

Integrantes de uma gangue apelidade de "Os nove de Bali", Myuran Suku­maran e Andrew Chan tentam que sua pena seja mudada para 30 anos de prisão, mas Sukumaran já teve seu pedido de clemência negado pelo presidente indonésio, Joko Widodo.

Eleito com uma plataforma de "tolerância zero" com o tráfico de drogas, Widodo anunciou em dezembro que não estava disposto a fazer concessões em casos judiciais envolvendo este crime. Uma decisão com respaldo popular no país.

Vício

A Indonésia é um arquipélago e, consequentemente, tem abundância de entradas para o tráfico. A região de Bali, um ponto popular para turistas e em que a demanda por drogas se intensifica. O governo indonésio estima que o país concentre 45% das drogas em circulação no Sudeste Asiático.

Segundo as estatísticas oficiais o número de casos de apreensões de susbtâncias proibidas aumentou consideravelmente nos últimos anos e há entre autoridades do país a crença de que a moratória nas execuções entre 2008 e 2013 serviu de incentivo para trangressões.

"Esperamos que as execuções sejam uma detente. Estamos meramente protegendo nosso país do perigo das drogas", disse neste domingo o Procurador-Geral do país, Muhammad Prasetyo.

Em 2009, o parlamento aprovou um pacote de leis que criminalizou o vício e determinou que mesmo a posse de pequenas quantidades de droga possa ser punida com penas de até nove anos de detenção.

No entanto, os esforços das autoridades esbarram em denúncias de esquemas de corrupção envolvendo a polícia e mesmo juízes. Em 2011, por exemplo, veio à tona uma elaborada rede de tráfico na prisão de Nusakambangan Island, a mesma em que Marco Archer foi executado, envolvendo diversos agentes penitenciários e mesmo o diretor do complexo.

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