Tia do brasileiro acompanhou procedimento com vice-cônsul da embaixada em Jacarta; não há data para ela voltar ao Brasil

Marco Archer Cardoso Moreira, 53, fuzilado na madrugada deste domingo  (18) na Indonésia, teve o corpo cremado quatro horas após sua morte. As informações são do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

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Marco Archer Cardoso Moreira, 53, foi executado na madrugada de domingo (17) no horário indonésio – por volta das 15h no Brasil
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Marco Archer Cardoso Moreira, 53, foi executado na madrugada de domingo (17) no horário indonésio – por volta das 15h no Brasil

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O brasileiro havia sido condenado à morte por tráfico de drogas em 2004, um ano após ter sido preso depois de tentar entrar na Indonésia com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta. Ele foi executado as 15h31 (horário de Brasília) de sábado por um pelotão de fuzilamento composto por 12 atiradores.

Constatada a morte, o corpo de Moreira passou por limpeza e depois, pela equipe de embalsamamento. Cerca de três horas após a morte, os restos mortais do  brasileiro foram reconhecidos pela vice-cônsul da embaixada do Brasil em Jacarta e conduzido ao crematório.

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Quem acompanhou o cortejo no país Maria de Lourdes Archer Pinto, tia do brasileiro. Na segunda (19), é ela quem deve voltar para a capital indonésia com as cinzas e certificado de óbito para depois marcar a data e retornar ao Brasil com os restos mortais do sobrinho. 

Respeito

Após afastar os apelos de clemência de líderes mundiais sobre a execução de estrangeiros por tráfico de drogas, a Indonésia pediu neste domingo respeito pelas suas leis e afirmou não irá comprometer sua abordagem ao combate dos narcóticos por causa das críticas.

"Podemos entender a reação do mundo e dos países cujos cidadãos foram executados. Mas cada um deve respeitar as leis que se aplicam em nosso país", disse o procurador-geral da Indonésia, Muhammad Prasetyo, ao jornal "The Jakarta Globe".

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Os corpos do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53, Namaona Denis, 48, de Malawi; Daniel Enemuo, 38, da Nigéria, do indonésio Rani Andriani e de um holandês foram levados para ilha por ambulâncias na manhã de domingo para serem enterrados ou cremados, conforme solicitação de familiares e representantes de suas embaixadas.

A Anistia Internacional disse que as primeiras execuções  sob a liderança do novo presidente, que tomou posse em novembro, foram "um passo para trás" para os direitos humanos.

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Já o procurador-geral indonésio afirma não haver desculpas para o tráfico de drogas e que "esperançosamente, isso terá um efeito dissuasor". Prasetyo explicou que o novo governo tem um firme compromisso com a luta contra a droga. Widodo informou que não irá conceder clemência a 64 presos por tráfico de drogas no corredor da morte.

"O que fazemos é apenas destinada a proteger a nossa nação do perigo das drogas", disse a jornalistas Prasetyo na quinta-feira. Ele explicou que dados da Agência Nacional Anti-Narcótico mostrou que há entre 40 e 50 mortes diárias por causa da circulação de drogas na Indonésia.

A Indonésia, um arquipélago de 250 milhões de habitantes, tem leis extremamente rigorosas sobre as drogas e muitas vezes executa contrabandistas. Mais de 138 presos estão no corredor da morte, a maioria por crimes de drogas. Cerca de um terço deles são estrangeiros.

O brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte permanece no corredor da morte na Indonésia, também condenado por tráfico de drogas.

*Com AP e agências

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