"França, fique longe da comédia", ataca apresentador após prisão de comediante

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Comediante que comanda o humorístico "Daily Show" disse ter ficado confuso com ação das autoridades francesas dias após manifestação em prol da liberdade de expressão no mundo

"Je suis confused". A frase, que substituí o "Charlie" do apoio à revista satírica "eu sou Charlie", foi proferida pelo apresentador do humorístico "Daily Show", Jon Stewart, na noite desta quinta-feira (15), quando soltou em sua página no Facebook a mensagem "França, fique longe da comédia". O motivo para sua indignação foi a prisão, por "apologia ao terrorismo", do comediante francês Dieudonné, ocorrida dias depois das gigantescas manifestações pela liberdade de expressão realizadas na França, no domingo (11).

je suis confused - jon stewart
Facebook/Reprodução
je suis confused - jon stewart

"Não me entendam mal: o post daquele cara foi desprezível, mas não é para isso que serve aquele botão de cancelar amizade na rede social?", questionou Stewart no post. "Prender alguém por dizer algo preconceituoso dias depois dos protestos focados justamente no direito de se expressar me parece um pouco estranho."

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O Ministério Público francês abriu um processo contra Dieudonné depois de ele ter divulgado a mensagem “esta noite, naquilo que me diz respeito, sinto-me Charlie Coulibaly”, sugerindo simpatia por um dos autores dos atentados que deixaram 17 mortos na França na semana passada. 

Em seu texto, Stewart, cujo programa é focado em piadas sobre política e atualidades, comparou o conceito do humor praticado nos EUA e na França. Programas norte-americanos, por exemplo, não raramente escracham a tudo e a todos. Entretanto, jornais como o New York Times se recusaram a publicar charges do "Charlie Hebdo" após o ataque terrorista que matou 12 pessoas na semana passada.

Veja fotos da marcha pela liberdade de expressão:

Milhões marcham em Paris contra o terrorismo e a favor da liberdade de expressão. Foto: EPA/Ian Langsdon/Agência Lusa/Direitos ReservadosA partir da esq: Benjamin Netanyahu (Israel), Ibrahim Boubacar Keita (Mali), Francois Hollande (presidente da França) e Angela Merkel (Alemanha), Donald Tusk (União Europeia) e Abbas (Autoridade Palestina). Foto: AP PhotoMulher cola a frase "Liberdade" na boca e desenha lápis para protestar contra o terrorismo. Foto: APCrianças também participam da marcha contra o terrorismo, neste domingo, em Paris. Foto: APPessoas portanto cartazes com dizeres "Eu sou Charlie" se reúnem na Place de la Nation, em Paris, na marcha contra o terrorismo que acontece neste domingo. Foto: APManifestantes carregam lápis como símbolo da liberdade de expressão. Foto: APLíderes mundiais caminham de braços dados em marcha contra o terror. Foto: AP PhotoPraça da República, em Paris, lotada de participantes da marcha contra o terror. Foto: Peter Dejong/APManifestantes lotam a Praça da República em Paris. Foto: Peter Dejong/APA multidão se reúne na Praça da República, em Paris. Foto: Peter Dejong/APMultidão reunida na Praça da República à espera do início da marcha contra o terrorismo, em Paris. Foto: Laurent Cipriani/APParticipante do protesto segura um lápis em alusão aos jornalistas mortos. Foto: Laurent Cipriani/APMulher segura poster onde se lê "Contra a estupidez que mata". Foto: Laurent Cipriani/APAgentes atentos e forte aparato policial para evitar incidentes na marcha contra o terrorismo. Foto: Francois Mori/APA rosa vermelha e o recado: Eu sou Charlie. Foto: APParticipantes da marcha contra o terrorismo acenam com bandeiras da França na Praça da República em Paris. Foto: Peter Dejong/APPoliciais franceses patrulham área da manifestação. Foto: Laurent Cipriani/APMesmo quem não foi à Praça da República deu um jeito de se manifestar. Na sacada, o cartaz e as roupas com as cores da bandeira francesa deram o recado. Foto: Francois Mori/APPremiê alemã Angela Merkel abraça presidente francês Francois Hollande. Foto: AP PhotoO primeiro ministro da Espanha, Mariano Rajoy, também compareceu à marcha. Foto: Thibault Camus/APFrançois Hollande recebe o primeiro ministro italiano Matteo Renzi. Foto: Thibault Camus/APO rei Abdullah e a rainha Rania, da Jordânia, são recebidos pelo presidente francês. Foto: Thibault Camus/APO primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu acena aos fotógrafos ao lado do presidente francês. Foto: Thibault Camus/APFrançois Hollande cumprimenta o líder da autoridade palestina Mahmoud Abbas em Paris. Foto: Thibault Camus/APFrançois Hollande recebe o ex primeiro ministro francês Lionel Jospin. Foto: Thibault Camus/APA presidente da Suíça Simonetta Sommaruga é recebida por François Hollande no Palácio do Eliseu. Foto: Thibault Camus/APCrianças e adultos se reúnem na Praça da República, onde esperam pelo início da marcha contra o terrorismo. Foto: Laurent Cipriani/APLíderes judaicos da França respondem às perguntas dos repórteres após terem se reunido com o presidente François Hollande no Palácio do Eliseu. Foto: David Azia / APO presidente francês François Hollande deixa o Palácio do Eliseu depois de se reunir com Joel Mergui, líder do Consistório Judaico da França. Foto: David Azia / APSacha Reingewirtz, líder dos estudantes judeus da França mostra um panfleto onde se lê “Eu sou Charlie, Eu sou um policial, Eu sou judeu, Nós somos a República”. . Foto: David Azia / APPessoas começam a se reunir na Praça da República, em Paris, para marcha que vai homenagear os 17 mortes nos ataques. Foto: AP PhotoFlores e faixas em escultura da praça da República homenageia mortos nos ataques em Paris. Foto: AP PhotoHomenagem na praça da República aos 17 mortos nos ataques a Paris. Foto: AP PhotoMinistros do Interior se reúnem antes do início da Marcha que deve reunir um milhão de pessoas em Paris. Foto: AP PhotoProcurador Geral dos EUA, Eric Holder (à esq.), é recebido por ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve. Foto: AP PhotoMinistro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, com ministra do Interior da Grã-Bretanha, Theresa May. Foto: AP PhotoMinistro do Interior da Espanha, Fernadez Jorge Diaz (à esq.), é recebido por ministro do interior da França, Bernard Cazeneuve. Foto: AP PhotoMinistro do Interior alemão, Thomas de Maizière, abraça ministro francês Bernard Cazeneuve. Foto: AP Photo

"Então, as autoridades francesas tiveram de cancelar a turnê do humorista por causa de suas piadas antissemitas. Isso não deveria acontecer apenas por que ninguém comprou seus ingressos para um show de comédia antissemita?", escreveu Stewart, apresentador de família judaica.

"Começo a achar que a comédia não é o negócio da França. Vocês ainda têm a pintura e o beijo e a comida que é dura do lado de fora mas macia por dentro. Vocês são os melhores nisso. Então se concentrem nisso. Fiquem com seus bries, suas baguetes, seus cremes broulez. Só fiquem longe da comédia."

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