Presidente da Itália deve apresentar renúncia nesta quarta-feira (14)

Por Ansa | - Atualizada às

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Esgotado devido à idade avançada e às exigências do posto, Giorgio Napolitano chefiou Estado em período de instabilidade

Após nove anos de mandato, o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, deve anunciar saída do cargo
Reprodução/Facebook
Após nove anos de mandato, o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, deve anunciar saída do cargo

O dia 14 de janeiro de 2015 pode entrar para a história na Itália. Após nove anos de mandato, o presidente do país, Giorgio Napolitano, deve deixar o posto nesta quarta-feira (14), como já era esperado há meses.

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O clima é de expectativa. A qualquer momento, o chefe de Estado pode assinar a carta de renúncia no Palácio do Quirinale, sede da Presidência, em Roma. Aos 89 anos de idade, Napolitano se tornará o quarto presidente da República Italiana a renunciar.

Esgotado devido à idade avançada e às exigências do posto, ele foi chefe de Estado durante um período de grande instabilidade no país, mas também essencial para solucionar diversas crises políticas. Foi Napolitano o fiador dos governos dos premiers Mario Monti, Enrico Letta e do atual Matteo Renzi, todos eles formados sem a aprovação das urnas.

2013: Parlamento da Itália fracassa em eleger novo presidente

Com a renúncia, o presidente do Senado, Pietro Grasso, assumirá interinamente a Presidência, algo não previsto na Constituição, mas admitido na prática institucional italiana.

A partir daí, a líder da Câmara dos Deputados, Laura Boldrini, terá até 15 dias para convocar uma sessão conjunta do Parlamento para iniciar o processo de sucessão de Napolitano Para se eleger, o novo presidente precisa obter ao menos dois terços dos votos do corpo eleitoral presente, que reúne 630 deputados, 315 senadores, quatro senadores vitalícios e 58 representantes regionais (três para cada região e um para o Vale d'Aosta).

O número total é de 1.007, mas pode variar caso alguém não compareça às sessões. Contudo, isso vale apenas para as três primeiras votações. A partir da quarta, a quantidade necessária passa a ser a maioria simples, ou seja, 504, ao invés de 671.

O problema é que, em 2013, esse mesmo Congresso foi incapaz de escolher um novo presidente após o fim do primeiro mandato de Napolitano. Dividido entre o centro-esquerdista Partido Democrático (PD) - de Matteo Renzi -, o conservador Forza Italia (FI) - de Silvio Berlusconi -, e o anti-políticos Movimento 5 Estrelas (M5S) - de Beppe Grillo -, o Parlamento não conseguiu chegar a um acordo em torno de um mesmo nome.
Por conta disso, um amplo movimento pediu a Napolitano que assumisse o cargo novamente, algo inédito na história da Itália.

Mas dessa vez não será possível recorrer a esse artifício. O recorde de demora para eleger um chefe de Estado foi registrado em 1971. Naquele ano, o Parlamento italiano precisou de 23 escrutínios e 25 dias para escolher Giovanni Leone.

Enquanto o novo presidente não é eleito, os trabalhos da Câmara e do Senado ficarão paralisados, o que pode ser especialmente grave em um momento em que o governo de Renzi tenta aprovar uma série de reformas.

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