Leis do maior país da África não proíbem o ateísmo, assim, Karim al-Banna acabou condenado por "insultar o islamismo"

Um estudante egípcio de 22 anos foi condenado a três anos de prisão após ter admitido em sua página no Facebook que é ateu. O caso, repercutido no site do tabloide britânico "Daily Mail" nesta segunda-feira (12), ocorreu na cidade de Idku, localizada no delta do Rio Nilo.

Veja fotos do Egito após a queda de Mohammed Morsi, em 2013:

Mais do que a prisão por não acreditar em Deus, algo permitido no maior país africano,  impresionou no caso a forma como se deu a condenação de Karim al-Banna, 22 anos. Isso porque, de acordo com o tabloide, o jovem só foi preso devido a denúncias de familiares e vizinhos, que teriam criado uma emboscada para prendê-lo em sua cidade.

Advogada da Associação para a Liberdade de Pensamento e Expressão do país, Fatma Serag afirma que Banna foi convidado pelos vizinhos para falar sobre seu post em um café local, onde a polícia já aguardava o jovem. Outro advogado, chamado Abdel
Nabi, disse que o pai de seu cliente testemunhou contra o próprio filho durante o julgamento, alegando que ele estava "abraçando ideias extremistas contra o islã".

Banna foi considerado culpado por insultar o islamismo. A pena é válida de acordo com as leis egípcias sempre que alguém é visto como difamador das três religiões legais no país – além do islã, o judaísmo e o cristianismo.

Sem novidades
Apesar de seu aspecto insólito, a condenação não é uma novidade no Egito. Em dezembro, o blogueiro Alber Saber, então com 27 anos, foi condenado a três anos de prisão por "blasfêmia". Em junho passado, um cristão recebeu pena de seis anos por
"insultar o islã".

A escritora Fatma Naoot está sendo atualmente julgada após criticar uma tradição islâmica que valida o sacrifício de ovelhas durante as festividades do Eid al-Adha (Festa do Sacrifício).

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