Marchas ao redor do mundo homenageiam vítimas de ataque terrorista em Paris

Por iG São Paulo e AP | - Atualizada às

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"O que nós estamos com medo é de termos menos liberdade em troca de mais segurança. Isso seria nos amordaçar", disse americano de origem francesa

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Franceses residentes no japão, suas famílias e japonses se reúnem em uma marcha silenciosa no Instituto Francês em Tóquio, em ato contra o terror. Foto: APCrianças palestinas seguram cartazes "Eu sou Charlie" em solidariedade aos franceses, denunciando terrorismo em uma marcha em Ramallah. Foto: APMulher usa estrela de Davi amarela, como os judeus eram obrigados na segunda guerra mundial e segura cartaz com os dizeres "Eu sou Charlie", durante marcha em Jerusalém. Foto: APMulher libanesa segura cartaz em marcha contra o terror em Beirute, Líbano. Foto: APManifestantes seguram canetas e lápis em memória das vítimas dos ataques terroristas na Franças, na Trafalgar Square, em Londres. Foto: APMulher da comunidade islâmica entrega uma coroa de flores ao embaixador francês em Madrid, Espanha. Foto: APManifestantes seguram bandeira francesa e cartaz "Eu sou Charlie" em Berlim, Alemanha. Foto: AP

Milhões de pessoas se reuniram em cidades ao redor do mundo neste domingo (11) para homenagear as 17 vítimas que morreram durante três dias de derramamento de sangue em Paris, na semana passada, e também defender a liberdade de expressão.

A maior marcha acontece em Paris, onde mais de um milhão, incluindo mais de 40 líderes mundiais, caminham no centro da cidade para uma marcha de união nacional, dias depois dos ataques contra a revista satírica Charlie Hebdo, contra policiais e uma mercearia kosher.

Saiba mais sobre as marchas em outras cidades do mundo:

Madri

Centenas de pessoas se reuniram em Madri para expressar revolta sobre os ataques que aconteceram em Paris e apoiar a liberdade de expressão.

Centenas de muçulmanos carregando faixas dizendo "Não em nosso nome" se reuniram na praça de Atocha, ao lado da estação de trem, onde em março de 2004 bombas explodiram em horário de pico dentro dos trens matando 191 pessoas, no pior ataque terrorista islâmico da Europa. Em frente à embaixada francesa em Madri, um pequeno grupo de líderes religiosos muçulmanos colocou uma coroa na cabeça com uma faixa dizendo: "Em solidariedade à França". O embaixador os recebeu.

Na praça Puerta del Sol, centenas de manifestantes, principalmente franceses, elaboraram desenhos e seguraram placas com os dizeres “Eu sou Charlie”.

Marchas contra o terror também foram realizadas em outras cidades espanholas, como Barcelona e Valencia.

Beirute

Cerca de 200 manifestantes se reuniram na capital libanesa para condenar os ataques na França. Eles carregavam cartazes que diziam "Não temos medo" e "Eu sou Ahmad," – referindo-se ao nome do policial muçulmano francês que foi morto pelos terroristas enquanto tentava defender a redação da revista satírica Charlie Hebdo.

A manifestação foi mais significante por causa da sua localização. Um espelho d’água foi construído em memória do escritor árabe Samir Kassir, que foi assassinado há 10 anos durante uma onda de terror que tinha como alvo políticos e escritores que viviam no Líbano e que eram críticos da Síria.

Ramallah

Cerca de 200 palestinos e estrangeiros realizaram uma marcha de solidariedade na cidade de Ramallah, Cisjordânia, neste domingo. Participantes carregavam bandeiras francesas e palestinas.

"Nós estamos falando em nome do povo palestino que sofreu durante tanto tempo com o terrorismo, e em nome dos valores que partilhamos com a França, valores de liberdade, igualdade, de salvar a civilização moderna contra criminosos que estão se espalhando por todo o mundo árabe e que atacaram o coração da França”, disse Yasser Abed Rabbo, autoridade palestina.

Jerusalém

Em Jerusalém, o prefeito Nir Barkat participou de uma cerimônia com a presença de centenas de pessoas, muitas delas imigrantes judeus franceses. Muitos participantes seguravam cartazes dizendo "Eu sou Charlie", ou "Israel é Charlie", escrito em hebraico.

Sydney

Centenas de pessoas se reuniram no centro de Sydney, na praça Martin Place, onde um integrante do Estado Islâmico manteve 18 pessoas como reféns em um café no mês passado. O impasse terminou 16 horas mais tarde, quando a polícia invadiu o café para libertar os reféns. Dois reféns e o atirador morreram.

Mais de 500 australianos e franceses ficaram lado a lado, segurando cartazes com as palavras "Eu sou Charlie" e "Liberdade", enquanto marchavam contra os ataques em Paris. "Temos que permanecer unidos",  disse o embaixador da França na Austrália, à multidão.

Tóquio

Centenas de pessoas, a maioria franceses residentes no Japão, se reuniram no Instituto Francês em Tóquio, fazendo um minuto de silêncio e cantando "La Marseillaise", hino nacional francês. Eles, então, seguraram cartazes com “Eu sou Charlie”.

O instituto, que funciona como uma escola de idiomas, estava funcionando normalmente durante a cerimônia. A bandeira francesa foi pairava sobre a varanda amarrada com uma fita preta.

"Eu vim aqui para dar apoio aos colegas artistas e acredito que devemos manter para que essas coisas não voltem a acontecer", disse Alexandre Kerbam, 43, francês que mora no Japão.

Nova Iorque

No sábado, centenas de pessoas de origem francesa enfrentaram temperaturas abaixo de zero e seguraram canetas no ar em uma marcha no Washington Square Park, onde uma dançarina de pole dance, vestida com roupas de couro, fazia uma performance provocativa para reflexão das caricaturas consideradas ofensivas da revista Charlie Hebdo. A dançarina fazia sua performance sobre um cartaz que dizia “Eu sou Charlie”.

Olivier Souchard, nova-iorquino de origem francesa, trouxe sua família e amigos e manifestou seu apoio pela liberdade de expressão, por causa das imagens do profeta Maomé na revista Charlie Hebdo.

"O que nós estamos com medo é de ter menos liberdade para termos mais segurança. Isso seria nos amordaçar", disse Souchard. Ele também contou que está mantendo contato com seu amigo Philippe Lancon, colunista da Charlie Hebdo, que está se recuperando de uma cirurgia por ter sido baleado no rosto no ataque.

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