Durante as passeatas, manifestantes foram vistos segurando cartazes com os dizeres "eu sou contra o racismo", "união" ou "je suis Charlie"; país permanecerá em alerta máximo

BBC

Cerca de 700 mil pessoas foram às ruas das principais cidades francesas em memória das vítimas dos ataques ocorridos em Paris nesta semana. Além da capital francesa, as homenagens também aconteceram em Orleans, Nice, Pau, Toulouse e Nantes. 

Dezessete pessoas, incluindo alguns dos principais cartunistas da França, morreram nos ataques. A polícia agora concentra as buscas nos cúmplices dos três homens armados responsáveis pelos atentados, mortos durante uma ação policial simultânea na sexta-feira. 

O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, afirmou que o país permanecerá em alerta máximo nas próximas semanas.  

Durante as passeatas, manifestantes foram vistos segurando cartazes com os dizeres "Eu sou contra o racismo", "união", ou "Je suis Charlie (Eu sou Charlie)", em referência ao atentado contra o semanário satírico Charlie Hebdo, alvo de um atentado na quarta-feira.

No ataque contra a revista, 12 pessoas – incluindo oito jornalistas e dois policiais – foram mortos e 11 ficaram feridos, quatro deles em estado grave. O crime teria sido cometido, segundo a polícia, pelos irmãos Chérif e Saïd Kouachi. 

Em outro desdobramento, Amedy Coulibaly manteve várias pessoas reféns em um supermercado de produtos judaicos no leste de Paris na sexta-feira. Quatro reféns morreram durante a ação policial. 

Coulibaly também estaria por trás do assassinato de uma policial no sul de Paris na quinta-feira.

'Medidas excepcionais'

Neste sábado, o governo francês aumentou a segurança em Paris, com 500 policiais a mais nas ruas, além do efetivo normal e da presença das Forças Armadas. Segundo Cazeneuve, "todas as medidas necessárias" estão sendo tomadas para proteger o país.

Ele também prometeu "medidas excepcionais" durante a grande marcha convocada para domingo, incluindo atiradores no telhado e um total de mais de 5,5 mil policiais e militares patrulhando as ruas.

Estarão presentes no evento o premiê britânico, David Cameron, a chanceler alemã, Angela Merkel, o premiê turco, Ahmet Davutoglu, o premiê espanhol, Mariano Rajoy, e o chanceler russo, Sergei Lavrov.

A passeata deve sair da Place de la République (Praça da República), no centro de Paris, às 15h. 

Famílias 'arrasadas'

Familiares das vítimas começaram pouco a pouco a falar sobre os ataques.

O irmão do policial Ahmed Merabet assassinado a sangre frio enquanto agonizava na calçada após troca de tiros com atiradores de elite que haviam invadido minutos antes a redação da revista Charlie Hebdo afirmou: "Ele foi morto por pessoas que fingiam ser muçulmanas. Elas são terroristas, só isso", afirmou Malek.

"Ahmed era muçulmano, e muito orgulhoso de ser policial e representar os valores da República", afirmou ele a jornalistas.

"Nossa família está arrasada por esse ato de barbárie, e divide a dor com as famílias de todas as vítimas".

Malek acrescentou que "racistas, islamofóbicos e antissemitas" não devem confundir extremistas com muçulmanos. 

A família afirmou estar "orgulhosa" das homenagens públicas às vítimas, acrescentando que as manifestações provam que a França pode voltar a ser um país unido.

Reféns mortos

A onda de violência que tomou a França começou na quarta-feira, quando os irmãos Chérif e Saïd Kouachi, ambos fortemente armados, atacaram a redação do semanário satírico Charlie Hebdo. 

Os irmãos fugiram, antes de serem cercados pela polícia em uma gráfica em Dammartin-en-Göele, 35 km ao norte de Paris, na sexta-feira. Eles acabaram mortos após trocar tiros com a polícia. 

Um refém havia sido libertado mais cedo e um segundo empregado, que estava se escondendo no refeitório, foi libertado pela polícia.

Também na sexta-feira, Amedy Coulibaly manteve vários reféns em um supermercado de produtos judaicos no leste de Paris. Ele ameaçou matar os reféns a menos que os irmãos Kouachi fossem soltos. 

A polícia invadiu o supermercado na noite de sexta-feira, matando Coulibaly e resgatando 15 reféns. Os policiais também encontraram os corpos de quatro reféns que teriam sido mortos antes do ataque.

As quatro vítimas foram identificadas como Yoav Hattab, Philippe Braham, Yohan Cohen, e Francois-Michel Saada. Os nomes foram divulgados pelo Conselho Representativo de Instituições Judaicas Francesas.

A polícia agora busca o paradeiro de Hayat Boumeddiene, companheira de Coulibaly.

Segundo fontes afirmaram à imprensa francesa, ela teria saído do país no momento dos ataques e não estava no supermercado, como havia sido noticiado inicialmente. Eles acreditam que ela tenha deixado a França em direção à Turquia, possivelmente com o objetivo de chegar à Síria.

Saïd Kouachi havia viajado para o Iêmen em 2011, enquanto ele e seu irmão estariam na lista negra de terrorismo tanto dos Estados Unidos quanto do Reino Unido.

Segundo os promotores franceses, Coulibaly conhecia um dos irmãos e suas respectivas mulheres teriam se falado ao telefone mais de 500 vezes.

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