Suspeitos de ataque terrorista a revista são mortos pela polícia

Por iG São Paulo * | - Atualizada às

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Irmãos Kouachi são apontados como responsáveis pela chacina que deixou 12 mortos no "Charlie Hebdo", na quarta

Os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi: franceses de origem argelina treinados pela Al-Qaeda
BBC Brasil
Os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi: franceses de origem argelina treinados pela Al-Qaeda

Oficiais de polícia anunciaram que os dois suspeitos do ataque à revista francesa "Charlie Hebdo" foram mortos por agentes nesta sexta-feira (9). A confirmação veio pouco depois de Thierry Chevalier, prefeito da comuna Dammartin-en-Goele, uma área arborizada localizada 80 quilômetros a nordeste de Paris, ter feito o mesmo anúncio.

Estrondos de explosões e tiros foram ouvidos nas proximidades da empresa gráfica onde os irmãos Kouachi, caçados pelas autoridades desde que passaram a ser suspeitos do ato terrorista de dois dias atrás, se refugiaram. Eles fizeram uma pessoa refém, que foi libertada pela polícia sem ferimentos.

Sob condição de anonimato por não ter autorização de falar sobre o assunto, um oficial da polícia afirmou que os suspeitos saíram do prédio atirando contra os agentes de segurança, que acabaram baleando-os. 

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Perto dali, Christophe Crepin, porta-voz da polícia, ainda afirmou que o atirador responsável pelo sequestro de reféns em um mercado judaico também morreu, praticamente simultaneamente, perto dali. 

Franceses de origem argelina, cuja história dos últimos duzentos anos é intrínsseca à da França – que colonizou a Argélia e impôs violência a seus cidadãos ao longo de décadas –, Said e Cherif Kouachi seriam militantes islâmicos há anos. Na quarta, os dois invadiram a redação da revista satírica "Charlie Hebdo" e mataram 12 pessoas, incluindo cartunistas, jornalistas e um policial. 

Veja fotos do ataque que deixou 12 mortos em Paris na quarta-feira:

Suspeitos de ataque terrorista a revista em Paris são mortos pela polícia (09/01). Foto: APSuspeitos de ataque terrorista a revista em Paris são mortos pela polícia (09/01). Foto: APSuspeitos de ataque terrorista a revista em Paris são mortos pela polícia (09/01). Foto: APSuspeitos de ataque terrorista a revista em Paris são mortos pela polícia (09/01). Foto: APAtirador que mantinha reféns em mercado judaico é morto pela polícia. (09/01). Foto: APAtirador que mantinha reféns em mercado judaico é morto pela polícia. (09/01). Foto: APAtirador que mantinha reféns em mercado judaico é morto pela polícia. (09/01). Foto: APAtirador que mantinha reféns em mercado judaico é morto pela polícia. (09/01). Foto: APAtirador que mantinha reféns em mercado judaico é morto pela polícia. (09/01). Foto: APAtirador que mantinha reféns em mercado judaico é morto pela polícia. (09/01). Foto: APPolícia persegue suspeitos de atentado, que já fizeram reféns em uma fábrica nesta sexta-feira. (09/01). Foto: APPolícia persegue suspeitos de atentado, que já fizeram reféns em uma fábrica nesta sexta-feira. (09/01). Foto: APPolícia persegue suspeitos de atentado, que já fizeram reféns em uma fábrica nesta sexta-feira. (09/01). Foto: APPolícia persegue suspeitos de atentado, que já fizeram reféns em uma fábrica nesta sexta-feira. (09/01). Foto: APPolícia intensifica buscas no norte da França para capturar suspeitos de ataque. Foto: APPolícia intensifica buscas no norte da França para capturar suspeitos de ataque. (08/01). Foto: APPolícia intensifica buscas no norte da França para capturar suspeitos de ataque. Foto: APPolícia intensifica buscas no norte da França para capturar suspeitos de ataque. (08/01). Foto: APPolícia intensifica buscas no norte da França para capturar suspeitos de ataque. (08/01). Foto: APFlores e mensagens de apoio são deixadas em frente à sede do jornal Charlie Hebdo, alvo de ataque que matou 12 pessoas na quarta-feira (8). Foto: AP Photo/Francois MoriA mensagem "Je suis Charlie" (Eu sou Charlie) foi escrita no letreiro sobre o prédio da editora Alex Springer em Berlim em homenagem às vitimas de ataque em Paris. Foto: AP Photo/Stephanie PilickEm Bruxelas, pessoas se reuniram em frente ao parlamento europeu para fazer um minuto de silêncio pelas vítimas. Foto: Divulgação/Parlamento EuropeuUcranianos deixam homenagems às vítimas do ataque à sede da revista Charlie Hebdo em frente à embaixada da França em Kiev nesta quinta-feira (8). Foto: AP Photo/Sergei ChuzavkovDebaixo de chuva, dezenas de pessoas fizeram um minuto de silêncio no Parlamento Europeu, em Bruxelas na manhã desta quinta (8). Foto: Divulgação/Parlamento EuropeuApós ataque, milhares vão às ruas por liberdade de expressão na França (07/01)
. Foto: APApós ataque, milhares vão às ruas por liberdade de expressão na França (07/01)
. Foto: APApós ataque, milhares vão às ruas por liberdade de expressão na França (07/01)
. Foto: APApós ataque, milhares vão às ruas por liberdade de expressão na França (07/01)
. Foto: APApós ataque, milhares vão às ruas por liberdade de expressão na França (07/01)
. Foto: APApós ataque, milhares vão às ruas por liberdade de expressão na França (07/01)
. Foto: APApós ataque, milhares vão às ruas por liberdade de expressão em Berlim (07/01). Foto: APApós ataque, milhares vão às ruas por liberdade de expressão na França (07/01)
. Foto: APAtaque deixa ao menos 12 mortos em sede de revista satírica em Paris (07/01). Foto: APDiversas equipes de resgatem se mobilizaram para socorrer as vítimas. (07/01). Foto: APEquipe de perícia trabalham para conseguir pistas dos terroristas. (07/01). Foto: APEquipe de perícia trabalham para conseguir pistas dos terroristas. (07/01). Foto: AP Equipe de perícia trabalham para conseguir pistas dos terroristas. (07/01). Foto: APReprodução do site da revista francesa Charlie Hebdo, atacada por terroristas nesta quarta-feira (7). Foto: ReproduçãoComoção em vários países motivou revista Charlie Hebdo a publicar em seu site protestos em diferentes idiomas. Foto: ReproduçãoDepois do ataque desta quarta-feira (7), site da revista francesa Charlie Hebdo trouxe protestos em diferentes idiomas. Foto: ReproduçãoAtaque a redação da revista francesa Charlie Hebdo matou ao menos 12 pessoas; site da publicação trouxe protestos em diferentes idiomas. Foto: ReproduçãoSite da revista Charlie Hebdo trouxe protestos em diferentes idiomas. Foto: ReproduçãoAtaque deixa ao menos 12 mortos em sede de revista satírica em Paris. Foto: APAtaque deixa ao menos 12 mortos em sede de revista satírica em Paris. Foto: APAtaque deixa ao menos 12 mortos em sede de revista satírica em Paris. Foto: APAtaque a sede de revista em Paris deixa ao menos 12 mortos. Veja imagens
. Foto: APPresidente da França, François Hollande, segue para local onde ocorreu o ataque terrorista em Paris (07/01). Foto: AP Ataque deixa ao menos 12 mortos em sede de revista satírica em Paris. (07/01). Foto: Reprodução/Twitter Ataque deixa ao menos 12 mortos em sede de revista satírica em Paris. (07/01). Foto: Reprodução/TwitterAtaque a sede de revista em Paris deixa ao menos 12 mortos. Veja imagens
. Foto: APAtaque a sede de revista em Paris deixa ao menos 12 mortos. Veja imagens
. Foto: APAtaque a sede de revista em Paris deixa ao menos 12 mortos. Veja imagens
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. Foto: APAtaque a sede de revista satírica em Paris deixa 12 mortos e, ao menos, 3 gravemente feridos (07/01). Foto: Reprodução/TwitterImagens dos supostos terroristas (07/01). Foto: Reprodução/TwitterAtaque a sede de revista satírica em Paris deixa 12 mortos e, ao menos, 3 gravemente feridos (07/01). Foto: Reprodução/TwitterAtaque a sede de revista satírica em Paris deixa 12 mortos e, ao menos, 3 gravemente feridos (07/01). Foto: Reprodução/TwitterO presidente François Hollande classificou o ataque como terrorista. Foto: Reprodução/TwitterAtaque a sede de revista satírica em Paris deixa 12 mortos e, ao menos, 3 gravemente feridos (07/01). Foto: Reprodução/TwitterAtaque a sede de revista satírica em Paris deixa 12 mortos e, ao menos, 3 gravemente feridos (07/01). Foto: Reprodução/TwitterAtaque a sede de revista satírica em Paris deixa 12 mortos e, ao menos, 3 gravemente feridos (07/01). Foto: Reprodução/TwitterSede da revista Charlie Hebdo é atacada em Paris, França (07/01). Foto: Reprodução/Twitter

Perseguição com fim
De acordo com os jornais franceses "Le Monde" e "Le Parisien", o cerco aos suspeitos apertou na manhã desta sexta-feira. Viaturas da polícia francesa os perseguiram em alta velocidade em vias da região sul dos departamentos de Oise e Seine-et-Marne.

Cercados, os irmãos buscaram abrigo em uma gráfica e fizeram um refém. A polícia os cercou com o reforço de viaturas e de cinco helicópteros que sobrevoaram a área ao longo de toda a ação, findada apenas quando os suspeitos deixaram o prédio atirando. 

Al-Qaeda
O jornal norte-americano New York Times revelou, na quinta-feira (8), que Said Kouachi, 34 anos, um dos dois irmãos suspeitos do ataque do meio da semana, ao Iêmem em 2011 para treinar em uma filial do grupo terrorista Al-Qaeda, autor dos ataques de 11 de Setembro.  

De acordo com a publicação, o francês de origem argelina passou "alguns meses" participando de treinamentos de combate, pontaria e outras habilidades, informação que as autoridades francesas e americanas já conheciam.

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Said estava entre muitos outros jovens muçulmanos do Ocidente que foram ao Iêmem inspirados por Anwar al-Awlaki, um clérigo radical nascido nos Estados Unidos que em 2011 tornou-se uma das figuras mais importantes da Al-Qaeda na Península Arábica. Antes de ser morto em um ataque de drone americano, em setembro de 2011, Awlaki pediu repetidamente pela morte de cartunistas que insultam o profeta Maomé.

Assim como seu irmão mais novo, Chérif, 32 anos, Said estava sob a mira das autoridades na França e dos Estados Unidos há anos e, de acordo com um funcionário da inteligência americana, ambos estavam no banco de dados americano de terroristas conhecidos ou suspeitos e foram proibidos de viajar para ao país. 

Chérif Kouachi chamou a atenção das autoridades francesas como um possível terrorista há dez anos. Ele foi preso na França, em 2005, quando se preparava para ir à Síria, a primeira etapa de uma viagem que tinha como destino o Iraque. 

Ainda não há, no entanto, nenhuma indicação de que os homens mascaradaos que invadiram a sede da revista em Paris estavam agindo sob as ordens do grupo ou faziam parte de uma célula militante maior na França. Testemunhas disseram que, no momento dos ataques, a dupla declarava lealdade ao grupo.

"Diga à mídia que é Al-Qaeda no Iêmen," os homens gritavam, referindo-se à organização terrorista também conhecido como Al-Qaeda na Península Árabe.

O ramo iemenita da Al-Qaeda já havia declarado interesse em alvejar o jornal. A edição de 2013 da revista de propaganda em inglês do grupo, "Inspire", coloca o editor do "Charlie Hebdo", Stéphane Charbonnier, como alvo ao lado de outros proeminentes jornalistas, escritores e figuras públicas. "Procurado vivo ou morto por crimes contra o Islã", a revista dizia.

Embora conhecidos das autoridades francesas, os irmãos Kouachi parecem ter vivido estilos de vida discretos em torno de Paris. Filhos de pais imigrantes da Argélia, Chérif e Said foram criados em um orfanato em Rennes, no Oeste da França. Chérif trabalhou como instrutor de fitness antes de se mudar para Paris, onde viveu com seu irmão na casa de um convertido ao Islã.

* Com AP, Le Monde, Le Parisien e New York Times

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