A partir de relatos, jornal francês recompôs ação de atiradores que mataram 12 pessoas na redação do jornal Charlie Hebdo

Na mira de um fuzil, a cartunista Corinne Rey, conhecida como Coco, foi obrigada pelos atiradores a abrir a porta blindada que dava acesso à redação da revista Charlie Hebdo, segundo o jornal Le Monde.

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Com base em testemunhos de sobreviventes e pessoas que passaram pelo local na hora do ataque que matou 12 pessoas e deixou 11 feridos em Paris, o jornal francês publicou nesta quinta-feira (8) um detalhado relato da ação.

Cartunista foi obrigada a abrir porta para atiradores
Repordução / Le Monde
Cartunista foi obrigada a abrir porta para atiradores

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O ataque aconteceu às 11h30, cerca de uma hora após o início da reunião de pauta semanal da Charlie Hebdo.

Segundo testemunhas, os dois homens fortemente armados e com coletes à prova de bala não sabiam exatamente onde ficava a sede da revista e chegaram a invadir o prédio errado, vizinho à redação.

Ao encontrarem o edifício correto, cruzaram o hall de entrada e perguntaram a dois auxiliares de limpeza qual era o andar da revista. Na sequência, renderam a desenhista Coco e a fizeram abrir a porta blindada do segundo andar, que levava à redação.

Assim que invadiram a sala de reunião, perguntaram por Charb, cartunista e diretor do semanário, que foi o primeiro a ser assassinado.

"Eles atiraram em Wolinski, Cabu... isso durou cinco minutos. Eu me escondi debaixo de uma mesa", contou Coco ao L'Humanité.

"Matamos o Charlie Hebdo"

Foram mortos na ação dos atiradores sete redatores e cartunistas: Cabu, Charb, Tignous, Wolinski, Bernard Maris, Honoré e Elsa Cayat. Também o redator Mustapha Ourrad, de origem argelina.

Além deles, o policial Franck Brinsolaro, que fazia a segurança de Charb desde uma ameaça a sua vida em 2011, Michel Renaud, convidado a participar da reunião, e o policial Ahmed Merabet, assassinado no boulevard Richard-Lenoir, quando eram pegos por um comparsa que estava de carro.

Segundo testemunhas, após o ataque os terroristas disseram ter vingado o profeta Maomé e "Matamos o Charlie Hebdo."

Os atiradores fugiram em um Citroen C3, que foi abandonado ao norte de Paris, onde roubaram um Clio prata.


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