Júri começa a ser selecionado para o caso dos ataques na Maratona de Boston

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Dzhokhar Tsarnaev, de 21 anos, pode ser condenado à morte pelos ataques que deixaram três mortos e 260 feridos em 2013

A seleção do júri para o julgamento de Dzhokhar Tsarnaev, acusado pelos ataques à Maratona de Boston, começa nesta segunda-feira (5).

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Foto de arquivo mostra Dzhokhar Tsarnaev, suspeito pelos atentados em Boston, EUA (19/04/2013)
AP
Foto de arquivo mostra Dzhokhar Tsarnaev, suspeito pelos atentados em Boston, EUA (19/04/2013)

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Os escolhidos decidirão se ele foi o responsável por planejar e executar o atentado com bombas que matou três e feriu outros 260 perto da linha de chegada da corrida em 15 de abril de 2013. Se eles o considerarem culpado, vão decidir se o acusado deve ou não ser condenado à morte.

Talvez esse seja o caso propenso a sentença de morte mais falado desde Timothy McVeigh, condenado e executado em 1995 após ataques com bomba em Oklahoma City. Os advogados de Tsarnaev tentaram em vão durante meses mover o julgamento para outra região, alegando que o júri em Boston poderia ter ligação com parentes das vítimas. Eles traçaram paralelos com o caso de McVeigh, que foi movido por razões semelhantes à época. A seleção do júri deve durar várias semanas por causa da extensa cobertura da mídia. O processo também pode ser retardado, se os jurados forem contra a pena de morte.

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Alguns observadores legais dizem que os advogados de Tsarnaev enfrentam uma poderosa evidência contra ele, então suas energias devem ser concentradas em minimizar a penalidade e poupar sua vida.

Os promotores dizem que Dzhokhar, 21, e seu irmão, Tamerlan Tsarnaev, ambos de etnia chechena que viviam há uma década nos EUA, fizeram os atentados em retaliação às ações dos EUA em países muçulmanos. Eles também são acusados de matar um policial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Tamerlan, 26, morreu após um tiroteio com a polícia vários dias após os atentados.

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Dzhokhar foi capturado mais tarde naquele mesmo dia. Ele estava ferido e sangrando e foi encontrado escondido dentro de um barco guardado em um quintal. Os promotores descreveram terem encontrado uma nota escrita no barco dizendo "Nós, muçulmanos, somos um só corpo, se você fere um, fere todos" e "O governo dos EUA está matando nossos civis inocentes".

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Olivia Savarino, centro, abraça Christelle Pierre-Louis, à esq., enquanto Callie Benjamin olha para a linha de chegada durante cerimônia na Boylston Street, EUA. Foto: APSobrevivente da explosão de 2013 Erika Brannock, uma professora de Baltimore, e sua mãe, Carol Downing, à dir., participam das homenagens em Boston, EUA. Foto: APDignitários, sobreviventes e socorristas descem a Boylston Street durante cerimônia que marca aniversário de 1 ano dos atentados de Boston, Massachusetts. Foto: ReutersSobreviventes da Maratona Erika Brannock se preparam para cruzar a linha de chegada após cerimônia em homenagem às vítimas dos atentados em Boston, EUA. Foto: APMultidão homenageia vítimas dos atentados de Boston, que aconteceram há 1 ano, nos EUA. Foto: ReutersFamiliares, sobreviventes e amigos homenageiam vítimas da Maratona de Boston de 2013, nos EUA. Foto: APPoliciais prestam continência enquanto bandeira dos EUA é hasteada próxima a linha de chegada em cerimônia que marca 1 dos atentados em Boston, EUA. Foto: APParentes dos mortos na Maratona de Boston caminham em cerimônia que homenageia as vítimas, nos EUA. Foto: APHomem chora ao assistir cerimônia em tributo a vítimas do ataque de Boston. Foto: ReutersHomem coloca homenagem aos três mortos na maratona e a policial morto dias depois pelos irmãos Tsarnaev em Boston. Foto: ReutersRosas são vistas em poste de luz no primeiro aniversário do ataque de Boston. Foto: ReutersParentes dos mortos na Maratona de Boston caminham com governador de Massachusetts, Deval Patrick (E), e prefeito de Boston, Martin Walsh (D). Foto: APPessoas fotografam cartaz onde se lê 'Boston é Forte'. Foto: APPessoas assistem à cerimônia em tributo às vítimas do ataque à Maratona de Boston, que aconteceu há um ano. Foto: APPolicial patrulha área perto de linha de chegada da Maratona de Boston. Foto: AP

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Os advogados de Tsarnaev devem indicar algum tipo de explicação de saúde mental do cliente pelo crime, disse Christopher Dearborn, professor de Direito da Universidade de Suffolk. Isso poderia incluir qualquer perseguição que sua família pode ter sofrido como as minorias étnicas no Quirguistão, onde os irmãos passaram a maior parte de suas vidas antes de se mudarem para os EUA com seus pais e duas irmãs.

"Acho que o valor real dessa ação é gerar até mesmo um pouco de empatia e humanizar o garoto o suficiente para salvar sua vida", disse Dearborn.

A defesa deverá argumentar que Dzhokhar teve uma infância difícil e foi fortemente influenciado por seu irmão mais velho, cujas autoridades acreditam ter se radicalizado nos últimos anos de sua vida durante uma viagem de seis meses para o Daguestão e Chechênia em 2012.

Alice LoCicero, um especialista em terrorismo e psicólogo Cambridge que escreveu o livro, "Why 'Good Kids' Turn Into Deadly Terrorists: Deconstructing the Accused Boston Marathon Bombers and Others Like Them ", diz acreditar que Tsarnaev pode ter sido suscetível à influência de seu irmão.

Pelo menos um dos três amigos de faculdade condenado por mentir ou dificultar a investigação deve testemunhar contra o acusado. Um amigo adicional se declarou culpado por possuir a arma usada para matar um policial e também deve depor.

Heather Abbott, que perdeu parte de sua perna esquerda nos atentados, é uma das várias vítimas que pretendem participar de ao menos parte do julgamento. Ela diz esperar entender o motivo do atentado.

"Não vejo isso como algo que vai me ajudar a superar o horror daquele dia", disse ela. "É algo que eu sempre vou conviver".

*Com AP

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