Últimos meses ficaram marcados pelo crescimento de grupos terroristas em países instáveis como Iraque, Síria e Nigéria

Estado Islâmico, Boko Haram, Al-Shabab. 2014 ficará definitivamente para a história como o ano em que grupos terroristas antes vistos como pequenas frentes de rebeldes ganharam força inesperada e passaram a ser uma dor de cabeça a suas nações de origem, vizinhos e aos países ocidentais, antes mais focados nos já conhecidos Al-Qaeda, Talebã e grupos separatistas – como os da Chechênia, na Rússia, e na Caxemira, disputada por Índia e Paquistão há mais de seis décadas.

Relembre os piores e mais marcantes atos terroristas de 2014:

Além das ameaças, decapitações, sequestros e assassinatos de milhares de vítimas que conseguiram realizar ao longo dos últimos 12 meses, esses grupos se provaram amplamente mais poderosos do que analistas e autoridades imaginavam. No Iraque e na Síria cada vez mais instáveis por guerras civis, rebeldes caçaram rivais xiitas e minorias locais, como os curdos, e anunciaram a fundação de um califado que batizaram de Estado Islâmico. Tornou-se o movimento terrorista mais temido desde 2001, quando se instalou uma onda de pânico devido à destruição do World Trade Center, marco de Nova York.

Leia mais:
Veja as maiores recompensas oferecidas pela captura de terroristas e políticos

O anúncio da fundação de um califado voltou a ocorrer meses depois, em agosto, desta vez na Nigéria, com o também impiedoso Boko Haram, aquele responsável pelo sequestro de 276 meninas adolescentes em abril e que, sozinho, foi responsável por alguns dos mais massacrantes ataques do ano. É também o que objetiva fazer o Al-Shabab no Quênia, outra nação africana abandonada por décadas de ditaduras corruptas e ferrenhas e ausência de unidade nacional, que a cada dia veem grupos criminosos ganharem mais força em seus territórios.

Mesmo grupos terroristas tradicionais como a Al-Qaeda, responsável pelos ataques do 11 de Setembro nos EUA, têm avaliado ações dessa nova leva do terror mundial como excessivamente radicais. Apesar disso, o grupo manteve realizando ataques brutais ao longo do ano. Bem como o Talebam, seu parceiro no Afeganistão/Paquistão, responsável pela morte de 145 pessoas, em sua maioria crianças, ao atacar uma escola militar no Noroeste paquistanês, no dia 16 de dezembro, um dos mais lamentáveis atos terroristas de 2014.

Além do perigo que levam para dentro de seus próprios Estados, tais grupos também têm mostrado grande poder em atrair adeptos espalhados pelo mundo. Calcula-se em milhares o número de europeus e norte-americanos que viajaram à Síria e ao Iraque para lutar ao lado do Estado Islâmico, o mais popular entre eles. Também parece crescer o número de simpatizantes que, mesmo distastes de suas bases, procuram agir sozinhos no lugar onde vivem em nomes de seus ideais. São os chamados "lobos solitários", os mais temidos por autoridades por serem completamente imprevisíveis ao agirem sozinhos, sem contatos com nenhum grupo específico.

Leia também:
Premiê do Reino Unido anuncia medidas para conter possíveis ataques terroristas
Supostos ataques terroristas assustam franceses
Saiba quais são as maiores organizações terroristas em atividade no mundo

Foram os responsáveis pelo que ocorreu, por exemplo, em outubro, em Ottawa, capital do Canadá, quando um homem convertido ao islã matou duas pessoas, incluindo um militar, e invadiu o Parlamento do país antes de ser morto pelas autoridades. Ou, ainda mais recentemente, no início de dezembro, em Sydney, Austrália, quando um iraniano entrou em um café, manteve 17 pessoas reféns e acabou matando duas pessoas e deixando outras quatro feridas.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.