O fortalecimento dos rebeldes: relembre os piores ataques terroristas de 2014

Por iG São Paulo |

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Últimos meses ficaram marcados pelo crescimento de grupos terroristas em países instáveis como Iraque, Síria e Nigéria

Estado Islâmico, Boko Haram, Al-Shabab. 2014 ficará definitivamente para a história como o ano em que grupos terroristas antes vistos como pequenas frentes de rebeldes ganharam força inesperada e passaram a ser uma dor de cabeça a suas nações de origem, vizinhos e aos países ocidentais, antes mais focados nos já conhecidos Al-Qaeda, Talebã e grupos separatistas – como os da Chechênia, na Rússia, e na Caxemira, disputada por Índia e Paquistão há mais de seis décadas.

Relembre os piores e mais marcantes atos terroristas de 2014:

16 de dezembro - Rebeldes do Talebã invadiram escola no Paquistão e, com tiros de fuzis, rifles e bombas, mataram 145 pessoas, em sua maioria crianças. Ao menos 114 ficaram feridas. Foto: APAtaque em colégio do Paquistão matou ao menos 100 crianças
. Foto: AP/BBC22 de dezembro - Ao menos 27 pessoas morreram e outras 60 ficaram feridas quando uma bomba explodiu em uma estação rodoviária de Gombe, na Nigéria. Foto: AP15 de dezembro - Iraniano fez 17 reféns, entre eles uma brasileira, em um café em Sydney, Austrália. Três pessoas morreram, incluindo o terrorista, e quatro ficaram feridas. Foto: AP09 de dezembro - Militantes do grupo Lutadores pela Liberdade Islâmica de Bagsamoro explodiram um ônibus em Maramag, nas Filipinas. Foram 11 pessoas mortas e 43 feridas. Foto: Keith Kristoffer Bacongco04 de dezembro - Militantes armados do grupo separatista Emirado do Cáucaso atacaram um posto da polícia na região da Chechênia e mataram ao menos 26 pessoas, ferindo outras 36. Foto: AFP25 de novembro - Duas mulheres-bomba detonaram explosivos em Maiduguri, na Nigéria, matando cerca de 78 pessoas . Foto: AP23 de novembro - Boko Haram sequestra grupo de pescadores, cortando a garganta de alguns e atirando os outros no Lago Chad, em Baga, na Nigéria. Ao menos 48 pessoas morreram. Foto: AP23 de novembro - Homem-bomba se explodiu durante partida de vôlei disputada em Yahyakhel, no Afeganistão, matando 61 pessoas. O ataque foi assumido pela Rede de Haqqani. Foto: AP10 de novembro - Em ataque do Boko Haram, um homem-bomba se explodiu dentro de uma escola e matou ao menos 47 estudantes na cidade de Potiskum, na Nigéria. Foto: AP03 de novembro - Homens mascarados armados mataram cinco pessoas e deixaram uma ferida em Al-Ahsa, na Arábia Saudita. Um dos suspeitos foi morto. Foto: Thinkstock02 de novembro - Durante popular desfile na cidade paquistanesa de Lahore, próxima à fronteira com a Índia, homem-bomba se explodiu, matou 45 pessoas e feriu 55. Foto: STRINGER/REUTERS/Newscom02 de novembro - Em ataque assumido pelo grupo Estado Islâmico, uma série de carros-bomba foi detonada na capital iraquiana, Bagdá, deixando 28 mortos e 67 feridos. Foto: Reuters01º de novembro - Homem-bomba do Taleban detonou veículo em frente a um posto policial no Afeganistão. Dez pessoas morreram, incluindo o terrorista, seis policiais e três soldados. Foto: REUTERS/Mohammad IsmailTaliban atacou complexo humanitário em Cabul, capital do Afeganistão, que hospeda agentes humanitários estrangeiros  . Foto: REUTERS/Mohammad Ismail08 de agosto - 14 pessoas ficaram feridas em uma explosão de bomba no metrô de Santiago. No dia seguinte, outro ataque no Chile, desta vez em um mercado em Viña del Mar. Foto: Reuters22 de outubro - Homem matou duas pessoas, inclusive um militar, na capital do Canadá, antes de ser morto pelas autoridades; caso semelhante ocorreu em Quebec um dia antes. Foto: Reuters22 de outubro - Palestino atropelou de propositalmente grupo que aguardava transporte em um ponto. Três pessoas morreram, incluindo uma criança de três meses, e sete ficaram feridas. Foto: ReutersMilitante do grupo xiita Houthi Shiite exibe arma automática em Sanaa, capital iemenita. Foto: Reuters05 de outubro - Jovem do grupo Emirado do Cáucaso detonou bomba acoplada ao corpo no momento em que era revistado por agentes na Rússia. Seis morreram e 12 ficaram feridos. Foto: Reprodução/Youtube20 de junho - Caminhão-bomba foi detonado no vilarejo de Horrah, na Síria, deixando ao menos 34 mortos e 50 feridos. A autoria foi reivindicada pelo grupo Frente Islâmica. Foto: AP15 de junho - Armados, rebeldes do grupo islâmico Al-Shabaab renderam passageiros na cidade de Mpeketoni, no Quênia, e posteriormente mataram ao menos 48 pessoas. Foto: AP Photo08 de junho - Ao menos dez militantes do Talebam invadiram o principal aeroporto do Paquistão, em Karachi, e deixaram ao menos 29 pessoas mortas por meio de tiros e bombas. Foto: AP30 de maio - Rebeldes do grupo islâmico Séléka invadiram uma igreja católica na cidade de Bangui, na República Centro-Africana, e mataram 30 pessoas, incluindo um padre. Foto: AP24 de maio - Integrantes da Al-Qaeda invadiram prédios do governo na cidade de Seiyun, no Iêmen, matando 27 pessoas. Foto: AP24 de maio - O rebelde islâmico Mehdi Nemmouche entrou no Museu Judaico de Bruxelas, na Bélgica, e matou a tiros quatro pessoas. Foto: AP22 de maio - Depois de invadirem com dois veículos uma loja em Urumqi, na China, terroristas atiraram explosivos contra o local, matando ao menos 31 pessoas e ferindo 90. Foto: AP20 de maio - Bombas foram detonadas quase simultaneamente em Jos, na Nigéria, matando 118 e ferindo outros 56: uma em um mercado e a outra nas proximidades de um hospital. Foto: AP1º a 3 de maio - Grupo separatista indiano Frente Nacional Democrática de Bodoland abriu fogo contra casas de três vilarejos vizinhos. Ao menos 35 pessoas morreram. Foto: AP18 de abril - Rebeldes armados aliados ao presidente do Sudão, Salva Kiir Mayardit, invadiram uma unidade da ONU no Sudão do Sul e mataram 58 pessoas. Foto: AP14 de abril - Integrantes do Boko Haram são suspeitos de detonar duas bombas em uma estação de ônibus em Abuja, na Nigéria; 71 pessoas morreram e 124 ficaram feridas. Foto: AP14 de abril - Integrantes do grupo radical islâmico Boko Haram sequestraram 276 jovens estudantes de uma escola em Chibok, na Nigéria. Todas as vítimas eram mulheres. Foto: AP9 de março – Micro-ônibus foi detonado no sudeste iraquiano, destruindo 50 veículos e matando 45 pessoas e ferindo 157. O principal suspeito do ataque é a Al-Qaeda. Foto: AP1º de março - Armados com facas, integrantes de um grupo terrorista separatista invadiram a maior estação de metrô da cidade de Kunming, na China, mataram 28 pessoas e feriram 113 . Foto: Reuters27 de fevereiro - Três bombas foram detonadas simultaneamente em Bagdá, deixando 31 mortos e 70 feridos. No maior dos ataques, uma bomba explodiu em frente a um mercado . Foto: AP25 de fevereiro - Militantes islâmicos invadiram dormitórios de estudantes em Buni Yadi, na Nigéria, com tiros e bombas. A ação do Boko Haram resultou na morte de 59 pessoas. Foto: AFP15 de fevereiro - Militantes rebeldes invadiram um vilarejo em Izghe, na Nigéria, e mataram 106 pessoas (sendo 105 homens). O Boko Haram é o principal suspeito do ataque. Foto: Reuters14 de fevereiro - Ao menos 32 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas quando um carro-bomba explodiu na frente de uma mesquita no vilarejo de Yadouda, na Síria. Foto: AP05 de fevereiro - No mesmo dia, três ataques com carros-bomba e um de homem-bomba deixaram 32 mortos em Bagdá. Ao menos 35 ficaram feridos. Nenhum grupo assumiu o ato. Foto: AP1º de fevereiro - Dois carros-bomba explodiram nas proximidades da capital síria, Aleppo, matando 25 pessoas. Nenhum grupo terrorista assumiu a autoria do atentado. Foto: AP26 de janeiro - Terroristas do grupo Boko Haram invadiram o vilarejo de Kawuri, no nordeste da Nigéria, e assassinaram 85 pessoas. Foto: AP15 de janeiro - Seis carros-bomba foram detonados na cidade de Bagdá, matando um total de 40 pessoas. Aproximadamente 88 ficaram feridas. Foto: AP

Além das ameaças, decapitações, sequestros e assassinatos de milhares de vítimas que conseguiram realizar ao longo dos últimos 12 meses, esses grupos se provaram amplamente mais poderosos do que analistas e autoridades imaginavam. No Iraque e na Síria cada vez mais instáveis por guerras civis, rebeldes caçaram rivais xiitas e minorias locais, como os curdos, e anunciaram a fundação de um califado que batizaram de Estado Islâmico. Tornou-se o movimento terrorista mais temido desde 2001, quando se instalou uma onda de pânico devido à destruição do World Trade Center, marco de Nova York.

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O anúncio da fundação de um califado voltou a ocorrer meses depois, em agosto, desta vez na Nigéria, com o também impiedoso Boko Haram, aquele responsável pelo sequestro de 276 meninas adolescentes em abril e que, sozinho, foi responsável por alguns dos mais massacrantes ataques do ano. É também o que objetiva fazer o Al-Shabab no Quênia, outra nação africana abandonada por décadas de ditaduras corruptas e ferrenhas e ausência de unidade nacional, que a cada dia veem grupos criminosos ganharem mais força em seus territórios.

Mesmo grupos terroristas tradicionais como a Al-Qaeda, responsável pelos ataques do 11 de Setembro nos EUA, têm avaliado ações dessa nova leva do terror mundial como excessivamente radicais. Apesar disso, o grupo manteve realizando ataques brutais ao longo do ano. Bem como o Talebam, seu parceiro no Afeganistão/Paquistão, responsável pela morte de 145 pessoas, em sua maioria crianças, ao atacar uma escola militar no Noroeste paquistanês, no dia 16 de dezembro, um dos mais lamentáveis atos terroristas de 2014.

Além do perigo que levam para dentro de seus próprios Estados, tais grupos também têm mostrado grande poder em atrair adeptos espalhados pelo mundo. Calcula-se em milhares o número de europeus e norte-americanos que viajaram à Síria e ao Iraque para lutar ao lado do Estado Islâmico, o mais popular entre eles. Também parece crescer o número de simpatizantes que, mesmo distastes de suas bases, procuram agir sozinhos no lugar onde vivem em nomes de seus ideais. São os chamados "lobos solitários", os mais temidos por autoridades por serem completamente imprevisíveis ao agirem sozinhos, sem contatos com nenhum grupo específico.

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Foram os responsáveis pelo que ocorreu, por exemplo, em outubro, em Ottawa, capital do Canadá, quando um homem convertido ao islã matou duas pessoas, incluindo um militar, e invadiu o Parlamento do país antes de ser morto pelas autoridades. Ou, ainda mais recentemente, no início de dezembro, em Sydney, Austrália, quando um iraniano entrou em um café, manteve 17 pessoas reféns e acabou matando duas pessoas e deixando outras quatro feridas.

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