Nudez do Femen ganha força com crise na Ucrânia; veja fotos de atos de 2014

Por iG São Paulo |

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Grupo feminista precisou mudar sua base para Paris com o recrudescimento da guerra civil no leste de seu país de origem

Fundado na Ucrânia pela jovem Anna Hutsol, em 2008, o Femen chamou a atenção do mundo desde seu primeiro protesto, quase uma década atrás. Subitamente, a necessidade de se juntar muita gente em uma só localidade fazendo barulho e carregando bandeiras pareceu ter sumido. A partir de então, bastavam passou a bastar um corpo disposto a receber tinta e a coragem para ir aos locais específicos onde conseguiriam gerar indignação – e, consequentemente, atenção.

Veja em 75 fotos os principais atos do Femen em 2014:

21 de Março - Militantes protestaram no evento Semana do Islã, realizado na cidade alemã de Berlim, contra a Sharia, o código moral do islamismo praticado em alguns países e regiões mais fundamentalistas. Foto: Femen/Divulgação21 de Março - Militantes protestaram no evento Semana do Islã, realizado na cidade alemã de Berlim, contra a Sharia, o código moral do islamismo praticado em alguns países e regiões mais fundamentalistas. Foto: Femen/Divulgação21 de Março - Militantes protestaram no evento Semana do Islã, realizado na cidade alemã de Berlim, contra a Sharia, o código moral do islamismo praticado em alguns países e regiões mais fundamentalistas. Foto: Femen/Divulgação24 de Agosto - No Dia da Independência da Ucrânia, militantes fizeram atos solitários ao redor da Europa, sempre com críticas severas a Vladimir Putin. Foto: Femen/Divulgação24 de Agosto - No Dia da Independência da Ucrânia, militantes fizeram atos solitários ao redor da Europa, sempre com críticas severas a Vladimir Putin. Foto: Femen/Divulgação24 de Agosto - No Dia da Independência da Ucrânia, militantes fizeram atos solitários ao redor da Europa, sempre com críticas severas a Vladimir Putin. Foto: Femen/Divulgação24 de Agosto - No Dia da Independência da Ucrânia, militantes fizeram atos solitários ao redor da Europa, sempre com críticas severas a Vladimir Putin. Foto: Femen/Divulgação03 de Julho - Militantes protestaram contra turismo sexual e exploração de mulheres durante a inauguração de um bordel em Saarbrücken, Alemanha. Foto: Femen/Divulgação03 de Julho - Militantes protestaram contra turismo sexual e exploração de mulheres durante a inauguração de um bordel em Saarbrücken, Alemanha. Foto: Femen/Divulgação28 de Janeiro - Militantes protestam contra o que chamam de totalitarismo de Vladimir Putin em Bruxelas, na Bélgica. Foto: Femen/Divulgação28 de Janeiro - Militantes protestam contra o que chamam de totalitarismo de Vladimir Putin em Bruxelas, na Bélgica. Foto: Femen/Divulgação03 de Março - Protesto contra Vladimir Putin em frente ao consulado europeu. Foto: Femen/Divulgação03 de Março - Protesto contra Vladimir Putin em frente ao consulado europeu. Foto: Femen/Divulgação06 de Junho - Ativistas protestam contra indústria do sexo em Montreal durante o Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1. Foto: Femen/Divulgação06 de Junho - Ativistas protestam contra indústria do sexo em Montreal durante o Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1. Foto: Femen/Divulgação22 de Abril - Manifestantes protestam contra partidos de direita na França no que chamam de epidemia fascista. Foto: Femen/Divulgação22 de Abril - Manifestantes protestam contra partidos de direita na França no que chamam de epidemia fascista. Foto: Femen/Divulgação22 de Abril - Manifestantes protestam contra partidos de direita na França no que chamam de epidemia fascista. Foto: Femen/Divulgação1º de Outubro - Militante fez protesto solitário nos EUA contra o estupro, no qual afirmou que roupas não levam a estupros e, sim, estupradores causam estupros. Foto: Femen/Divulgação14 de Maio - Militantes de todo o mundo enviaram fotos ao grupo protestando contra o sequestro de 270 meninas de escola nigeriana praticado pelos rebeldes islâmicos do Boko Haram. Foto: Femen/Divulgação14 de Maio - Militantes de todo o mundo enviaram fotos ao grupo protestando contra o sequestro de 270 meninas de escola nigeriana praticado pelos rebeldes islâmicos do Boko Haram. Foto: Femen/Divulgação16 de Outubro - Intervenção com banho de tinta vermelha simbolizando ucranianos mortos devido à intervenção da Rússia no país foi realizada em uma praça de Milão. Foto: Femen/Divulgação16 de Outubro - Intervenção com banho de tinta vermelha simbolizando ucranianos mortos devido à intervenção da Rússia no país foi realizada em uma praça de Milão. Foto: Femen/Divulgação16 de Outubro - Intervenção com banho de tinta vermelha simbolizando ucranianos mortos devido à intervenção da Rússia no país foi realizada em uma praça de Milão. Foto: Femen/Divulgação16 de Outubro - Intervenção com banho de tinta vermelha simbolizando ucranianos mortos devido à intervenção da Rússia no país foi realizada em uma praça de Milão. Foto: Femen/Divulgação16 de Outubro - Intervenção com banho de tinta vermelha simbolizando ucranianos mortos devido à intervenção da Rússia no país foi realizada em uma praça de Milão. Foto: Femen/Divulgação16 de Outubro - Intervenção com banho de tinta vermelha simbolizando ucranianos mortos devido à intervenção da Rússia no país foi realizada em uma praça de Milão. Foto: Femen/Divulgação17 de Julho - Militantes usaram a tribuna da Câmara dos Senadores da França para protestar contra projetos de lei que tentam criminalizar a prostituição no país. Foto: Femen/Divulgação17 de Julho - Militantes usaram a tribuna da Câmara dos Senadores da França para protestar contra projetos de lei que tentam criminalizar a prostituição no país. Foto: Femen/Divulgação25 de maio - Militantes do Femen ofereceram vacinação simbólica contra o fascismo na UE durante eleições para o Parlamento Europeu, na França. Foto: Femen/Divulgação25 de maio - Militantes do Femen ofereceram vacinação simbólica contra o fascismo na UE durante eleições para o Parlamento Europeu, na França. Foto: Femen/Divulgação 03 de Fevereiro - Militantes atacaram o arcebispo de Madri, Antonio Rouco Varela, um dos principais porta-vozes da luta contra o aborto na Espanha. Foto: Femen/Divulgação 03 de Fevereiro - Militantes atacaram o arcebispo de Madri, Antonio Rouco Varela, um dos principais porta-vozes da luta contra o aborto na Espanha. Foto: Femen/Divulgação02 de Fevereiro - Impulsionadas pela tentativa da Espanha de aprovar uma lei para punir mulheres que praticarem aborto, militantes se juntaram em ato em Paris, na França . Foto: Femen/Divulgação02 de Fevereiro - Impulsionadas pela tentativa da Espanha de aprovar uma lei para punir mulheres que praticarem aborto, militantes se juntaram em ato em Paris, na França . Foto: Femen/Divulgação02 de Fevereiro - Impulsionadas pela tentativa da Espanha de aprovar uma lei para punir mulheres que praticarem aborto, militantes se juntaram em ato em Paris, na França . Foto: Femen/Divulgação03 de Fevereiro - Militantes atacaram o arcebispo de Madri, Antonio Rouco Varela, um dos principais porta-vozes da luta contra o aborto na Espanha. Foto: Femen/Divulgação31 de Janeiro - Impulsionadas pela tentativa da Espanha de aprovar uma lei para punir mulheres que praticarem aborto, militantes se juntaram em ato em Estocolmo, na Suécia. Foto: Femen/Divulgação13 de Junho - Militantes invadem Catedral Almudena, em Madri, na Espanha, para protestar contra lei que pune mulheres que praticam aborto no país. Foto: Femen/Divulgação13 de Junho - Militantes invadem Catedral Almudena, em Madri, na Espanha, para protestar contra lei que pune mulheres que praticam aborto no país. Foto: Femen/Divulgação1º de Outubro - Militante fez protesto solitário nos EUA contra o estupro, no qual afirmou que roupas não levam a estupros e, sim, estupradores causam estupros. Foto: Femen/Divulgação10 de Maio - Militantes do Femen se juntaram a feministas para a Marcha das Vadias israelense, realizada em Tel Aviv. Foto: Femen/Divulgação10 de Maio - Militantes do Femen se juntaram a feministas para a Marcha das Vadias israelense, realizada em Tel Aviv. Foto: Femen/Divulgação10 de Maio - Militantes do Femen se juntaram a feministas para a Marcha das Vadias israelense, realizada em Tel Aviv. Foto: Femen/Divulgação14 de Fevereiro - Grupo lançou campanha em prol do que chama de Sextremismo, os protestos erotizados ou sexuais, no Dia de São Valentim. Foto: Femen/Divulgação 01 de dezembro: Ativista faz ato em frente ao escritório central do Serviço de Segurança da Ucrânia, em Kiev, para protestar contra o desaparecimento de sua irmã . Foto: Femen/Divulgação 01 de dezembro: Ativista faz ato em frente ao escritório central do Serviço de Segurança da Ucrânia, em Kiev, para protestar contra o desaparecimento de sua irmã . Foto: Femen/Divulgação25 de Fevereiro - Ativistas fizeram protesto contra a Rússia em Paris, na França. Foto: Femen/Divulgação25 de Fevereiro - Ativistas fizeram protesto contra a Rússia em Paris, na França. Foto: Femen/Divulgação25 de Fevereiro - Ativistas fizeram protesto contra a Rússia em Paris, na França. Foto: Femen/Divulgação07 de Julho - Ativistas protestam em Londres, Inglaterra, contra a mutilação genital praticada por alguns grupos religiosos. Foto: Femen/Divulgação07 de Julho - Ativistas protestam em Londres, Inglaterra, contra a mutilação genital praticada por alguns grupos religiosos. Foto: Femen/Divulgação07 de Outubro - Militantes se uniram no Moulin Rouge, símbolo-máximo dos bordéis de Paris, na França. O nome do ato, contra a exploração das dançarinas locais, foi Não Estamos à Venda. Foto: Femen/Divulgação07 de Outubro - Militantes se uniram no Moulin Rouge, símbolo-máximo dos bordéis de Paris, na França. O nome do ato, contra a exploração das dançarinas locais, foi Não Estamos à Venda. Foto: Femen/Divulgação14 de Novembro - Três ativistas protestaram contra uma possível visita do papa Francisco ao Parlamento da União Europeia. O ato, contra a proximidade entre Igreja e Estado, ocorreu na Praça São Pedro, no Vaticano. Foto: Femen/Divulgação14 de Novembro - Três ativistas protestaram contra uma possível visita do papa Francisco ao Parlamento da União Europeia. O ato, contra a proximidade entre Igreja e Estado, ocorreu na Praça São Pedro, no Vaticano. Foto: Femen/Divulgação14 de Novembro - Três ativistas protestaram contra uma possível visita do papa Francisco ao Parlamento da União Europeia. O ato, contra a proximidade entre Igreja e Estado, ocorreu na Praça São Pedro, no Vaticano. Foto: Femen/Divulgação14 de Novembro - Três ativistas protestaram contra uma possível visita do papa Francisco ao Parlamento da União Europeia. O ato, contra a proximidade entre Igreja e Estado, ocorreu na Praça São Pedro, no Vaticano. Foto: Femen/Divulgação05 de Junho - Militante enfia estaca em boneco de cera de Vladimir Putin no Museu Grévin, em Paris. Ato simbolizou o assassinato do premiê russo, chamado pelo grupo de sugador de sangue do Kremlin . Foto: Femen/Divulgação05 de Junho - Militante enfia estaca em boneco de cera de Vladimir Putin no Museu Grévin, em Paris. Ato simbolizou o assassinato do premiê russo, chamado pelo grupo de sugador de sangue do Kremlin . Foto: Femen/Divulgação24 de Setembro - Militantes saíram às ruas de Paris, na França, para protestar contra o Estado Islâmico, que matou milhares na Síria e no Iraque em 2014. Foto: Femen/Divulgação24 de Setembro - Militantes saíram às ruas de Paris, na França, para protestar contra o Estado Islâmico, que matou milhares na Síria e no Iraque em 2014. Foto: Femen/Divulgação04 de dezembro - Ativistas da Alemanha, Ucrânia, França e Canadá posam nuas em apoio à colega Josephine Witt, presa em protesto dentro de igreja. Foto: Femen/Divulgação04 de dezembro - Ativistas da Alemanha, Ucrânia, França e Canadá posam nuas em apoio à colega Josephine Witt, presa em protesto dentro de igreja. Foto: Femen/Divulgação27 de Outubro - Sextremistas do Femen protestaram contra a morte da iraniana Reyhaneh Jabbari, condenada e executada pelo governo de seu país por matar um homem que a havia estuprado. O ato ocorreu em frente à embaixada do Irã em Berlim, Alemanha. Foto: Femen/Divulgação27 de Outubro - Sextremistas do Femen protestaram contra a morte da iraniana Reyhaneh Jabbari, condenada e executada pelo governo de seu país por matar um homem que a havia estuprado. O ato ocorreu em frente à embaixada do Irã em Berlim, Alemanha. Foto: Femen/Divulgação27 de Outubro - Sextremistas do Femen protestaram contra a morte da iraniana Reyhaneh Jabbari, condenada e executada pelo governo de seu país por matar um homem que a havia estuprado. O ato ocorreu em frente à embaixada do Irã em Berlim, Alemanha. Foto: Femen/Divulgação27 de Outubro - Sextremistas do Femen protestaram contra a morte da iraniana Reyhaneh Jabbari, condenada e executada pelo governo de seu país por matar um homem que a havia estuprado. O ato ocorreu em frente à embaixada do Irã em Berlim, Alemanha. Foto: Femen/Divulgação07 de Março - Na praça Times Square, em Nova York, ativistas protestaram contra as ações da Rússia na Ucrânia. Foto: Femen/Divulgação07 de Março - Na praça Times Square, em Nova York, ativistas protestaram contra as ações da Rússia na Ucrânia. Foto: Femen/Divulgação07 de Março - Na praça Times Square, em Nova York, ativistas protestaram contra as ações da Rússia na Ucrânia. Foto: Femen/Divulgação14 de Julho - Militante faz protesto solitário pela soltura da piloto ucraniana Nadezhda Savchenko, presa em Voronezh, na Rússia. Ato ocorreu no Festival Internacional de Filmes de Odessa, na Ucrânia. Foto: Femen/Divulgação14 de Julho - Militante faz protesto solitário pela soltura da piloto ucraniana Nadezhda Savchenko, presa em Voronezh, na Rússia. Ato ocorreu no Festival Internacional de Filmes de Odessa, na Ucrânia. Foto: Femen/Divulgação24 de Novembro - Ativista protesta contra visita do papa Francisco ao Parlamento da União Europeia. O ato ocorreu dentro de uma catedral da cidade francesa de Alsácia, localizada na única região da França onde Estado e Igreja não são legalmente separados. Foto: Femen/Divulgação07 de Fevereiro - Militantes fazem ensaio satirizando o início dos Jogos de Inverno de Sochi, na Rússia. Para o grupo, os vencedores do torneio liderado pela ditadura, repressão e corrupção são treinados pelo cruel Putin. Foto: Femen/Divulgação

Mas as operações da Rússia de Vladimir Putin no país de origem do grupo levou as ações do Femen a um novo patamar neste ano de 2014. Simulações de assassinato do primeiro-ministro – e até de sexo oral nele –, "banhos de sangue" e ataques a autoridades se tornaram comuns em grandes cidades europeias como Madri e Paris. Com a guerra ucraniana, por sinal, a capital francesa precisou ser transformada na base do grupo, outrora no leste da Ucrânia, ocupado por forças pró-Rússia.

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Além disso, foram mantidos e aumentados os atos contra a violência praticada em mulheres tanto no Ocidente quanto no Oriente. Ação dos islâmicos do Boko Haram, o sequestro de 276 meninas de uma escola nigeriana inspirou protesto em maio; da mesma forma, em outubro, manifestações foram feitas contra a execução por parte do governo iraniano de Reyhaneh Jabbari, condenada por matar um homem que a havia estuprado.

Se não costumam atrair tantos militantes, os atos do grupo, mesmo quando praticados por feministas solitárias, não têm qualquer dificuldade para repercutir, e muito, na mídia. A tática de nudez, aliada ao radicalismo das intervenções artísticas, atrai fotógrafos, repórteres, audiência. Com a base agora no centro da Europa, então, esse interesse só aumenta.

Nos últimos anos, a simpatia pelo grupo foi crescendo. Os atos atravessaram o Atlântico e chegaram a Brasil, México, Argentina. No ano passado, "A Ucrânia Não é um Bordel", primeiro filme sobre o grupo, já ganhou grande atenção. Em agosto deste ano, o Festival de Filmes de Locarno, na Suíça, lançou outro documentário a respeito, "Eu Sou Femen". Novamente, saiu-se bem: posteriormente, exibições ocorreram em outros quatro eventos para cinéfilos – em Israel, Alemanha, Dinamarca e Suécia.

É a prova de que, seis anos após sua fundação, o Femen, mesmo com poucos integrantes e investimentos, segue fazendo barulho e desafiando tabus.

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