Paquistão inicia funeral de 148 vítimas após ataque do Taleban a escola militar

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Os estudantes foram mortos a tiros e professoras acabaram queimadas vivos; ao menos 132 crianças foram mortas na terça

Paquistaneses lamentavam enquanto deram início aos funerais em massa nesta quarta-feira (17) para 148 vítimas, a maioria delas crianças, mortas no dia anterior em um massacre provocado pelo Taleban em uma escola para filhos de militares no conturbado noroeste do país.

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AP
Parentes do professor paquistanês Saeed Khan, uma das vítimas do Taleban, se reúnem em torno do corpo durante funeral em Peshawa, Paquistão (16/12)


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As vigílias foram realizadas em todo o país e em outras escolas, onde alunos falavam do choque que a carnificina provocou na cidade de Peshawar, onde sete homens armados do Taleban e com explosivos amarrados a seus corpos escalaram um muro e entraram na Escola e Faculdade Públicas do Exército por volta das 10h da manhã de terça - cerca de 6h da manhã no horário de Brasília.

Os estudantes foram mortos a tiros e algumas professoras queimadas vivos. O ataque foi o mais mortal contra inocentes no país e horrorizou uma nação já cansada de agressões terroristas intermináveis. Comandos do Exército lutaram contra o Taleban em uma batalha de um dia inteiro até a escola ser fechada e os militantes, mortos.

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O colégio se transformou em um cenário de partir o coração, como mostraram os veículos de comunicação que tiveram acesso ao local pela primeira vez após a tragédia nesta quarta-feira. Havia sangue acumulado no chão e escadas, além de janelas de vidros e portas quebradas. Cadernos rasgados, peças de roupas e calçados infantis estavam espalhados. Um par de óculos infantil estava quebrado no chão.

Depois de os militantes entrarem na escola, eles seguiram para o auditório principal onde muitos estudantes se reuniram para um evento, disse o porta-voz militar Major Geneneral Asim Bajwa. Os militantes, em seguida, se posicionaram no palco e começaram a atirar aleatoriamente.

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Enquanto os estudantes tentavam fugir pelas portas eram mortos a tiros. Os militares recuperaram mais tarde cerca de 100 corpos somente no auditório, de acordo com o porta-voz.

"Esse não é um ato humano", disse Bajwa. "É uma tragédia nacional"

O governo declarou um período de luto de três dias com início nesta quarta-feira. Durante a noite, o corpo do diretor da escola, Tahira Qazi, foi encontrado entre escombros. Sua morte elevou ainda mais o número de mortos relatado anteriormente como 141.

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Voluntários paquistaneses carregam estudante ferido após ataque do Taleban a escola em Peshawar, Paquistão (16/12). Foto: APEquipes de resgate paquistanesas tiram alunos feridos de ambulância após ataque do Taleban no Paquistão (16/12). Foto: APEquipe de um hospital transporta aluno ferido após ataque do Taleban em Peshawar, Paquistão (16/12). Foto: APHomem conforta estudante de pé à beira do leito de um menino que foi ferido em um ataque Taleban no Paquistão (16/12). Foto: APGuarda ajuda estudante ferido após ataque do Taleban a escola paquistanesa (16/12). Foto: APCorpos de estudantes mortos após ataque de homens armados do Taleban a uma escola do Paquistão (16/12). Foto: APCorpo de aluno morto após ataque do Taleban no Paquistão (16/12). Foto: AP

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Qazi, que estava dentro de seu escritório no momento em que os militantes seguiram para o prédio da administração, correu e se trancou no banheiro, mas os militantes lançaram granada para dentro do local através de um respiradouro, matando-o, segundo Bajwa.

Alguns dos funerais foram realizados durante a noite, mas a maioria das 132 crianças e dos dez funcionários da escola mortos serão enterrados nesta quarta-feira. Outros 121 alunos e três funcionários ficaram feridos.

"Eles [os militantes] acabaram em minutos o motivo de eu ter vivido uma vida inteira: a vida do meu filho", disse o trabalhador Akhtar Hussain, com lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto enterrava seu filho de 14 anos, Fahad. Ele disse que tinha trabalhado durante anos em Dubai para ganhar o sustento de seus filhos.

"Esse inocente está agora em uma cova, e mal posso esperar para me juntar a ele. Não consigo mais viver", ele lamentou, batendo os punhos contra a cabeça.

O Taleban disse que o ataque foi uma vingança após ofensiva militar contra seus refúgios seguros no noroeste do país ao longo da fronteira com o Afeganistão, que começou em junho. Analistas disseram que o cerco à escola mostrou que, mesmo diminuído, o grupo militante ainda poderia infligir uma carnificina horrível.

O ataque atraiu a condenação rápida de todo o mundo. O presidente Barack Obama disse que os "terroristas têm mostrado mais uma vez sua falta de moral".

*Com AP

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