"Cubanos não são responsáveis: são alegres e gentis", diz espião que foi solto

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Especialista em desenvolvimento internacional, Allan Gross apelou em coletiva para que EUA e Cuba realmente se reaproximem e eliminem resquícios da findada Guerra Fria

Horas após o governo cubano libertar o espião dos EUA Allan Gross, que passou cinco anos preso ao longo no arquipélago caribenho, ele discursou a jornalistas sobre o período de seu encarceramento – e fez o possível para mostrar sua simpatia pelo país que o privou da liberdade por tanto tempo, cuja retomada de diálogos com os norte-americanos começa a ocorrer.

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira (17) uma série de mudanças nas relações entre o país e Cuba. Foto: AP Photo/Doug Mills, PoolO líder de Cuba, Raúl Castro, discursa sobre retomada das relações com os EUA, nesta quarta-feira. Foto: Youtube/ReproduçãoPresidente Barack Obama durante discurso no Salão Leste da Casa Branca em Washington, EUA . Foto: APEstados Unidos e Cuba não se relacionam desde 1962 -  obstáculos às relações econômicas foram adotados pelos EUA. Foto: AP Photo/SABC Pool, FileFotos mostra Alan Gross, ex-prisioneiro americano libertado por Cuba, chegando na Andrews Air Force Base. Foto: AP Photo/Sen. Jeff FlakeAlan Gross com sua esposa, Judy, antes de deixar Cuba. Foto: AP Photo/Sen. Jeff FlakeFoto de Alan Gross, prisioneiro americano libertado por Cuba. Foto: AP Photo/James L. Berenthal, FileAlan Gros, prisioneiro americano libertado por Cuba, e sua mulher, Judy Gross, em local desconhecido . Foto: AP Photo/Gross Family, File

"Envio meu respeito às pessoas de Cuba. Elas não são responsáveis pelo que passei. São indivíduos extremamente alegres e gentis", afirmou Gross em seu discurso, no qual pediu a todos privacidade, um espaço para que possa ficar em paz com a sua recém-adquirida liberdade. "Aprendi ao longo desses cinco anos que liberdade não significa ser livre. Ela demanda responsabilidades."

Além de Gross, Cuba libertou um segundo homem, que não teve sua identidade revelada. Oficiais do governo dos EUA, sob anonimato, disseram que o homem foi responsável por alguns dos processos de contra-inteligência mais importantes que os Estados Unidos fez em décadas recentes, incluindo a de um grupo conhecido como os Cinco Cubanos. Os EUA estão libertando três dos prisioneiros restantes do grupo em uma troca de espiões.

Os cubanos faziam parte da "Rede Vespa" e foram enviados pelo então presidente Fidel Castro para espionar o sul da Flórida. Os homens, que são saudados como heróis em Cuba, foram condenados em 2001 em Miami sob as acusações de conspiração. Dois deles foram libertados após terem cumprido suas penas.

"El bloqueo"
Conhecido pelos cubanos como "el bloqueo" (o bloqueio), o embargo norte-americano a Cuba foi uma medida adotada pelos EUA no auge da Guerra Fria que interditou totalmente a relação econômica, financeira e comercial entre os dois países, separados por uma fronteira marítima de apenas 535 km. A medida foi imposta no início dos anos 1960, depois do revolucionário e então recém-empossado líder cubano, Fidel Castro, iniciar uma aproximação com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), representada pela Rússia.

Após uma restrição inicial para a importação de açúcar cubano ao território norte-americano, instituída pelo então presidente dos EUA Dwight Eisenhower em 1960, John F. Kennedy ampliou as restrições para o grau máximo dois anos depois, suspendendo relações de nações anteriormente tão próximas – antes da Revolução Cubana que removeu a ditadura de Fulgencio Batista do poder, Cuba era conhecido como um "quintal dos EUA", onde empresários exploravam seus recursos e as elites passavam temporadas gastando dólares em seus cassinos e hotéis de luxo.

A tensão acabou levando os EUA a impor restrições para viagens de seus cidadãos ao país caribenho, bem como à restrição comercial total entre as nações-membro da Organização dos Estados Americanos (OEA) com os cubanos. Também colaborou para a assinatura do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, cujo objetivo foi conter a corrida armamentista mundial, em 1968.

O embargo total, no entanto, prosseguiu, com presidentes norte-americanos assinando continuamente sua prevalência ao longo dos anos. Entre eles, o próprio Barack Obama, eleito chefe do Poder Executivo do país em 2008 com a promessa de terminar com o longo bloqueio à nação caribenha, conhecida pelos mais diversos problemas sociais.

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