Sequestrador iraniano de Sydney se comparava a Julian Assange

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Man Haron Monis negava acusações de abusos sexuais dizendo que elas tinham motivação política; ação deve ter sido solitária

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O homem que manteve cerca de 17 pessoas reféns por até 17 horas em um café em Sydney foi identificado pela polícia australiana como Man Haron Monis, um autoproclamado clérigo muçulmano nascido no Irã que se refugiou na Austrália em 1996.

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Monis foi morto - junto com outros dois reféns - durante a operação policial de resgate dentro do café. Ele já era conhecido das autoridades do país e estava solto sob fiança, acusado de ter sido cúmplice no assassinato de sua ex-mulher.

 Monis, 50 anos, também era acusado em mais de 40 casos de agressões e "indecência" sexual, relacionadas à época que ele supostamente atuou como um autoproclamado "curador espiritual" usando magia negra, segundo o jornal Sydney Morning Herald.

 E, além disso, havia sido condenado a 300 horas de serviço comunitário pelo envio de cartas ofensivas e ameaçadoras a famílias de soldados australianos mortos em combate no Afeganistão.

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 Ação solitária

 Durante a tomada de reféns no Lindt Cafe, em Martin Place, Sydney - que começou na manhã desta segunda (horário local) e só terminou à noite - há relatos de que uma de suas exigências tenha sido a de receber uma bandeira oficial do autodenominado "Estado Islâmico", grupo extremista que tenta controlar parte do Iraque e da Síria.

 No entanto, não há laços conhecidos entre Monis e grupos jihadistas. Analistas acreditam que ele provavelmente agia sozinho.

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Refém corre em direção a um policial do lado de fora do Lindt café no Martin Place, centro de Sydney (15/12). Foto: ReutersReféns são vistos dentro de um café na região central da capital da Austrália (15/12). Foto: APRefém corre em direção a policiais depois de escapar de um café no Martin Place em Sydney, Austrália (15/12). Foto: APRefém corre em direção a policiais após escapar de café em Sydney, Austrália (15/12). Foto: APRefém é vista da janela de um café onde suposto grupo terrorista mantém reféns na capital da Austrália (15/12). Foto: ReutersPoliciais do lado de fora de um café onde homem mantém reféns no Martin Place, centro de Sydney (15/12). Foto: APPoliciais cercam café em região movimentada da capital da Austrália onde homem mantém reféns (15/12). Foto: APPrimeiro-ministro australiano Tony Abbott em coletiva na Casa do Parlamento, em Canberra, Austrália, depois de atirador fazer reféns em Sydney (15/12). Foto: AP

 "Parece ter sido a ação de um ator solitário, talvez não muito bem planejada e preparada", disse à BBC Anne Aly, chefe do programa de pesquisa de contraterrorismo da Universidade Curtin, na Austrália.

 O serviço de monitoramento da BBC tampouco encontrou referências de apoiadores do Estado Islâmico associando sua causa à ação de Monis.

 Nascido no Irã, Monis também era conhecido como xeque Haron e Mohammad Hassan Manteghi, escreveu em seu site que havia deixado de ser muçulmano xiita.

 Ele negava as acusações criminais contra ele, alegando que elas tinham motivação política. E comparou as acusações de abuso sexual que recaíam sobre ele ao caso de Julian Assange, fundador do site de vazamento de documentos oficiais Wikileaks (Assange é réu em um caso de abuso sexual na Suécia, o qual nega). 

O advogado Manny Conditsis, que representou Monis quando este foi acusado de cumplicidade na morte da ex-mulher, disse que Monis era um homem isolado. 

"Sua ideologia é tão forte que ofuscava seu bom senso e sua objetividade", afirmou o advogado à emissora Australian Broadcasting Corp. "Foi algo aleatório, não um ato articulado de terrorismo. Trata-se de um indivíduo com problemas fazendo algo ultrajante." 

Mais de 40 comunidades islâmicas australianas condenaram as ações de Monis, alegando que ele um indivíduo "que representa ninguém a não ser si mesmo".

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