Huugjilt foi condenado à morte e executado apenas dois meses depois de ter sido acusado de estupro e assassinato, em 1996

BBC

Um tribunal da China inocentou um adolescente acusado de estupro e assassinato de uma mulher 18 anos após sua execução. Huugjilt tinha 18 anos quando um tribunal da Mongólia Interior, região autônoma chinesa, o sentenciou à morte.

Mas a condenação levantou dúvidas depois que um estuprador em série confessou o crime em 2005, de acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua. Este tipo de revogação de sentença é muito rara na China.

Leia também:
EUA: Justiça revoga pena de morte contra mãe condenada por assassinato de filho

O assassinato, ocorrido em um banheiro público, foi cometido em um momento em que a polícia do país estava sob grande pressão para agilizar a solução de crimes. Os investigadores envolvidos no caso admitiram que forçaram uma condenação.

Ao anunciar a decisão de inocentar o réu, o juiz do tribunal em Hohhot, capital da região, pediu desculpas aos pais de Huugjilt, que já tinham tentando inocentar o filho em 2006, mas só agora, com o recurso, obtiveram o reconhecimento da corte e a Justiça pediu perdão à família.

"Aprendemos uma lição que partiu nosso coração. Sentimos muito", disse ele. A família deve receber uma indenização de cerca de US$ 4,8 mil (quase R$ 13 mil).

Veja alguns dos maiores serial killers da história na América Latina:

Banheiro público
O crime ocorreu no dia 9 de abril de 1996, em Hohhot. Huugjilt estava com um amigo quando eles escutaram os gritos de uma mulher vindos de um banheiro público feminino.

Ao chegaram ao local para ver o que estava acontecendo, os dois encontraram um cadáver e fugiram do lugar. Ignorando os conselhos do amigo, o jovem foi à polícia e contou o que havia acontecido. Mas as autoridades o viram como um suspeito.

Depois de um julgamento em que não foram apresentadas provas conclusivas, a Justiça decidiu que Huugjilt era culpado. O jovem entrou com recurso, mas este foi recusado e ele acabou executado dois meses depois.

Leia também:
Atirador de massacre de Fort Hood é sentenciado à pena de morte nos EUA
China elimina pena de morte para crimes econômicos

No entanto, em 2005, um assassino e estuprador em série chamado Zhai Zhihong confessou o crime. A partir disso, foi iniciada a luta da família de Huugjilt para limpar o nome do filho, uma luta que acabou apenas nesta segunda-feira (15).

Os tribunais da China são controlados pelo Partido Comunista e têm uma taxa alta de condenação. Grupos de defesa dos direitos humanos alegam que as confissões de crime frequentemente são conseguidas mediante tortura.

E, segundo correspondentes, decisões como a desta segunda-feira são raras.

No ano passado um homem da província de Anhui foi inocentado depois de cumprir 17 anos de prisão perpétua pelo assassinato da esposa.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.