Jovem chinês é inocentado 18 anos após ter sido executado

Por BBC | - Atualizada às

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Huugjilt foi condenado à morte e executado apenas dois meses depois de ter sido acusado de estupro e assassinato, em 1996

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Um tribunal da China inocentou um adolescente acusado de estupro e assassinato de uma mulher 18 anos após sua execução. Huugjilt tinha 18 anos quando um tribunal da Mongólia Interior, região autônoma chinesa, o sentenciou à morte.

Mas a condenação levantou dúvidas depois que um estuprador em série confessou o crime em 2005, de acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua. Este tipo de revogação de sentença é muito rara na China.

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O assassinato, ocorrido em um banheiro público, foi cometido em um momento em que a polícia do país estava sob grande pressão para agilizar a solução de crimes. Os investigadores envolvidos no caso admitiram que forçaram uma condenação.

Ao anunciar a decisão de inocentar o réu, o juiz do tribunal em Hohhot, capital da região, pediu desculpas aos pais de Huugjilt, que já tinham tentando inocentar o filho em 2006, mas só agora, com o recurso, obtiveram o reconhecimento da corte e a Justiça pediu perdão à família.

"Aprendemos uma lição que partiu nosso coração. Sentimos muito", disse ele. A família deve receber uma indenização de cerca de US$ 4,8 mil (quase R$ 13 mil).

Veja alguns dos maiores serial killers da história na América Latina:

Marcos Antunes Trigueiro, de 32 anos, ficou conhecido como Maníaco de Contagem. O criminoso estuprou e assassinou cinco mulheres. Foto: ReproduçãoChico Picadinho foi condenado pela morte de uma garota de programa e uma bailarina austríaca. Foto: ReproduçãoAdriano da Silva é apontado como o assassino de 12 meninos. Ele é chamado de “serial killer de Passo Fundo”. Foto: ReproduçãoMarcelo Costa de Andrade, Brasil: conhecido como 'vampiro de Niterói', ele estuprou e matou 14 meninos de 1991 a 1992, quando tinha 23 anos. Foto: Wikimedia CommonsLuis Alfredo Garavito, Colômbia: 'A besta', como ficou conhecido, admitiu ter matado e estuprado 140 meninos nos anos 1990. Foto: Reprodução/YoutubeLuis Alfredo Garavito, Colômbia: serial killer, considerado o que mais matou no mundo, cometeu até 400 assassinatos, dizem autoridades. Foto: Reprodução/YoutubeDelfina e María de Jesús González, México: as irmãs eram donas do Rancho Loma de San Ángel, bordel onde mais de 80 morreram nos anos 1950. Foto: Reprodução/YoutubeDelfina e María de Jesús González, México: as duas escravizavam sexualmente mulheres, faziam abortos, praticavam roubos e matavam clientes. Foto: Reprodução/YoutubeSara Aldrete, México: seguidora de Adolfo Constanza, ela foi sentenciada em 1994 por vários crimes contra jovens em cultos satânicos. Foto: Reprodução/YoutubeSara Aldrete, México: conhecida como 'La madrina', ela também se envolveu com tráfico de drogas. Foto: Reprodução/YoutubeJuana Barraza, México: de 2002 a 2006, ela matou 16 idosas para roubar pequenas joias. Foto: Reprodução/YoutubeEdson Isidoro Guimarães, Brasil: o ex-auxiliar de enfermagem carioca diz ter matado 5 em 2010. Mas a polícia suspeita de até 100 mortes. Foto: Reprodução/YoutubeFelícitas Sánchez Aguillón, México: a 'estripadora da Colonia Roma' matou entre 40 e 50 bebês na Cidade do México entre 1910 e 1940. Foto: Reprodução/YoutubeDorangel Vargas, Venezuela: ele confessou ter matado, até 1999, mais de dez para comer sua carne. As ossadas foram encontradas em Táchira. Foto: Reprodução/YoutubeDaniel Barbosa, Colômbia: acredita-se que, entre os anos 1970 e 1980, ele tenha estuprado e matado 150 crianças e adolescentes na Colômbia e Equador. Foto: Reprodução/YoutubeCayetano Santos Godino, Argentina: em 1903, com 7 anos, o 'pequeno orelhudo', como era chamado, espancou sua primeira vítima: uma criança de 2 anos. Foto: Reprodução/YoutubeCayetano Santos Godino, Argentina: em 1912, matou um garoto de 3 anos. Ele foi acusado de outros 3 homicídios e de incendiar 7 prédios. Foto: Reprodução/YoutubeCarlos Eduardo Robledo Puch, Argentina: apelidado de 'Anjo negro', o adolescente matou 11 pessoas em 1971, aos 19 anos. Foto: Reprodução/YoutubeCarlos Eduardo Robledo Puch, Argentina: entre seus crimes estão tentativa de estupro e roubo. Ele ainda está preso em Buenos Aires. Foto: Reprodução/YoutubeJorge Sagredo e Carlos Topp, Chile: dupla matou 10 e estuprou 4, de 1980 a 1981. Eles foram os últimos presos executados no país, em 1985. Foto: Reprodução/YoutubePedro Pablo Nakada, Peru: maior assassino do país, matou até 18, de 2005 a 2006, e ainda cumpre pena. Foto: Reprodução/YoutubePedro Pablo Nakada, Peru: o peruano diz que matava porque uma voz lhe 'pedia para limpar a Terra' das más influências. Foto: Reprodução/YoutubePedro Alonso Lopez, Colômbia: mais de 300 meninas, de 9 a 12 anos, podem ter morrido pelas mãos dele em países como Equador, Peru e Colômbia. Foto: Reprodução/YoutubePedro Alonso Lopez, Colômbia: conhecido como 'monstro dos Andes', ele cometeu crimes de 1978 a 1980 e levou a polícia aos locais das ossadas. Foto: Reprodução/YoutubePedro Rodrigues Filho, Brasil: 'Pedrinho matador' começou a matar em 1968, aos 14 anos. Ele assassinou criminosos e foi preso várias vezes. Foto: Reprodução/YoutubePedro Rodrigues Filho, Brasil: mais de 47 prisioneiros foram mortos por ele. Pedro foi solto em 2007 e voltou aos presídios em 2011, aos 57 anos. Foto: Reprodução/YoutubeManuel Octavio Bermúdez, Colômbia: ele foi acusado de matar mais de 30 meninos após abusar deles de 1999 a 2003. Foto: Reprodução/YoutubeManuel Octavio Bermúdez Estrada, Colômbia: ficou conhecido como 'monstro dos canaviais', já que deixava os restos mortais das vítimas nesses locais. Foto: Reprodução/YoutubeFrancisco de Assis Pereira, Brasil: conhecido como 'maníaco do parque', ele estuprou e matou ao menos seis mulheres em 1998. Foto: Reprodução/YoutubeFrancisco de Assis Pereira, Brasil: o 'maníaco do parque' tentou matar outras 9. Os corpos das vítimas foram jogados no Parque do Estado, em SP. Foto: Reprodução/Youtube

Banheiro público
O crime ocorreu no dia 9 de abril de 1996, em Hohhot. Huugjilt estava com um amigo quando eles escutaram os gritos de uma mulher vindos de um banheiro público feminino.

Ao chegaram ao local para ver o que estava acontecendo, os dois encontraram um cadáver e fugiram do lugar. Ignorando os conselhos do amigo, o jovem foi à polícia e contou o que havia acontecido. Mas as autoridades o viram como um suspeito.

Depois de um julgamento em que não foram apresentadas provas conclusivas, a Justiça decidiu que Huugjilt era culpado. O jovem entrou com recurso, mas este foi recusado e ele acabou executado dois meses depois.

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No entanto, em 2005, um assassino e estuprador em série chamado Zhai Zhihong confessou o crime. A partir disso, foi iniciada a luta da família de Huugjilt para limpar o nome do filho, uma luta que acabou apenas nesta segunda-feira (15).

Os tribunais da China são controlados pelo Partido Comunista e têm uma taxa alta de condenação. Grupos de defesa dos direitos humanos alegam que as confissões de crime frequentemente são conseguidas mediante tortura.

E, segundo correspondentes, decisões como a desta segunda-feira são raras.

No ano passado um homem da província de Anhui foi inocentado depois de cumprir 17 anos de prisão perpétua pelo assassinato da esposa.

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