"País não-liberal", Hungria tenta obrigar jornalistas a fazerem testes de drogas

Por iG São Paulo * | - Atualizada às

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País que já fez parte da URSS e hoje é membro da União Europeia vem, por meio de seu conservador primeiro-ministro cujo discurso é por um país "não-liberal", apertando o cerco contra a liberdade de imprensa e os direitos civis; afastamento de ideais europeus coincide com sua aproximação a Putin

O primeiro-ministro da Hungria pretende obrigar jornalistas e políticos a realizarem exames antidoping (aqueles usados para identificar o uso de drogas, substâncias controladas, ilícitas e afins). Anunciada na última sexta-feira (12), a ideia do líder do país que fez parte da União Sovética – e que a cada dia se aproxima mais da Rússia – gerou inúmeras críticas, às quais ele classificou como cínicas tentativas de combater sua popularidade.

AP
O premiê Viktor Orban fala no Parlamento húngaro, em Budapest: ele quer uma nação não-liberal

Em uma entrevista concedida a uma rádio governamental, Orban afirmou que o uso de drogas e a "máfia das drogas" estão se tornando uma ameaça crescente a seu país e garantiu que seu governo lutará com força máxima contra ela até o fim de seu mandato, que vai até 2018.

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"Políticos, jornalistas e todos aqueles que trabalham em posições de confiança pública precisam ser incluídos nos testes de drogas pois, claramente, aqueles que as consomem não podem fazer parte da luta contra essas mesmas drogas", disse ele. "Precisamos deixar claro isso. Anunciamos uma luta e a máfia de drogas precisa ser atirada para fora da Hungria com as punições mais severas e com as autoridades adotando os procedimentos mais precisos para isso."

Chefe da Associação dos Jornalistas Húngaros, Karoly Toth discorda da posição do premiê e afirma que ela traz à memória as lembranças mais tristes da história do país, quando a imprensa não tinha liberdade durante o regime soviético. "A proposta sugere que os trabalhadores da mídia são pessoas depravadas", completou Zsuzsanna Gyongyosi, presidente da Associação de Jornalistas Independentes.

Veja festas a Putin, cada vez mais próximo de ex-soviéticos, em seu aniversário:

Multidão vestindo as cores da bandeira russa faz passeata pelo aniversário do presidente Vladimir Putin no centro de Grozny, Rússia (7/10). Foto: APRuas do centro de Grozny, Rússia, coloridas por uma multidão que homenageia o aniversário do presidente Vladimir Putin usando as cores da bandeira russa (7/10). Foto: APEnorme bandeira exibe representação de Barack Obama com camiseta cuja estampa deseja 'feliz aniversário' a Putin é pendurada em ponte de Moscou (7/10). Foto: ReutersAtivista segura cartaz com a imagem do presidente russo, Vladimir Putin, durante protesto na Polônia (7/10). Foto: ReutersAtivistas seguram imagem do presidente russo Vladimir Putin em manifestação contrária a ele no dia de seu 62º aniversário em Varsóvia (7/10). Foto: ReutersCamisa com imagem do presidente russo, Vladimir Putin, em loja de departamento em Moscou, Rússia (6/10). Foto: APO presidente da Rússia, Vladimir Putin, é visto em uma tela enquanto fala durante fórum de Investimento em Moscou (2/10). Foto: ReutersO presidente russo, Vladimir Putin, durante reunião com autoridades governamentais do setor de Defesa no Kremlin em Moscou (10/09). Foto: ReutersVladimir Putin aperta a mão de Emomali Rahmon antes de uma reunião de cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, China (12/09). Foto: ReutersPresidente da Rússia, Vladimir Putin, deixa Igreja da Trindade em Moscou (10/09). Foto: ReutersO presidente russo Vladimir Putin mostra globo terrestre durante encontro com os participantes de um fórum educacional de jovens na Rússia (29/08). Foto: APPresidente da Rússia, Vladimir Putin, assiste à cerimónia de coroação de novo líder ortodoxo em Moscou (2009). Foto: Reuters

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Para Balazc Gulyas, organizador de recentes protestos contra o governante, além de os testes de drogas "estigmatizarem jornalistas como usuários de entorpecentes", eles claramente são um esforço para limitar a liberdade de imprensa. "É assustador que o governo agora tenha como alvo os jornalistas", diz ele.

Desde 2010, Orban consolidou poder de seu partido conservador, o Fidesz, aumentando o controle sobre as mídias e enfraquecendo grupos civis independentes. EUA e organizações internacionais já expressaram preocupação com o que classificam como uma democracia cada vez mais enfraquecida em um país que há 25 anos deixava o comunismo e que hoje é membro da União Europeia.

Um momento bastante ilustrativo para entender a postura de Orban ocorreu em julho, quando ele afirmou estar construindo um "estado não liberal", citando Rússia, China, Túrquia e Cingapura como modelos de sucesso.

Ao mesmo tempo, ele vem se aproximando cada vez mais da Rússia, elaborando tratados energéticos com Moscou e criticando as sanções impostas por EUA e União Europeia depois das agressões do Kremlin ao Leste da Ucrânia.

* Com AP

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