Diretor da CIA diz que tortura em interrogatórios foi devido à "inexperiência"

Por Agência Brasil * | - Atualizada às

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John Brennan afirmou em coletiva de imprensa que agência navegou em terreno desconhecido e não estava preparada para lidar com suspeitos de terrorismo após o 11 de setembro

Agência Brasil

A Agência Central de Inteligência (CIA, sigla em inglês) dos Estados Unidos admitiu, nesta quinta-feira (11), que não estava preparada para prender e interrogar os suspeitos pelo atentado contra o World Trade Center, em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001. As declarações do diretor da agência, John Brennan, foram dadas em uma coletiva de imprensa dois dias após a divulgação de um relatório nos Estados Unidos que denuncia a CIA por ter usado “técnicas de tortura” durante interrogatórios de membros do grupo extremista Al-Qaeda, que assumiu a responsabilidade pelo atentado.

AP
O diretor da agência de inteligência norte-americana, John Brennan, nesta quinta-feira

“A CIA navegou em terreno desconhecido, não estávamos preparados. Tínhamos pouca experiência na detenção de prisioneiros e poucos agentes estavam formados para conduzir interrogatórios”, disse John Brennan. Ele também admitiu que as técnicas usadas para interrogar os suspeitos foram ineficazes, “brutais e repugnantes”.

A entrevista de Brennan repercute a divulgação de um relatório pela Comissão sobre Serviços de Informação do Senado dos Estados Unidos, divulgado na terça-feira (9).

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O documento denuncia a detenção de cerca de cem suspeitos de terem ligações com a Al-Qaeda no âmbito de um programa secreto autorizado pela administração do então presidente George W. Bush.

Veja alguns dos métodos de tortura praticados ao longo da história:

Cadeira Inquisitória: usada em interrogatórios na Europa Central, a cadeira tinha 2 mil agulhas e assento de ferro, que podia ser aquecido. Foto: ReproduçãoTortura D'agua: deitada com a barriga para cima, vítima engolia litros de água e depois recebia golpes no abdome. Foto: ReproduçãoTouro Siciliano: preso dentro de escultura oca de bronze que lembrava um touro, torturado morria queimado. Foto: ReproduçãoPau-de-Arara: no método tipicamente brasileiro, vítima era pendurada seminua, com mãos e pés atados, a uma barra de ferro fixada entre cavaletes a 20 cm do chão. Foto: ReproduçãoPata de gato: os profundos arranhões que o objeto causava rasgavam a pele e deixavam feridas horríveis no corpo dos torturados. Foto: ReproduçãoParafuso: objeto poderia ser usado para esmagar várias partes do corpo, como dedos das mãos e dos pés, joelhos e até cotovelos. Foto: ReproduçãoGarfos Hereges: a parte superior do garfo ficava na carne do queixo. Já a inferior pressionava o osso do esterno. Qualquer movimento poderia ser fatal. Foto: ReproduçãoGaiola Suspensa: a vítima era colocada nua dentro da gaiola, onde não tinha direito a comida nem bebida. Foto: ReproduçãoEsmaga Seio: aquecido, o ferro era capaz de arrancar a pele do seio. Com um movimento pequeno e brusco, torturador podia extirpar o próprio peito. Foto: ReproduçãoEsmagador de Cabeça: vítima apoiava o queixo na barra inferior do aparelho enquanto o parafuso gigante comprimia seu crânio lentamente. Foto: ReproduçãoDama de Ferro: colocada nessa cabine de metal, vítima tinha partes dos órgãos não vitais perfurados e sangrava até morrer. Foto: ReproduçãoCadeira do Dragão: preso sentava nu em uma cadeira para receber choques elétricos. Balde de metal aumentava a intensidade das ondas sobre o corpo. Foto: ReproduçãoBurro Espanhol: vítima 'sentava' em duas vigas transversais cortantes, com pesos amarrados aos pés. Foto: ReproduçãoA Serra: com as pernas suspensas, acusado tinha o corpo serrado até a morte. Foto: ReproduçãoCalda da Verdade: cabeça da vítima era mergulhada em balde com fezes e urina. Foto: Reprodução

“Em nenhum momento, as técnicas de interrogatório reforçadas da CIA permitiram recolher informações relativas a ameaças iminentes, tais como informações relativas a hipotéticos ataques bombistas, que muitos consideraram que justificavam tais técnicas”, disse a presidente da comissão, a senadora democrata Dianne Feinstein, durante a apresentação de um resumo do relatório.

O documento também acusou a CIA de ter mentido, não só ao público em geral, mas também ao Congresso e à Casa Branca, sobre a eficácia do programa, nomeadamente ao afirmar que as técnicas usadas podiam permitir “salvar vidas”. No entanto, o relatório sublinhou que as técnicas “eram brutais e bem piores do que a CIA havia descrito aos representantes” do Congresso.

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Em 20 conclusões que criticam a agência, o resumo do relatório da Comissão sobre Serviços de Informação do Senado (atualmente controlado pelos democratas) acusou ainda a CIA de ter submetido 39 detidos a métodos considerados como brutais durante vários anos, alguns dos quais não autorizados pelo governo norte-americano. “A CIA usou essas técnicas de interrogatório várias vezes durante dias e durante semanas”, diz o relatório.

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