Ataques de jihadistas mataram mais de 5 mil pessoas em apenas um mês, diz estudo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Estado Islâmico foi de longe o grupo terrorista que mais matou no período: foram 2.206 vítimas fatais na Síria e no Iraque

Ataques de jihadistas mataram mais de cinco mil pessoas em apenas um mês, de acordo com um levantamento feito pela BBC e pelo King's College London. A violência atingiu em sua maioria os civis, com mais de 2 mil mortos em incidentes registrados como tendo sido causados por terroristas em novembro.

AP
Homens resgatam corpo de vítima de ataque na capital da Somália, no último mês de outubro

A maioria dos ataques são de autoria do grupo autodenominado Estado Islâmico, responsável por elevar em muito o número de mortos no Iraque e na Síria. Quatro países concentram 80% de mortes.

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Os dados mostram que 5.042 pessoas foram mortas em 664 ataques jihadistas em 14 países – uma média diária de 168 mortes ou sete a cada hora. Cerca de 80% das mortes ocorreram em apenas quatro países (Iraque, Nigéria, Síria e Afeganistão), de acordo com a análise de reportagens publicadas na mídia e de relatórios da sociedade civil.

O Iraque foi o lugar mais perigoso para se estar no período, com 1.770 mortes em 233 ataques, que vão desde tiroteios até a atentados suicidas. Na Nigéria, 786 pessoas, quase todas civis, foram mortas em 27 incidentes envolvendo o Boko Haram.

Foram, na maioria das vezes, explosões e tiroteios grandes e indiscriminados, como o ataque à mesquita central no norte da cidade de Kano, que deixou 120 mortos. O Boko Haram também avançou pela fronteira de Camarões, matando 15 pessoas.

Enquanto isso, na África Ocidental, o grupo Al-Shabab matou 266 pessoas na Somália e no Quênia. O Afeganistão teve praticamente o mesmo número de mortes que a Nigéria (782), mas a tendência verificada no país foi de ataques a alvos específicos, como o atentado contra o vice-governador de Kandahar.

Na Síria devastada pela guerra foram mortas 693 pessoas. No Iêmen, foram 410 mortes em 37 ataques. Entre os 16 grupos jihadistas envolvidos na matança, o Estado Islâmico foi o que mais matou: 2.206 pessoas no Iraque e na Síria, 44% do total de mortes no período.

O diretor do Centro Internacional para o Estado da Radicalização, Peter Neumann, disse que o Estado Islâmico "rivalizou com – ou até mesmo substituiu – a Al-Qaeda como líder do jihadismo global".

Veja quais são os principais grupos terroristas do mundo:

Boko Haram: radicais islâmicos têm atacado a Nigéria com atentados, assassinatos e sequestros para derrubar o governo e criar Estado islâmico. Foto: APBoko Haram: traduzido, nome que designa o grupo significa 'a educação ocidental é pecado'. Há temores de que estejam ligados a grupos como a Al-Qaeda. Foto: APFrente al-Nusra: a Frente de Suporte para o Povo da Síria, em tradução livre, é uma milícia islâmica criada em 2012 que atua na guerra síria. Foto: Reprodução/YoutubeFrente al-Nusra: a milícia, descrita pelos próprios rebeldes como bem estruturada, luta contra o presidente sírio, Bashar al-Assad. Foto: Wikimedia CommonsEstado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL): grupo jihadista visa a formar emirado islâmico  em territórios no Iraque e na Síria. Foto: APEstado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL): os militantes foram considerados verdadeiras ameaças regionais pelos EUA após tomarem Mosul. Foto: APAl-Shabab: grupo somali tem ligações com a Al-Qaeda e promove ataques contra o Quênia desde 2011 em resposta ao envio de tropas do país à Somália. Foto: APAl-Shabab: grupo, cujo nome significa 'A Juventude', apareceu como ala radical da extinta União das Cortes Islâmicas da Somália em 2006. Foto: ReutersEmirado do Cáucaso: os rebeldes reivindicam a criação de um Estado islâmico independente na região russa que inclui a Chechênia. Foto: Reprodução/YoutubeAl-Qaeda na Península Arábica: braço do grupo terrorista no Iêmen querem, entre outros objetivos, atacar ocidentais e derrubar a família real saudita, aliada dos EUA. Foto: Reprodução/YoutubeTaleban: grupo integra o movimento islâmico nacionalista no Paquistão e Afeganistão e visa a expulsar invasores dos EUA e da Otan. Foto: APAl-Qaeda no Magreb Islâmico: com essa nomenclatura desde 2007, grupo atua na Argélia e em parceria com terroristas de países vizinhos. Ocidentais são alvos. Foto: Reprodução/YoutubeAl-Qaeda: rede criada por Osama bin Laden nos anos 1980 objetiva acabar com a influência ocidental em países muçulmanos. Foto: Reprodução/Youtube

Civis
Os civis foram os mais atingidos pelos ataques, com um total de 2.079 mortos, seguidos por 1.723 militares. Mas as proporções variaram significativamente entre os países.

Na Nigéria, cerca de 700 civis foram mortos – pelo menos 57 crianças –, enquanto apenas 28 mortes foram de militares. Em contraste, na Síria e no Afeganistão, o número de mortes de militares foi mais do que o dobro do de civis. Dos 146 casos de policiais mortos, 95 ocorreram no Afeganistão.

Políticos e outros funcionários públicos também foram alvos no Afeganistão e na Somália, onde 22 foram mortos. Os próprios jihadistas também foram mortos em grande número: 935 morreram em confrontos ou explodindo a si mesmos.

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Bombas matam mais
Considerados todos os artefatos, as bombas foram responsáveis pelo maior número de mortes, com 1.653 pessoas mortas em 241 explosões. Estas incluíram 38 atentados suicidas que tiraram 650 vidas e 128 outras bombas, como dispositivos explosivos improvisados (IEDs), que mataram 555 pessoas.

Algumas explosões foram grandes e tiveram como alvo o público em geral, enquanto outras, alvos claros, como o atentado do homem que entrou na sede da polícia em Cabul, no Afeganistão, antes de se explodir, matando sete agentes.

Ataques com armas tiraram a vida de pelo menos mais 1.574 pessoas, enquanto mais de 666 mortes foram descritas como resultado de emboscadas, muitas das quais envolvendo tiroteios.

Estima-se que 426 pessoas tenham sido assassinadas em mortes com sinais de execução, incluindo 50 pessoas decapitadas na Síria, Iêmen e Líbia.

Entre eles figura o trabalhador de ajuda humanitária Peter Kassig, decapitado junto com um grupo de sírios, no meio do mês.

Morteiros e bombas mataram 204 pessoas, e 49 foram atacadas com facas. Neumann disse que a variedade de táticas e métodos de ataque reflete "a maior ênfase na manutenção do território e enfrentamento das forças convencionais".

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