Métodos de interrogatório da CIA foram brutais e ineficazes, diz Senado dos EUA

Por Reuters * | - Atualizada às

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De acordo com relatório feito por Comitê do Senado dos EUA, a agência recorreu a ameaças sexuais, simulações de afogamento e outros métodos contra supostos terroristas

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Brutais e ineficazes. Foi assim que um comitê do Senado norte-americano definiu a forma como a CIA (agência de inteligência do país) praticou seus interrogatórios contra supostos terroristas ao longo dos últimos anos, em relatório apresentado em Plenário nesta terça-feira (9).

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A presidente do comitê que analisou as ações da CIA, Dianne Feinstein: "houve torturas brutais"

O relatório concluiu que a agência enganou rotineiramente tanto a Casa Branca quanto o Congresso sobre seu programa de interrogatórios, criado por duas empresas subcontratadas pela CIA com a finalidade de pressionar os suspeitos para que dessem informações após os atentados de 11 de Setembro de 2001. Isso porque, ao contrário do que bradava, estes nunca conseguiram evitar qualquer complô contra o Estado. 

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O programa transcorreu de 2002 a 2006 e envolveu interrogatório de presos da Al-Qaeda e outros em centros de detenção secretos de vários países, incluindo Afeganistão, Polônia, Romênia e Tailândia.

Divulgado após uma investigação de cinco anos, o relatório assinala que as técnicas utilizadas foram "muito mais brutais" do que a CIA informara ao público ou às autoridades. Sua divulgação levou ao reforço da segurança nas instalações dos Estados Unidos no exterior.

"Este documento examina a detenção secreta pela CIA no exterior de pelo menos 119 pessoas e o uso de técnicas coercitivas de interrogatório – em alguns casos, equivalentes a tortura", disse a presidente do comitê, Dianne Feinstein.

A CIA rejeitou as conclusões, dizendo que os interrogatórios resultaram, sim, em informações valiosas. Republicanos condenaram o relatório – elaborado pelos democratas, majoritários no comitê – e afirmaram que ele irá deixar os norte-americanos em perigo.

Os exemplos específicos de brutalidade citados incluem a morte por hipotermia, em novembro de 2002, de um detento mantido parcialmente nu e acorrentado a um piso de concreto em uma prisão da CIA.

O relatório diz ainda que a CIA tentou justificar a sua utilização do programa dando exemplos do que chamou de planos terroristas “frustrados” e capturas de suspeitos, mas as "representações eram imprecisas e estavam em contradição com os próprios registros da agência".

Veja homenagem aos mortos do 11 de setembro 13 anos depois:

Barack Obama, a primeira-dama Michelle o vice-presidente Joe Biden, e outros, no gramado da Casa Branca em memória das vítimas do atentado (11/09). Foto: APO presidente Barack Obama e a primeira-dama Michelle Obama cantam o hino no gramado sul da Casa Branca, em Washington, em memória das vítimas do 11 de Setembro (11/09). Foto: APObama e Michelle durante as homenagens pelo 13º aniversário dos atentados terroristas nos EUA (11/09). Foto: APBarack Obama, a primeira-dama Michelle o vice-presidente Joe Biden, e outros, baixam suas cabeças no gramado da Casa Branca em memória das vítimas do atentado (11/09). Foto: APBarack Obama, a primeira-dama Michelle e o vice-presidente Joe Biden, e outros, durante homenagem realizada na Casa Branca, em Washington, pelo 11 de Setembro (11/09). Foto: APBandeira dos EUA sobre os nomes das vítimas dos ataques de 11 de Setembro nos EUA (11/09). Foto: ReutersFlores são vistas sobre os nomes das vítimas dos ataques de 11 de Setembro de 2001 ao World Trade Center, nos EUA (11/09). Foto: ReutersFlores em memória das vítimas dos atentados terroristas que abalaram os EUA em 2001 (11/09). Foto: Reuters

Privação de sono
Alguns prisioneiros chegaram a ser privados de sono por até 180 horas, muitas vezes com as mãos algemadas acima das cabeças. O relatório registrou ainda casos de "nutrição retal" ou "hidratação retal" sem qualquer necessidade médica documentada.

O texto descreve uma das prisões secretas da CIA, cuja localização não foi identificada, como um "calabouço" onde os detidos eram mantidos em total escuridão e acorrentados em celas isoladas, bombardeados com ruído alto e recebendo apenas um balde para servir de privada.

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Segundo o relatório, durante uma das 83 ocasiões em que foi submetido a uma técnica de simulação de afogamento que a CIA chama de "waterboarding", um detento da Al-Qaeda conhecido como Abu Zubaydah ficou “completamente em estado inconsciente, com bolhas subindo pela boca totalmente aberta", embora mais tarde tenha sido reavivado.

O relatório diz que os registros da CIA mostram que sete dos 39 detidos da agência foram submetidos a interrogatórios agressivos não revelaram nenhum dado de inteligência enquanto estiveram sob sua custódia. Outros inventaram histórias, "resultando em dados duvidosos de inteligência".

Em comunicado, o presidente Barack Obama afirmou que as técnicas prejudicaram os interesses norte-americanos no exterior sem servir aos amplos esforços de contraterrorismo. "Em vez de ser mais um motivo para combater velhos argumentos, espero que o relatório de hoje possa nos ajudar a deixar essas técnicas ao lugar ao qual pertencem: o passado", disse ele.

O diretor da CIA, John Brennan, reconheceu que o programa de detenção e interrogatório da CIA "teve deficiências e que a agência cometeu erros". Mas ele negou que a agência tenha enganado alguém e disse que a avaliação da agência indica que os detidos submetidos a interrogatórios agressivos "produziram, sim, dados de inteligência que ajudaram a frustrar os planos de ataque, capturar os terroristas e salvar vidas".

Entre as técnicas aplicadas, a CIA recorreu a ameaças sexuais, simulação de afogamento e outros métodos brutais para interrogar suspeitos de terrorismo.

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