Resgate de reféns no Iêmen não teve elemento surpresa

Por BBC |

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Autoridades dos Estados Unidos afirmaram que cerca de 40 comandos de unidades militares de elite participaram da ação

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Autoridades americanas disseram à BBC que não houve "elemento surpresa" no ataque fracassado de forças especiais contra extremistas para libertar reféns no Iêmen.

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O jornalista americano Luke Somers e o professor da África do Sul Pierre Korkie foram mortos na ação.

Washington também disse os militares responsáveis pelo resgate não sabiam que Korkie, que seria libertado neste domingo segundo uma organização não governamental, era mantido refém junto com Somers.

AP
Somers viajou ao país como professor, mas se transformou em jornalista ao testemunhar os fatos relacionados à Primavera Árabe

O embaixador americano em Londres, Matthew Barzun, disse à BBC que devido às ameaças feitas pelos sequestradores de matar Somers em um vídeo lançado na internet logo antes, não teria havido outro momento para tentar um resgate.

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"Neste caso, infelizmente, o cronograma foi estabelecido pelos sequestradores porque basicamente eles disseram de forma pública que fariam coisas horríveis em uma determinada data", afirmou.

Autoridades dos Estados Unidos afirmaram, sem se identificar, que cerca de 40 comandos de unidades militares de elite participaram da ação.

Eles invadiram o local que servia de cativeiro no sul do Iêmen após uma série de ataques aéreos realizados por drones – aviões não tripulados.

Os comandos pousaram de helicóptero a cerca de 10 quilômetros do edifício onde os reféns eram mantidos em Shabwa. Apoiados por forças terrestres do Iêmen, eles chegaram a 100 metros de distância do local. Porém, nessa posição, os americanos foram vistos por combatentes extremistas e um tiroteio foi iniciado.

Um dos membros da Al Qaeda foi visto entrando no edifício. Os americanos acreditam que foi ele quem atirou nos reféns.

As duas vítimas foram retiradas do local com ferimentos graves e logo receberam atendimento médico. Korkie morreu em um helicóptero sendo retirado do local e Somers quando recebia atendimento já em um navio americano próximo da região.

Uma fonte americana disse que não há chance dos reféns terem sido atingidos por fogo americano, por causa do local onde eram mantidos. O ataque durou ao todo 30 minutos.

O presidente Barack Obama condenou o "assassinato bárbaro" dos dois reféns. Ele assumiu a responsabilidade pela tentativa de resgate e ofereceu seus "sentimentos e orações" para as famílias.

Polêmica

A organização não governamental Gift of the Givers, que arrecadava fundos para pagar o resgate de Korkie, disse que ele seria libertado neste domingo (7).

A entidade divulgou uma nota afirmando que a tentativa de resgate americana "destruiu tudo".

Informações não confirmadas dizem que o resgate exigido pela libertação de Korkie já havia sido pago.

Uma autoridade do governo americano disse ao correspondente da BBC em Washington, Tom Esslemont, que os militares não sabiam que Korkie era mantido refém junto com Somers.

O diretor da Gift of the Givers, Anas Hamati, afirmou durante o programa Newshour da BBC que Korkie estava doente e que mediadores estravam trabalhando em "um acordo para libertá-lo".

“O passaporte dele estava pronto, tudo estava pronto”, afirmou.

"Naquele momento aconteceu o ataque das forças especiais americanas no Iêmen e tudo foi destruído".

Korkie foi sequestrado junto com sua mulher Yolande no ano passado, na segunda maior cidade do país, Taiz. Ela foi libertada meses depois.

Somers, o principal objetivo do resgate, tinha 33 anos e trabalhava como jornalista e fotógrafo para organizações de mídia locais.

As reportagens dele também eram veiculadas pela imprensa internacional – incluindo os sites da BBC.

O vídeo divulgado na semana passada em que Somers aparece pedindo socorro mostra também um membro da al Qaeda na Península Árabe – o ramo da rede conhecido como AQAP -, ameaçando matar o refém se pedidos específicos não fossem atendidos.

A AQAP é classificada pelos Estados Unidos como um dos ramos mais perigosos da Al Qaeda. O grupo é baseado no leste do Iêmen e se fortaleceu após a que da do presidente Ali Abdullah Saleh em 2011.

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