Castelos da Transilvânia lucram com a fama de Drácula

Por BBC |

compartilhe

Tamanho do texto

Propriedades foram retomadas recentemente após serem tomadas pelo partido comunista romeno após a 2ª Guerra

BBC

No fim das contas, os donos de castelos da Transilvânia tiveram que se preocupar com os vampiros, e não com os comunistas.

Durante séculos, esta região histórica na Romênia central – que inspirou o romance de horror de 1897 Drácula, de Bram Stoker – abrigou aristocratas que construíram ali mais de 100 castelos.

Galeria de fotosConheça os destinos mais mal-assombrados do mundo

EUA: Casa 'levemente mal-assombrada' reacende interesse por fantasmas

Isso mudou repentinamente quando o partido comunista romeno conquistou o poder no fim da Segunda Guerra Mundial e tomou as propriedades – a maioria delas foi deixada sem manutenção.

Alguns dos donos de castelos conseguiram escapar do país, enquanto outros foram deixados na penúria.

Castelos da Transilvânia lucram com a fama de Drácula. Foto: GettyDono do Castelo Teleki cobra  entre 500 e 2.500 euros para alugar o edifício para festas, casamentos, shows e grupos de turistas. Foto: BBCCastelo Bran, que se tornou o mais popular do local por sua suposta conexão com a história de Drácula, lucra  2,4 milhões de euros por ano. Foto: BBCLocalizado próximo ao vilarejo de Zabala, o castelo Mikes foi usado como hospital psiquiátrico durante o regime comunista. Foto: BBC

Após a revolução romena de 1989, que removeu os comunistas do poder, seus descendentes começaram o lento processo para tentar recuperá-los.

Em 2005, uma mudança na lei abriu as portas para que eles eles conseguissem os títulos de suas propriedades. Mas não havia recursos financeiros suficientes para mantê-las.

De nobres a empreendedores

Recuperar os castelos implica pagar altos honorários a advogados e, caso sejam bem sucedidos, gastar bastante dinheiro reformando os locais.

A maioria dos proprietários havia perdido as fortunas familiares acumuladas antes da guerra. Por isso, tiveram que passar de nobres a empresários.

É o caso de Kalman Teleki, cuja família teve um castelo barroco – próximo a Gornesti, no norte da Romênia – tomado pelo governo comunista.

Teleki era criança quando isso aconteceu, mas ele se lembra que a família foi obrigada a viver durante 19 anos em um pequeno apartamento no porão do castelo.

Ele conseguiu estudar engenharia química e deixar a Romênia em 1982, quando foi viver na Bélgica.

Há três anos, o engenheiro recuperou o Castelo Teleki depois de pagar cerca de 20 mil euros (R$ 63 mil, no câmbio de hoje) no processo jurídico.

"Eu abro os portões do meu castelo para festas, casamentos, shows e grupos de turistas. Tenho que encontrar um propósito para ter um castelo no século 21", diz Teleki, de 67 anos, que é carinhosamente chamado de "o conde" pelos vizinhos.

Ele cobra entre 500 e 2.500 euros para alugar o edifício e – mesmo que a demanda flutue – ele diz que sua meta é ter "pelo menos um evento por semana".

Ao mesmo tempo, Teleki permite que turistas, sozinhos ou em grupos pequenos, visitem o castelo gratuitamente. "Mas não recusamos doações, é claro", diz.

Teleki diz que o governo poderia colaborar com seu negócio modernizando as estradas rurais na Romênia e investindo mais para promover o turismo no país.

Mas ao mesmo tempo, ele diz que é motivado pela fascinação que as pessoas continuam a ter pela Transilvânia.

Uma missão

Gregor Roy Chowdhury precisou de "10 anos de batalhas judiciais" para recuperar legalmente o castelo de sua família.

Localizado próximo ao vilarejo de Zabala, o castelo Mikes foi usado como hospital psiquiátrico durante o regime comunista.

A mãe de Chowdhury, condessa Katalin Mikes, fugiu da Romênia aos 16 anos e viveu na Austrália, onde se casou com um homem de Bangladesh.

Os dois filhos da condessa, Gregor e Alexander, agora administram o castelo e a propriedade, apesar de terem conseguido a posse de apenas um terço das terras que a família Mikes possuía.

Gregor Chowdhury, que trabalhava em um banco de investimentos em Londres, diz que manter o castelo é "mais uma missão do que um emprego, aqui é minha casa".

O local agora funciona como pousada, com um de seus edifícios auxiliares convertido em 10 quartos. Os irmãos pretendem duplicar essa capacidade em 2015. A pousada oferece culinária tradicional da Transilvânia, como gulash, frango ao limão e um licor típico chamado palinka.

Chowdhury diz que o castelo recebe até 2 mil hóspedes por ano, a maioria vindos da capital romena, Bucareste. Ele emprega seis pessoas do vilarejo.

'A grande exceção'

A maioria dos proprietários de castelos na região sonham com o mesmo sucesso do castelo Bran, que se tornou o mais popular do local por sua suposta conexão com a história de Drácula.

O escritor irlandês Bram Stoker nunca visitou a Transilvânia, mas acredita-se que a inspiração para o personagem foi o príncipe da província da Valáquia – Vlad, o empalador –, que viveu no século 15.

Conhecido como Vlad Drácula, a lenda conta que ele teria ficado preso por muitos meses no castelo Bran, que também voltou recentemente para as mãos de seus donos originais.

Por causa disso, o local recebe meio milhão de visitantes por ano e fatura cerca de 2,4 milhões de euros. Este ano, foi posto à venda por 64 milhões de euros.

Gregor Chowdhury, no entanto, diz que o sucesso do castelo Bran é "a grande exceção".

Kalman Teleki, por sua vez, afirma que o Bran acaba ofuscando os outros castelos.

"Fico um pouco chateado com isso. A Transilvânia não pode ser reduzida ao Drácula", diz ele. "É uma boa história, mas há coisas mais interessantes para ver."

Leia tudo sobre: castelodraculatransilvania

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas