O ex-presidente da África do Sul morreu em 5 de dezembro de 2013, aos 95 anos, em decorrência de uma infecção pulmonar

BBC

Um ano atrás, os sul-africanos dançaram e cantaram nas ruas para celebrar a vida de Nelson Mandela, o homem que liberou o país da praga da opressão racial.

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Eles não lamentavam a morte daquele que é visto por muitos como herói, e sim homenageavam que Madiba, nome da tribo de Mandela, os tivesse salvado de um potencial banho de sangue racial.

Graca Machel, viúva de Nelson Mandela, discursa ao lado a maior estátua do ex-presidente sul-africano, em Pretória
Siphiwe Sibeko/Reuters
Graca Machel, viúva de Nelson Mandela, discursa ao lado a maior estátua do ex-presidente sul-africano, em Pretória


Mas apesar do senso de união muitos, especialmente os sul-africanos brancos, pareciam visivelmente preocupados com a possibilidade de que o homem considerado sinônimo de um futuro pacífico tivesse morrido cedo demais, deixado-os expostos.

Eles temiam que a morte de Mandela aos 95 anos abrisse uma porta para que massas de negros pobres destruíssem suas vidas confortáveis.

Galeria de fotos: Veja imagens de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul

Doze meses se passaram desde então - e a vida no país segue normal.

Em Soweto, uma das netas de Mandela, Ndileka, visita a casa do avô transformada em museu.

Perguntada sobre os temores de que a morte de Mandela pudesse incendiar os ânimos na África do Sul, ela responde com um sorriso: "Mesmo um ano após a morte dele, a paz ainda prevalece".

"As pessoas apoiam o legado dele e (a causa) por que batalhou, porque ele defendeu paz e reconciliação".


Apartheid: crime?

Mas existem nuances. Nesta semana, o chamado Barômetro de Reconciliação Sul-Africano, uma pesquisa de opinião, indicou que 76% dos pesquisados acreditam que o apartheid constituiu um crime contra a humanidade.

Quando a pesquisa foi conduzida pela primeira vez, em 2003, 86% dos sul-africanos concordavam que o apartheid era um crime.

Entre os sul-africanos brancos, parece ter havido uma mudança significativa de opinião: em 2003, 70% acreditavam que o regime de segregação racial era um crime contra a humanidade; dez anos depois, o índice caiu para 52%.

A conclusão do Instituto para a Justiça e Conciliação, que comparou dados entre 2003 a 2013, é que os níveis de concordância na sociedade sul-africana decaíram na última década.

Para Kim Wale, autor do estudo, o resultado indica como a história é ensinada no país.

"O perigo do esquecimento é que estimula a negação. A implicação é que estaremos condenados a repetir o passado", disse.

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