Dilma propõe ação entre países da Unasul para enfrentar crise internacional

Por iG São Paulo * |

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A presidente brasileira sugeriu a criação de projetos de infraestrutura e pediu a preservação da democracia da região

Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma Rousseff e Rafael Correa, presidente do Equador, país que sedia a reunião da Unasul

A presidente Dilma Rousseff convidou em seu discurso na Cúpula Extraordinária da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito, no Equador, os presidentes dos 12 países que compõem o bloco a se unirem para enfrentar a crise internacional, a criação de projetos de infraestrutura e a preservação da estabilidade democrática da região.

A Unasul é formada por Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Chile, Guiana e Suriname. Entre os temas discutidos na cúpula está a criação da cidadania sul-americana, que vai facilitar a circulação dos cidadãos dos 12 países-membros. Estima-se que 400 milhões de pessoas sejam beneficiadas com a medida.

Dilma fez uma espécie de retrospectiva sobre os desafios e os avanços da Unasul nos últimos meses, além de defender ações conjuntas com o objetivo de consolidar a agenda externa do grupo. Segundo a presidente, este ano foi feito um importante debate sobre os modelos de exploração dos recursos naturais, que não devem apenas ser considerados como vantagem regional.

“É preciso transformar esses recursos em ferramentas efetivas de diversificação produtiva e desenvolvimento social, sob pena de ficarmos presos ao círculo vicioso da mera exportação de matérias-primas”, afirmou. Dilma propôs uma Unasul “renovada, fortalecida e atuante”, com o objetivo de consolidar a América do Sul como “exemplo de paz, de união, em um mundo cada vez mais conturbado pelas incertezas de ordem política e econômica”.

A presidente lembrou a importância que a Unasul teve em situações como os atos violentos ocorridos na Venezuela em fevereiro, quando pelo menos três pessoas morreram e 61 ficaram feridas após protestos. A atuação no caso comprovou, segundo Dilma, a “eficácia” da entidade para auxiliar os Estados-membros na busca de soluções “democráticas, pacíficas e negociadas em cenários de crise”.

Dilma elogiou as eleições ocorridas recentemente na Colômbia, Chile, Bolívia, Uruguai e também no Brasil. Segundo ela, saiu vitoriosa a agenda da inclusão social, do desenvolvimento com distribuição de renda, do combate à desigualdade e da garantia de oportunidades.

“Nós, países da Unasul, provamos que somos capazes de enfrentar muitos dos desafios. Nos últimos anos, nossos países aumentaram a renda per capita, diminuíram o desemprego e reduziram os níveis de pobreza de suas populações”, disse. De acordo com Dilma, a cooperação dos países do bloco será importante para a recuperação da crise econômica mundial.

O papel da Unasul como interlocutor global da região em espaços de diálogo e de cooperação foi citado por Dilma. Citou, como exemplo, a cúpula promovida em julho com o Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. “Por isso, tenho certeza que ao longo dos próximos anos vamos também diversificar e buscar novas interlocuções”.

“Somos 12 países com 12 visões de mundo que representam as experiências e aspirações de cada uma de nossas sociedades”, observou.

Ao final de sua fala, Dilma fez referência à metáfora futebolística do secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, que quando esteve no Brasil disse que se sente “jugando de local” [jogando em casa, em português] quando visita o país. “E quando viajamos pelo continente, como é o caso de hoje, sempre 'jugamos de local'”. concluiu.

* com Agência Brasil
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