Aumenta revolta contra policial inocentado de morte por sufocamento em Nova York

Por Reuters | - Atualizada às

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Sequência de ações policiais que resultaram na morte de negros desarmados e decisões questionáveis de júris geram nova onda de tensão racial e revolta nos Estados Unidos

Reuters

REUTERS/Elizabeth Shafiroff
Manifestantes atravessam a ponte do Brooklyn, em Nova York, depois da morte de mais um negro

Milhares de manifestantes eram esperados nas ruas de Nova York nesta sexta-feira (5), o terceiro dia de protestos contra a violência policial, mesmo depois que promotores disseram estar cogitando acusar um policial por ter matado a tiros um homem negro desarmado em novembro.

A morte de Akai Gurley, de 28 anos, em uma escadaria às escuras no bairro do Brooklyn se somou a uma sequência de ações policiais envolvendo negros desarmados que inflamaram as tensões raciais nos Estados Unidos.

Desde quarta-feira, quando um júri de Nova York inocentou o policial Daniel Pantaleo por ter matado Eric Garner, homem de 43 anos e pai de seis filhos, com uma chave de braço em julho, a cidade testemunhou duas noites de manifestações raivosas, ainda que essencialmente pacíficas.

A decisão foi anunciada nove dias depois que outro júri se recusou a indiciar um policial branco pela morte de um adolescente negro desarmado em agosto na cidade de Ferguson, no Missouri, desencadeando tumultos no subúrbio de St. Louis.

Na quinta-feira, em Phoenix, no Estado do Arizona, outro negro desarmado foi morto a tiros por um policial branco durante uma briga, levando a protestos no local.

“O governo criou um monstro, e monstro agora está solto”, disse Soraya Soi Free, de 45 anos, enfermeira e ativista do Bronx que tem participado dos protestos nova-iorquinos.

Uma vigília por Gurley está marcada para a noite desta sexta-feira, e seu enterro será no sábado. O Reverendo Al Sharpton, líder de direitos civis, fará o elogio fúnebre.

O procurador federal do Brooklyn, Kenneth Thompson, declarou nesta sexta-feira que irá convocar um júri para analisar possíveis acusações contra o policial que matou Gurley, relatou o jornal Wall Street Journal. O policial, Peter Liang, afirmou que sua arma disparou acidentalmente.

Em uma coletiva de imprensa com familiares de Gurley nesta sexta-feira, Kevin Powell, presidente do grupo ativista BK Nation, classificou a morte decorrente do disparo como parte de “uma série de linchamentos modernos”.

Em lágrimas, a mãe de Gurley, Sylvia Palmer, exigiu justiça para o filho.

Entre outros eventos planejados para esta sexta-feira em Nova York está uma vigília à luz de velas para Garner.

O Occupy Wall Street, movimento surgido em 2011 para protestar contra a desigualdade econômica, iria realizar um “desabafo” na tarde desta sexta-feira em Manhattan contra a decisão do caso Garner, disse Sumumba Sobukwe, de 46 anos, um dos organizadores do grupo.

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