Premiê de Israel demite ministros e defende eleições antecipadas

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Segundo Netanyahu, Yair Lapid (Finanças) e Tzipi Livni (Justiça) atacaram tanto ele quanto a coalizão governamental no país

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O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, demitiu os ministros das Finanças e da Justiça e anunciou que quer dissolver o Parlamento, o que anteciparia as eleições gerais, previstas para daqui a dois anos.

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Netanyahu afirmou que Yair Lapid (Finanças) e Tzipi Livni (Justiça) atacaram impiedosamente tanto ele quando a coalizão governamental. Ao justificar a decisão, o premiê explicou que quer antecipar as eleições para ganhar "um mandato claro para liderar Israel".

Recentemente, uma série de desentendimentos sobre o curso da política e da economia do país aumentou a tensão entre membros da coalizão.

Segundo a lei eleitoral israelense, a votação provavelmente seria realizada em meados de março, se o Parlamento (Knesset) fosse dissolvido nesta semana.

'Risco pessoal'

Em entrevista coletiva a jornalistas nesta terça-feira, Netanyahu afirmou ser "impossível" para ele liderar um governo com a coalizão atual, e descreveu Livni e Lapid como golpistas.

O premiê afirmou que ele estava correndo um "risco pessoal" ao convocar eventualmente eleições antecipadas, mas justificou sua decisão "pelo bem da nação". Parlamentares israelenses devem votar uma lei que dissolve o Parlamento nesta quarta-feira (3).

As declarações de Netanyahu ocorrem depois de conversas com Lapid – líder do Yesh Atid, partido de centro e o segundo maior na atual coalizão de governo – terminarem sem um acordo na noite da segunda-feira.

O premiê israelense e seus ministros não conseguiram chegar a um acordo sobre o conteúdo da lei, que pretende fortalecer a natureza judaica do Estado de Israel e também sobre uma eventual redução de impostos para quem compra imóvel pela primeira vez, que Lapid considera ser de sua autoria.

Na manhã desta terça-feira, Lapid afirmou durante um fórum econômico que o premiê havia "decidido levar Israel a eleições desnecessárias".

À medida que os rumores sobre a convocação de eleições antecipadas aumentaram, a ministra da Justiça, Tzipi Livni, acusou Netanyahu de "extremismo, provocação e paranoia".

O governo não sabe como combater o terrorismo ao mesmo tempo em que "mantém a liberdade e o Sionismo", acrescentou ela. Livni, que lidera o partido de centro Hatnua, também acusou Netanyahu de "incitar conflitos entre setores de Israel".

'Covardia'

Por meio de um comunicado, o gabinete de Netanyahu anunciou que "o primeiro-ministro planeja convocar a dissolução do Parlamento tão logo possível e pedir ao povo apoio para um mandato claro para liderar Israel". A nota também informava sobre as demissões de Lapid e Livni.

"Nas últimas semanas, incluindo ontem, os ministros Lapid e Livni atacaram fortemente o governo que lidero. Não vou mais tolerar uma oposição dentro do meu governo", acrescentou o comunicado.

Após a entrevista a jornalistas, Livni acusou o premiê de covardia ao demití-la, dizendo que ele "nem se prestou a me olhar no olho", e negou que tenha havido um "golpe" contra Netanyahu.

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