América Latina e Caribe anunciam medidas de proteção a refugiados e apátridas

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Ação está dividida em capítulos cujos governos dessas regiões se comprometem a implementar nos próximos dez anos

Agência Brasil

O Brasil e mais 30 países da América Latina e do Caribe adotaram oficialmente nesta quarta-feira (3) plano de ação mais amplo para fortalecer a proteção a refugiados, deslocados e apátridas na região.

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Arquivo/Agência Brasil
O secretário Paulo Abrão destaca avanços na questão dos refugiados

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A medida está dividida em oito capítulos temáticos que incluem 11 programas estratégicos que os governos se comprometem a implementar nos próximos dez anos. O plano foi adotado ao final do Cartagena+30, evento do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e do governo brasileiro, que comemora o 30º aniversário da Declaração de Cartagena sobre os Refugiados.

O secretário nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados, Paulo Abrão, destacou como principais avanços do plano a inclusão de novos temas, como as pessoas deslocadas por causa de grupos não estatais relacionados ao crime organizado transnacional, os deslocados por causa de mudanças climáticas e a erradicação da apatridia.

“Uma conquista muito objetiva é o fato de nós termos a participação e a incorporação de todos os países do Caribe ampliando significativamente o território de proteção para refugiados e apátridas. O plano traz medidas concretas que estabelecerão padrões de tratamento e de normas internas para os países na questão da proteção das pessoas refugiadas”, disse Abrão.

Um dos pontos do plano consiste em uma resposta integrada regional à situação humanitária do Triângulo Norte da América Central (Honduras, El Salvador e Guatemala) onde a migração de grupos vulneráveis, como mulheres e crianças, ocorre principalmente por causa de ações do crime organizado transnacional.

O plano também traz o compromisso de erradicar a apatridia na América Latina e no Caribe nos próximos dez anos e de preparar estudo sobre os desafios gerados pela mudança climática e pelos desastres naturais, assim como pelo deslocamento transfronteiriço de pessoas causado por esses fenômenos.

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'O nome dela é Rasoul. Aos 75 anos, ela foi forçada a deixar sua casa por causa da violência sectária em Myanmar', explica fotógrafo. Foto: Phil Behan/ Acnur'O tio de Naima foi morto na Etiópia. Os pais fugiram para o Quênia como refugiados políticos e depois, mudaram para a Califórnia', diz fotógrafa. Foto: Evelyn Hockstein/ Acnur'Assafa me disse que queria ser professora, e que queria voltar para sua casa no Mali', diz Helena Caux sobre a menina de 6 anos da foto. Foto: H. Caux/ AcnurO fotojornalista Jason Tanner diz: 'passei quase 2 anos adiando a decisão sobre como tratar e fotografar o tema da violência sexual em conflitos.' . Foto:  J. Tanner/ AcnurAndrew McConnell fotografou a refugiada síria Saada, 102. 'Saada é uma mulher resiliente. Perdeu 7 de 10 filhos, marido e agora, o país'. Foto: A. McConnell/Acnur'Apesar de estar visivelmente marcada pela fome, ela (criança) se mantém graciosa', diz Frédéric Noy. Foto: Frédéric Noy/Acnur'Após quase 1 ano registrando refugiados sírios na Turquia, Líbano, Jordânia e Iraque, finalmente testemunhei alegria', diz fotógrafo. Foto: Lynsey Addario/Acnur'Eu me agachei na tenda improvisada de Fane, 70 anos, abrigada na República Centro-Africana. Ela falou e chorou', diz Sam Phelps. Foto: Sam Phelps/AcnurA menina disse a um fotógrafo tatuado que o campo de refugiados é tão sujo que ela queria pegar as borboletas de seus braços e guardá-las para não sujá-las. Foto: Sebastian Rich/AcnurO povo Rohingya, que vive no oeste de Myanmar, é considerado pela ONU uma das minorias mais perseguidas de todo o mundo. Na foto, John. Foto: Saiful Haq Omi /Acnur

“A Declaração do Brasil chama a atenção para a questão do deslocamento de pessoas em razão de desastres naturais e das mudanças climáticas. Esses deslocados, embora não sejam propriamente refugiados, encontram-se muitas vezes em situação de vulnerabilidade e podem beneficiar-se de respostas de proteção. A política de acolhimento de imigrantes haitianos implementada pelo Brasil após o terremoto em 2010 partiu dessas premissas”, destacou o subsecretário-geral político do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Antônio Paranhos.

Além do plano, foi adotada a Declaração do Brasil, que reafirma o compromisso da região com o fortalecimento da proteção internacional dos refugiados, deslocados e apátridas.

O alto comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, ressaltou a importância do plano de ação e da declaração em um momento das relações internacionais em que predomina o que ele chamou de déficit de governança.

“Há enormes dificuldades da comunidade internacional em prevenir e resolver conflitos e se organizar para responder aos desafios impostos pelas alterações climáticas ou as fragilidades demonstradas em relação às grandes epidemias. É muito reconfortante ver um grupo de países latino-americanos e caribenhos estabelecer juntos um plano de ação e estratégias para responder a um dos maiores dramas do presente, o dos refugiados e apátridas”, disse Guterres.

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