A polícia já havia enfrentado duras críticas devido a um vídeo de alerta que parecia culpar a vítima, em parte, pelo estupro

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A polícia da Hungria causou polêmica após lançar um manual que orienta mulheres a não flertar caso não queiram ser estupradas.

Grupos de mulheres e organizações de direitos civis condenaram a declaração
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Grupos de mulheres e organizações de direitos civis condenaram a declaração

A força já havia enfrentado duras críticas devido a um vídeo de alerta sobre estupro que parecia culpar a vítima, em parte, pela violência sexual.

Ao dar recomendações de segurança na terça-feira (26), a polícia do condado de Vas disse que o flerte por parte de mulheres jovens poderia provocar violência.

Grupos de mulheres e organizações de direitos civis condenaram a declaração.

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As recomendações de segurança foram publicadas para marcar o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Reka Sáfrány, do Lobby das Mulheres húngaras, disse que estava chocada com as campanhas "pouco profissionais" que "culpam as vítimas".

O incidente ocorre quatro dias após a polícia húngara ser duramente criticada por divulgar um vídeo com o slogan "Você pode fazer algo sobre isso, você pode fazer algo contra isso."

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O filme apresenta um grupo de mulheres jovens que bebem e dançam com homens em uma boate. Depois, uma delas é agredida sexualmente por um estranho.

O vídeo foi chamado de "prejudicial e perigoso" por Keret, um grupo de organizações de direitos das mulheres húngaras, em um comunicado publicada nas redes sociais na segunda-feira.

"Não são as roupas que causas vítimas", disse o comunicado.

O grupo pediu que a polícia suspenda a exibição do vídeo e altere o ângulo de suas campanhas de segurança.

Brasil

No início do ano, uma pesquisa feita pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) no Brasil causou polêmica ao mostrar que mais de um quarto (26%) dos entrevistados concordavam com a ideia de que mulheres com roupas curtas merecem ser atacadas.

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