Após trégua, 1 mil já morreram por conflito na Ucrânia, segundo a ONU

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Houve média de 13 mortes diárias no leste ucraniano desde que cessar-fogo, firmado no início de setembro, passou a valer

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Uma média de 13 pessoas foi morta diariamente no leste da Ucrânia desde que passou a vigorar o cessar-fogo firmado no início de setembro, afirmou o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH).

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Segundo a ONU, 957 pessoas morreram em meio à escalada de violência dos dois lados do conflito, que opõe o governo ucraniano a rebeldes separatistas pró-Rússia.

Um novo relatório da EACDH evidencia o "colapso total da lei e da ordem" nas cidades de Donetsk e Luhansk, controladas pelos insurgentes. O informe também destaca as acusações de abusos supostamente praticados por forças do governo.

Desde o início do confronto, a Rússia vem sendo repetidamente acusada de incentivar a violência ao fornecer armas aos rebeldes – alegação negada por Moscou.

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O primeiro-ministro ucraniano, Arseny Yatseniuk, acusou a Rússia nesta quinta-feira de buscar "deliberadamente uma guerra de larga escala".

Segundo afirmou Yatseniuk a jornalistas, as ações do presidente da Rússia, Vladimir Putin, "são uma ameaça a todo mundo, à ordem global, à paz global".

Em outro desdobramento do conflito, Dalia Grybauskaite, presidente da Lituânia, país que integra a Otan e é membro da União Europeia, descreveu a Rússia como "um Estado terrorista" em entrevista a uma rádio.

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Enquanto isso, Putin afirmou durante um encontro em Moscou que a "onda das chamadas revoluções coloridas" (levantes populares na Ucrânia, Geórgia e Quirguistão" vem provocando "consequências trágicas".

"Para nós é uma lição e um alerta", disse Putin em reunião no Conselho de Segurança da Rússia. "Devemos fazer tudo que é necessário para que nada parecido jamais aconteça na Rússia".

'Colapso total'

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O conflito entre o governo ucraniano e rebeldes separatistas pró-Rússia teve início no leste da Ucrânia em abril deste ano, quando Kiev lançou uma operação para retomar o controle de áreas dominadas pelos insurgentes, após a anexação da península da Crimeia por Moscou.

Desde que o confronto começou, cerca de 900 mil pessoas já abandonaram suas casas. Desse total, 400 mil fugiram para a Rússia, informou o relatório da ONU, que cobre o período até o último dia 31 de outubro.

Os novos dados sobre as mortes em decorrência do conflito, contidos em um comunicado de imprensa de 18 de novembro, registram que outras 9.921 pessoas ficaram feridas no conflito.

Das 957 pessoas mortas desde o cessar-fogo, 119 eram mulheres, acrescenta a ONU. No total, pelo menos 4.317 pessoas foram mortas desde o conflito eclodiu em abril.

No relatório divulgado nesta quinta-feira, a ONU descreve a situação no leste da Ucrânia como "um colapso total da lei e da ordem, e uma falta de proteção de direitos humanos para a população" especialmente nas regiões de Donetsk e Luhansk.

O informe assinala que "casos de abusos de direitos humanos por grupos armados continuam a ser registrados, incluindo tortura, arbitrariedade e detenção incomunicável, execuções sumárias, trabalho forçado, violência sexual e destruição e apropriação ilegal de propriedade."

Tais abusos, segundo a ONU, "podem ser considerados crimes contra a humanidade". Para as Nações Unidas, os direitos humanos estão sendo diretamente afetados, pela grande quantidade de armas e de rebeldes que incluem "funcionários da Federação Russa".

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Forças do governo da Ucrânia e milícias que lutam voluntariamente contra os rebeldes também vêm sendo acusadas por abusos dos direitos humanos tais como detenção ilegal, tortura e maus-tratos, diz o relatório.

A ONU também pede uma investigação completa do uso de bombas de fragmentação no conflito. O governo da Ucrânia foi acusado pela ONG Human Rights Watch no mês passado por usar armas em áreas residenciais, uma alegação que Kiev nega.

Sob fogo

Como parte da trégua firmada na capital bielorrussa, Minsk, monitores do órgão de segurança da Europa, OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, na sigla em inglês), inspecionaram as áreas no leste da Ucrânia que fazem fronteira com a Rússia.

Eles reclamaram que foram recebidos a tiros na quarta-feira por soldados uniformizados operando nos territórios controlados pelo governo.

Dois tiros foram disparados contra o comboio da OSCE perto de Mariinka, a 15 km a oeste da Donetsk, de uma distância de cerca de 80 metros, afirmou o órgão, mas ninguém se feriu.

Uma porta-voz da OSCE se recusou a especular se soldados do governo ucraniano estariam envolvidos na ação.

Raio-X do conflito na Ucrânia

4,317 mortos desde abril, 957 deles desde a trégua de 5 de setembro, e 9.921 feridos;

466,829 desabrigados dentro da Ucrânia;

454,339 refugiados morando no exterior, 387,355 deles na Rússia.

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