Colômbia exige fim do sequestro de general para retomar negociação com as Farc

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Juan Manuel Santos falou à nação um dia após Rubén Darío Alzate ter sido levado por um militante armado da guerrilha

AP
Foto divulgada pelo Exército colombiano no dia 15 de novembro mostra o General Rubén Darío Alzate (arquivo)

O presidente Juan Manuel Santos mandou que o maior grupo rebelde da Colômbia solte imediatamente o general do Exército capturado, dizendo que as negociações de paz que visam encerrar o conflito de meio século dependem disso.

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Santos se dirigiu a nação na noite de segunda-feira (17), pouco mais de um dia após o general Rubén Darío Alzate, vestido com roupas civis, ter sido sequestrado com outros dois por um militante armado em um remoto rio colombiano.

Um soldado que conseguiu escapar do barco disse que o militante pertencia ao 34º front das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc.

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É a primeira vez que os guerrilheiros capturam um general do Exército e não poderia ter acontecido em um momento pior para Santos.

Até mesmo antes do presidente suspender os dois anos de conversa por paz, a frustração com o lento progresso das negociações tomava conta dos colombianos. Mais cedo este ano, as Farc capturaram dois soldados durante intensa violência no nordeste da Colômbia, onde conflitos provocaram a morte de dois indígenas em suas reservas.

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Chamando o sequestro de Alzate de "totalmente inaceitável", Santos ordenou que os negociadores de paz do governo que viajariam a Cuba na segunda para mais uma rodada de negociações retornassem até que o militar e um capitão do Exército e uma advogada que assessora os militares em um projeto de energia rural fossem libertados.

"As Farc precisam entender que, mesmo negociando em meio a um conflito, a paz não será conquistada recorrendo à violência e minando a confiança", disse Santos.

Em meio à conversa dura, pouco se sabe sobre o paradeiro do general ou por que ele aparentemente violou o protocolo militar e partiu para uma zona perigosa do rio Atrato vestido como um civil, sem guarda-costas. Uma grande operação de buscas foi montada na segunda, mas até agora só rendeu algumas pistas.

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As Farc consideram sequestrar militares como prisioneiros de guerra, mesmo tendo libertado todos os soldados cativos e jurado o fim dos sequestros contra civis às vésperas das negociações em 2012.

Também havia sido exigido uma trégua no país durante as negociações de paz, algo que Santos rejeitou por temer que a ação permitiria aos guerrilheiros um reagrupamento como o da última tentativa de paz, finalizada em 2002.

"Enquanto as Farc falam sobre paz em Havana cometem todo o tipo de atrociada", disse o ex comissário de paz Camilo Gomez, acrescentando que as negociações poderiam exigir uma grande reforma nas Farc a fim de demonstrar seu compromisso com a paz.

*Com AP

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