Crise entre Ucrânia e Rússia assume debate central antes da cúpula do G20

Por Reuters |

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Ucrânia acusa Rússia de enviar soldados e armas para ajudar rebeldes no leste do país; ofensiva de Kiev à região matou 4 mil

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A cúpula do G20 na Austrália que começará no sábado (15) está se moldando para ser um confronto entre líderes ocidentais e o presidente russo, Vladimir Putin, após relatos de novas incursões de tropas da Rússia no leste da Ucrânia.

Quarta: Ucrânia volta a mobilizar tropas por temor de nova ofensiva rebelde

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Presidente russo, Vladimir Putin, participa de videoconferência durante cerimônia para lançar unidade de energia em cidade da Sibéria (12/11)


Terça: Bombardeio intenso no leste da Ucrânia aumenta ameaça ao cessar-fogo

A Ucrânia acusa a Rússia de enviar soldados e armas para ajudar rebeldes separatistas no leste do país, depois de Kiev ter lançado uma nova ofensiva em um conflito que já deixou mais de 4 mil mortos.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, considerou as ações da Rússia como inaceitáveis nesta sexta-feira, alertando que poderiam resultar em maiores sanções dos Estados Unidos e da União Europeia.

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"Ainda espero que os russos vejam o bom senso e reconheçam que devem permitir que a Ucrânia se desenvolva como um país livre e independente, livre para fazer suas escolhas", disse Cameron a repórteres em Canberra, capital australiana.

"Se a Rússia adotar uma abordagem positiva em relação à liberdade da Ucrânia, veremos essas sanções sendo removidas, e se a Rússia continuar a piorar os problemas, então podemos ver essas sanções aumentadas. É simples assim."

A Rússia nega enviar tropas e tanques para a Ucrânia. Mas o aumento na violência, violações de cessar-fogo e relatos de entrada de comboios armados sem identificação vindos da direção da fronteira russa aumentaram os temores de que a trégua concordada em 5 de setembro possa ruir.

Dia 9: Bombardeio pesado na área dominada pelos rebeldes em Donetsk

A cúpula dos líderes do G20 em Brisbane está focada em aumentar o crescimento econômico mundial, blindar o sistema bancário global e fechar buracos fiscais para multinacionais gigantes.

No entanto, com grande parte da agenda econômica já acertada e um acordo de mudanças climáticas assinado na semana passada em Pequim entre os EUA e a China, as preocupações de segurança assumiram o debate central do encontro.

A Ucrânia não foi o foco durante as duas cúpulas na Ásia na semana passada, disse o vice-conselheiro de segurança nacional dos EUA, Ben Rhodes, embora o presidente Barack Obama tenha levantado o tema brevemente com Putin quando ambos se encontraram no fórum da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), realizado na China.

Dia 7: Tanques cruzam fronteira da Rússia para Ucrânia, segundo militares de Kiev

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Mídia: Chanceler russo e secretário de Estado americano se reunirão na China

Obama chega a Brisbane no sábado e discutirá sua frustração sobre a Ucrânia com um grupo que inclui a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, e também Cameron.

Houve alguns pedidos na Austrália para barrar a participação de Putin na cúpula por conta das ações da Moscou na Ucrânia e pela derrubada do avião da Malaysia Airlines por rebeldes pró-Rússia, mas o consenso geral foi contra essa medida.

Relatos da imprensa dão conta que um comboio de navios de guerra russos chegou no começo desta semana a águas internacionais ao norte de Brisbane, onde será o evento.

O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, disse ser incomum, mas não sem precedentes, que um navio russo se aventure tão ao sul.

“Não esqueçamos que a Rússia tem sido mais assertiva militarmente nos últimos tempos”, disse ele na quinta-feira, "Estamos vendo, lamentavelmente, uma grande assertividade russa agora na Ucrânia."

Merkel, falando a repórteres em Auckland, na Nova Zelândia, rejeitou quaisquer ameaças representadas pelos navios de guerra, mas juntou-se coro de líderes ocidentais contra Putin antes de sua chegada a Brisbane prevista para sexta-feira à noite.

"O que me preocupa mais é que a integridade territorial da Ucrânia está sendo violada e que o acordo de Minsk não está sendo seguido", disse ela, referindo-se ao acordo de trégua.

Putin

O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta sexta-feira (14) que as sanções econômicas impostas à Rússia sobre a crise na Ucrânia contrariam os princípios do G20.

Putin disse também à agência estatal de notícias Tass, em entrevista antes de uma cúpula do G20 na Austrália, que as reservas da Rússia são grandes o suficiente para lidar com qualquer nova crise.

Ele afirmou ainda não descartar que a principal petrolífera russa, a Rosneft, receba dinheiro do Fundo Nacional de Previdência, mas disse que é preciso realizar uma análise completa das necessidades da empresa.

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